Terça-feira, 26 de Maio de 2020

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Notícias Um grupo de trabalho do governo gaúcho discute medidas para reduzir a emissão de gases do efeito-estufa

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Setor de energia é um do quatro mais poluentes no Estado. (Foto: Arquivo/Palácio Piratini)

Em meio a toda a demanda gerada pela pandemia de coronavírus, alguns temas tendem a ser esquecidos, ainda que momentaneamente. É o caso das ações de preservação ambiental. Mas nem tudo está parado: o governo do Rio Grande do Sul criou um grupo de trabalho para sugerir e avaliar medidas destinadas a baixar a emissão de gases de efeito-estufa na atmosfera.

O colegiado conta com representantes da Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura) e Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental), que reunirão dados sobre as atividades que mais lançam esse tipo de substância no ar. Essas informações deverão servir de base para políticas públicas que contribuam para desacelerar as mudanças climáticas negativas e para uma melhora na qualidade de vida da população.

Por conta das medidas restritivas de combate ao coronavírus, os primeiros dois encontros do grupo foram realizados por meio de videoconferência. Pauta: levantamento pesquisas sobre os quatro setores da economia que mais emitem gases do efeito-estufa no Rio Grande do Sul: agropecuária, energia, resíduos e uso de terras e florestas.

Cada segmento ficou sob a responsabilidade de um técnico. Esse, por sua vez, apresentou um panorama atual, com base em gráficos e outros elementos obtidos junto a fontes oficiais de informação.

Panorama por segmentos

Na agropecuária, segmento em que o Estado tem historicamente uma atuação bastante forte, a assessora técnica Liana Barbizan demonstrou que o setor representa 53% das emissões de gases de efeito-estufa no Estado. O íncide é mais que o dobro do nacional (25%). Das atividades que mais contribuem para a emissão de gases na agropecuária estão a fermentação entérica (57%) e solos agrícolas (35%).

As conclusões tiveram como base o SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa), Sirene (Sistema de Registro Nacional de Emissões) e o 3º Relatório Brasileiro de Emissões de Gases de Efeito Estufa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Já as estimativas sobre energia foram apresentadas pelo assessor técnico Lucas Gomes. O setor correspondeu a 21% das emissões totais nacionais, sendo o transporte rodoviário responsável por 45% destas emissões.

Em 2018, Pará (12,3%) e Mato Grosso (11,9%) apareceram como os principais emissores em valores absolutos, seguidos de Minas Gerais (9,9%), São Paulo (8,7%) e Rio Grande do Sul (6,6%). As emissões são atribuídas à queima de combustíveis ou a emissões fugitivas, como a combustão espontânea de depósitos de carvão e vazamentos na indústria de petróleo e gás.

A assessora Isa Carla Osterkamp apresentou um panorama das emissões de gases no setor de resíduos que, juntamente com processos industriais, correspondem pela menor parcela de emissões no Brasil (5%). Dentre as áreas que mais emitem gases de efeito-estufa estão incineração e disposição de resíduos e tratamento de esgoto doméstico e industrial.

O setor de uso de terra e florestas representa 18% das emissões de gases de efeito estufa, aponta o SEEG. No Brasil, a atividade é a principal responsável pelas emissões (44%). De acordo com a assessora técnica Cristina Grabher, alguns fatores que contribuem para a emissão estão associados à calagem do solo em áreas recém-desmatadas e queima de resíduos florestais, além de remoções em áreas protegidas, florestas secundárias e mudanças de uso do solo.

De acordo com o secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos Júnior, o grupo deve trabalhar analisando o que é emitido e o que é possível minimizar, contemplando a realidade econômica do Estado. “Queremos formar uma base de dados também a partir do poder público, em parceria com todas as equipes e instituições, para agregarmos, de forma plena, aos dados que estão hoje disponibilizados para consulta. Estamos trabalhando para que o decreto venha a desenvolver o RS e proteger o meio ambiente”, ressaltou.

(Marcello Campos)

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