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Carlos Roberto Schwartsmann Um pacto pela educação

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Perfil dos estudantes de Medicina: maioria mulheres, brancas, com menos de 24 anos e com ensino médio em escola particular. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Ainda na condição de professor universitário me sinto confortável na abordagem deste assunto. Cada vez mais me assusto com as condições educacionais e de conhecimento dos novos alunos da medicina.

Sem dúvida isto é decorrente da desintegração familiar que ocorre nos dias de hoje e da deficiente educação escolar básica e do 2º grau. Como política educacional, nos enganamos redondamente ao prestigiar o ensino universitário em detrimento ao ensino básico.

Para reverter este quadro desastroso devemos seguir exemplos de sistemas educacionais bem-sucedidos.

O melhor exemplo é o da Coreia do Sul.

Dizimada após a guerra que terminou em 1953, os governantes decidiram reconstruir o país através de maciço investimento na educação.

O sistema priorizou a educação primaria.

Somente após alcançarem índices educacionais desejáveis destinaram recursos para o segundo grau e para universidades.

Os professores sul coreanos recebem altos salários, são reconhecidos e valorizados. Ao contrário da nossa cultura e filosofia os professores possuem a carreira de maior prestigio na sociedade. Aqui o desprestigio do professor é tão grande que frequentemente temos notícias de agressões pelos alunos e até pelos pais dos mesmos.

Outro ponto fundamental no sucesso do modelo educacional sul coreano é o conceito de participação ativa da família na vida escolar dos filhos. Perceberam que o desempenho escolar bem-sucedido é o passaporte para uma boa universidade que significa, no futuro, uma vida melhor.

Aqui no Brasil, assustadoramente, o exame nacional do ensino médio (ENEM) no ano passado teve 3.396.632 inscrições. No ano de 2014 foram 8.722.248 candidatos. Esta fantástica diminuição de mais de cinco milhões é o reflexo de uma política educacional malfadada e desastrosa.

A educação não é e nunca foi prioridade no Brasil.

É um engano histórico e vergonhoso. O piso salarial nacional do professor é de R$ 4.420,55. Um pouco acima de dez por cento de um juiz federal: R$ 39.817,79. Analisando a contribuição social de cada um, nenhuma sociedade democrática equilibrada tem esta desatinada diferença.

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) sem sintonia com o governo central e divergentemente, questiona e orienta aos prefeitos para não pagarem o piso?!

Os nossos medíocres governantes não conseguem entender que dinheiro aplicado na educação não é gasto: É investimento!

Senhores políticos, nós o povo deste país, não estamos interessados no seu partido político ou na sua tendência ideológica.

Para o bem e o futuro da nação brasileira, se unam, pelo menos uma vez e tenham um ponto de convergência: UM PACTO PELA EDUCAÇÃO! Só isso poderá salvar o país!

Prof. Dr. Carlos Roberto Schwartsmann
Professor Titular da Cadeira de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de Ciências Saúde Porto Alegre/RS_Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre/RS

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Marcelo Neuri Haag
19 de abril de 2023 11:57

Excelente artigo, professor! Principalmente a parte “Senhores políticos, nós o povo deste país, não estamos interessados no seu partido político ou na sua tendência ideológica”… ah, se todos pensassem assim…

Juventino Adamatti
20 de abril de 2023 00:57

Sem educação! Nosso país não tem savação!!!

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