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Geral Universidade Yale ensina a fazer escolhas para uma vida mais feliz

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O curso A Ciência do Bem-Estar foi criado e é dado pela professora Laurie Santos. (Foto: Divulgação)

É possível aprender na escola a ser feliz? Duas pesquisas avalizadas pela Universidade Yale, recém-divulgadas, chegaram à conclusão de que é possível, sim, melhorar a sensação de bem-estar por meio de aulas que estimulam as pessoas a adotar de forma rotineira “tarefas” como praticar sistematicamente gestos de bondade e de gratidão, fazer mais exercícios físicos, meditar e dormir melhor.

Os dois estudos, que consultaram milhares de pessoas, examinaram como se sentiram pessoas que assistiram a aulas do curso de maior popularidade nos 320 anos de história de Yale. O curso A Ciência do Bem-Estar foi criado e é dado pela professora Laurie Santos (o sobrenome vem do pai, nascido em Cabo Verde, mas ela não fala português).

Formada em Harvard em psicologia e biologia, com doutorado pela mesma universidade, ela atraiu inicialmente 1,2 mil universitários para suas aulas presenciais, antes da pandemia, um número já extraordinário.

Depois que as aulas passaram a ser virtuais, o total de inscritos chegou a 3,38 milhões, segundo a mais recente contagem. É claro que o fato de o curso ser gratuito funciona como chamariz, mas não é a única razão. São dez sessões, em princípio para serem seguidas um por semana, em que as palestras de Laurie se intercalam com entrevistas com outros pesquisadores, textos, testes e tarefas a serem cumpridas pelos alunos. Seu podcast – “The Happiness Lab” (O Laboratório da Felicidade) – tem mais de 35 milhões de downloads.

As duas pesquisas compararam a sensação de bem-estar de alunos do curso sobre felicidade antes e depois das aulas e de estudantes que assistiram a aulas de outro curso, também na área de psicologia. No mais interessante dos dois trabalhos, os autores compararam seis grupos de estudantes, todos adultos, antes e depois que completaram um de dois cursos oferecidos por Yale.

O outro curso – que serviu como grupo de controle – chama-se Introdução à Psicologia. Antes das aulas, a sensação de bem-estar dos estudantes era muito semelhante qualquer que fosse o grupo. Depois de completadas as aulas, constatou-se que houve uma melhora na percepção da própria satisfação com a vida, mas o aumento maior foi entre os que assistiram às aulas sobre felicidade.

Laurie explica que resolveu criar um curso sobre felicidade por causa dos casos de depressão, ansiedade e estresse que notava entre os estudantes de Yale, uma das mais prestigiadas universidades americanas e, por isso mesmo, uma das mais exigentes na seleção dos seus alunos, o que contribui para aumentar esses casos. Seu objetivo, diz, é ensinar como a “ciência da psicologia” pode oferecer dicas importantes de como fazer escolhas que ela considera mais sábias e como ter uma vida mais feliz e satisfatória. Laurie diz que está aprendendo a adotar práticas que poderiam ajudá-la a se sentir melhor com a vida.

E o que, afinal, as pessoas precisam fazer para ser mais felizes, segundo a receita de Laurie Santos? Além de mudar objetivos na vida e expectativas, deixando de lado um pouco o apelo consumista exacerbado, por exemplo, o receituário do curso inclui atitudes que poderiam ser recomendadas por médicos e por religiosos de diversos matizes. Mas, não custa lembrar, Laurie destaca que as recomendações do curso se baseiam em estudos científicos e pesquisas tocadas por psicólogos.

A lista de sugestões do que pode elevar o nível de felicidade é longa – praticamente em todas as dez semanas do curso é sugerido que o aluno adote novas práticas, como, por exemplo, investir mais em experiências do que em compras de objetos, porque a satisfação com uma roupa ou o carro novo dura relativamente pouco tempo, enquanto a alegria de ter feito uma trilha na montanha ou ido a um museu é mais duradoura, especialmente se essas experiências são lembradas e compartilhadas com amigos. Esse caminho já vem sendo adotado por muitos jovens recentemente, que mostram menor interesse em comprar casa ou carro do que seus pais. As informações são do jornal Valor Econômico.

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