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Saúde Uso da Coronavac no Chile indica queda nas mortes, mas o contágio segue em alta

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O Chile já imunizou 47% de seus habitantes com as duas doses e se tornou uma das referências globais. (Foto: Agência Brasil)

O Chile já imunizou 47% de seus habitantes com as duas doses e se tornou uma das referências globais. A situação vem apresentando melhoras, embora o país esteja longe de superar a crise sanitária. A maioria da população, cerca de 80%, recebeu doses da Coronavac, uma proporção parecida com a brasileira, o que permite olhar para o caso chileno e projetar o futuro do Brasil em alguns meses.

“Já é possível ver um efeito da vacinação. Primeiro vimos uma diminuição no número de pacientes na UTI com mais de 70 anos, depois entre 60 e 70, e agora já observamos uma redução na internação de pacientes entre 50 e 60 anos. Ainda não se vê de forma clara uma queda entre os que têm entre 40 e 50”, relata Miguel O’ Ryan, infectologista da Universidad de Chile e integrante do comitê de vacinas do Ministério da Ciência e Tecnologia.

De acordo com os dados do governo, no último mês, a quantidade de pacientes com mais de 70 anos internados em UTIs caiu de 372 para 342. A queda mais acentuada se observa nos pacientes entre 60 e 70 anos: no dia 7 de abril, eram 783. Na sexta-feira, 667. Na faixa que vai dos 50 aos 59 anos, a queda teve início há 13 dias, com diminuição de pouco mais de 7%.

Em relação às mortes, nos últimos três meses houve uma queda de 20,84% na população com mais de 90 anos e de 4,35% para aqueles que têm de 80 a 89, que estão totalmente vacinados. Mas houve um pequeno aumento nos últimos sete dias nas faixas etárias 60-69 e 50-59, onde nem todos têm as duas doses, e entre os que têm menos de 39 anos.

Os chilenos começaram a aplicar a Coronavac no final de janeiro. Desde então, apenas 20% da população foi vacinada com doses da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca. Segundo o governo, o imunizante chinês apresentou um nível de proteção de 67% em pacientes sintomáticos, preveniu em até 80% as hospitalizações, em 89% as internações em UTI e em 80% o risco de morte. Esses índices só são atingidos 14 dias após a segunda dose.

O’Ryan diz que um dos aspectos positivos da Coronavac é a maneira como ela foi desenvolvida, através do vírus inativado. “Apesar de não ter um nível de proteção como o das outras vacinas, a Coronavac é eficiente e, além disso, causa poucos efeitos colaterais”, afirma.

Apesar do avanço, o Chile ainda tem um longo caminho pela frente. O país vem registrando mais de 6 mil novos casos por dia – no final de fevereiro era uma média de 3 mil novas infecções –, tem mais de 3 mil pessoas internadas e menos de 300 vagas em UTIs. Os especialistas não têm respostas certeiras. Eles dizem que um dos fatores que podem ter contribuído para a alta foi o excesso de confiança na rapidez da vacinação, o que teria causado um relaxamento nas medidas de proteção. A circulação de novas variantes também é apontada como agravante.

A meta do governo chileno é ter 80% da população vacinada até o fim do primeiro semestre. Para O’Ryan, a vacinação no Chile é eficaz. “Acredito que a experiência chilena possa servir como modelo para vários países,” Segundo ele, se não houver um pico de casos e mortes durante o inverno, a partir de agosto ou setembro será possível retomar ainda mais atividades econômicas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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