Terça-feira, 01 de Dezembro de 2020

Porto Alegre

Brasil Validade próxima de expirar pode levar governo a jogar fora 6,8 milhões de testes, diz jornal

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País pode acabar descartando mais exames do que já realizou.

Foto: Itamar Crispim/Fiocruz
País pode acabar descartando mais exames do que já realizou. (Foto: Itamar Crispim/Fiocruz)

Uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo publicada neste domingo (22) afirma que um total de 6,86 milhões de testes para o diagnóstico do coronavírus comprados pelo Ministério da Saúde deve perder a validade entre dezembro deste ano e janeiro de 2021. Esses exames, do tipo RT-PCR, estariam estocados num armazém do governo federal em Guarulhos sem, até então, ser distribuídos para a rede pública. O SUS (Sistema Único de Saúde) aplicou cinco milhões de testes deste tipo desde o início da pandemia, o que significa que, se o prazo expirar, o País pode descartar mais exames do que já realizou.

O Ministério da Saúde investiu R$ 764,5 milhões em testes e as unidades para vencer custaram R$ 290 milhões. O lote prestes a perder o prazo tem validade de oito meses.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não teria dado detalhes sobre como a validade do produto pode ser renovada, mas informou que a entrega de testes vencidos é uma infração sanitária.

A responsabilidade pelo possível prejuízo é empurrada entre governo federal, Estados e municípios. O primeiro faz a compra, com distribuição mediante demanda dos governadores e prefeitos. Os segundos alegam que o governo entregou material incompleto e que falta capacidade para processar as amostras e liderança para lidar com o caso. Tudo isso num momento em que há aumento de casos no País.

O RT-PCR é considerado um dos mais eficazes métodos de diagnóstico da Covid-19. A forma de coleta é por meio de um cotonete aplicado na região nasal e faríngea, área da garganta atrás do nariz e da boca. Quem paga pelo exame na rede privada, encontra o exame por um custo que varia entre R$ 290 a R$ 400.

Os testes RT-PCR também teriam sido distribuídos pelo Ministério da Saúde sob critérios pouco objetivos. O Paraná foi o terceiro Estado que mais recebeu os produtos, enquanto a Bahia, em sexto lugar, tem população superior e mais casos e mortes pela Covid-19.

O País também teria enviado 130 mil exames ao Paraguai e ao Peru, número quase igual ao entregue ao Amazonas, no início da pandemia ficou marcado pelo alto número de vítimas. Mais oito Estados teriam recebido menos testes do ministério do que os países vizinhos.

A entrega de reagentes de extração do RNA também teria ocorrido de forma desequilibrada. Entre os três reagentes, 20% teriam sido enviados a Minas Gerais, enquanto o Amazonas teria recebido menos de 1% do total. O ministério diz que entrega todos os insumos conforme demanda e capacidade de armazenamento dos Estados.

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