Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de janeiro de 2019
“Vou te matar com explosivos”, “já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?”, “vou quebrar seu pescoço”, “aquelas câmeras de segurança que você colocou não fazem diferença”. Nos últimos dois anos, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) viveu uma rotina semanal de ameaças de morte. Disparadas pelas redes sociais, no e-mail e telefone do gabinete em Brasília, ou no e-mail pessoal do próprio deputado, os textos levaram a Polícia Federal a abrir cinco investigações sobre as ameaças e obrigaram o deputado a andar com escolta policial desde março do ano passado.
O jornal O Globo teve acesso na sexta-feira (25) ao conteúdo de dezenas de ameaças contra Wyllys. Marcadas por declarações de ódio e de preconceito, elas se avolumaram ao ponto de fazer o parlamentar desistir de assumir o terceiro mandato como deputado federal, para o qual havia sido eleito em outubro passado com pouco mais de 24 mil votos.
A renúncia do deputado repercutiu rapidamente nas redes sociais e nos portais de notícias, mas não livrou o parlamentar das mensagens de seus algozes. Por volta de 16h45min de quinta, duas horas depois da entrevista concedida por ele ser publicada, um novo e-mail, enviado de um endereço apócrifo chegou aos assessores do deputado.
“Nossa dívida está paga. Não vamos mais atrás de você e sua família, como prometido. Mesmo após quase dois anos, estamos aqui atrás de você e a polícia não pôde fazer para nos parar”.
Esse foi apenas o desfecho de um longo período de “terrorismo psicológico”, como definiu o parlamentar. Em dezembro de 2016 que o deputado se deparou com uma uma das mensagens que mais o assustou. Em um longo e-mail que o chamava de “bixona”, o autor afirmou:
“Você pode ser protegido, mas a sua família não. Já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?”
Poucos dias depois, o mesmo remetente enviou para o e-mail de Wyllys e de seus irmãos dados como endereços de todos, placa de carros o deputado já teve entre outras informações que mostravam conhecimento sobre a família. Essa ameaça foi uma das que baseou a abertura de uma das investigações pela PF.
No mês seguinte, o deputado recebeu de outro autor uma nova leva de intimidações. Neste caso, o remetente detalhou como elaborar explosivos, mostrando conhecimento sobre o assunto.
“Eu vou espalhar 500 quilos de explosivo triperóxido de triacetona, explosivo tão perigoso e potente que é chamado de mãe de Satan pelos terroristas do Estado Islâmico. […] Se vocês duvidam que tenho capacidade para fazer isto, apenas vejam como é fácil produzir o explosivo”.
Em 15 de março de 2017, um e-mail foi encaminhado ao deputado contendo vários de seus dados pessoais, como endereço, placas de seu veículo e nomes de seus familiares.
“Vamos sequestrar a sua mãe, estuprá-la, e vamos desmembrá-la em vários pedaços que vamos te enviar pelo Correio pelos próximos meses. Matar você seria um presente, pois aliviaria a sua existência tão medíocre. Por isso vamos pegar sua mãe, aí você vai sofrer”.
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