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| Veja como Donald Trump venceu as eleições de 2016 com 3 milhões de votos a menos que a adversária Hillary Clinton

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Donald Trump derrotou Hillary Clinton na disputa à Casa Branca. (Foto: Reprodução)

O vencedor das eleições de 2016 nos Estados Unidos foi Donald Trump, mas Hillary Clinton, a candidata do Partido Democrata, teve 65,8 milhões de votos naquele ano –quase 3 milhões a mais que o atual presidente. É uma vantagem de 2,1 pontos percentuais.

Nenhum outro perdedor teve tantos votos como ela na história do país. Porém, pelo sistema eleitoral indireto dos EUA, Trump derrotou Hillary com 56,5% dos delegados, contra 42,2% dela.

A expectativa era de uma vitória da democrata: as pesquisas indicavam uma vitória de Hillary com uma vantagem de quatro pontos. O “New York Times” tinha uma manchete pronta: “Madame presidente”.

Durante a campanha, Trump frequentemente fazia declarações fortes para atrair atenção e ganhar espaço na mídia. Com grande presença em redes sociais, ele tinha mais agilidade que sua adversária. Trump não tinha nenhuma experiência com administração pública –até 2016, havia sido empresário e apresentador de TV. A vitória dele foi interpretada como uma rejeição aos nomes tradicionais da política: tantos os do Partido Republicano que perderam a nomeação como os democratas.

Eleição indireta

Nos EUA, os eleitores não votam diretamente no presidente, mas em delegados do Partido Republicano ou Democrata. Na maioria dos estados, o partido que tem mais votos –mesmo que por uma margem pequena—leva todos os delegados do estado.

Isso tem razões históricas, diz o professor James Morone, do departamento de política da Brown University. A origem disso são as eleições no século 18, na qual cada estado selecionaria seus membros “mais distintos” para se reunir na capital do país e votar para presidente. “Isso fazia sentido na época”. Pela dinâmica eleitoral dos EUA, alguns estados escolhem um partido: por exemplo, o Texas tradicionalmente escolhe o Partido Republicano, e a Califórnia, os Democratas.

Por isso, parte significativa da eleição é decidida por estados onde há incertezas sobre os resultados –chamados de “estados pêndulo”, que podem estar em um dos dois polos. É neles que a disputa política tradicionalmente acontece.

Hillary perdeu três estados de um tamanho relativamente grande que eram tidos como democratas: Pensilvânia, Wisconsin e Michigan.

Esses estados têm grandes cidades que tradicionalmente votam em peso nos candidatos do Partido Democrata, e populações rurais muito conservadoras, diz Morone. Os republicanos fizeram uma campanha intensa nessas regiões. As razões pelas quais a candidatura democrata não emplacou em 2016 ainda são debatidas.

A carta de James Comey

A 11 dias das eleições de 2016, James Comey, que era o diretor do FBI, anunciou que iria investigar mensagens recuperadas do celular de Huma Abedine, uma assessora de Hillary. “Eu teria vencido se não fosse pela carta de James Comey de 28 de outubro”, disse Hillary em entrevistas após sua derrota.

Para parte dos democratas, o diretor do FBI fez isso em uma tentativa de associar o partido a um escândalo sexual. Huma, a assessora de Hillary, era casada com Anthony Wiener, um deputado que havia trocado mensagens eróticas e fotos com uma garota de 15 anos.

Trump imediatamente começou a dizer que “estavam buscando os documentos de um pervertido, Anthony Wiener”. “Nesse dia, eu tive cinco ligações da mídia para falar sobre esse evento. Foi o tema da última semana”, diz o professor Morone.

Influência russa

É consenso nos EUA que houve influência da Rússia nas eleições de 2016. Os russos atuaram em diferentes frentes. Eles criaram e distribuíram conteúdos falsos em redes sociais para confundir o eleitorado.

Além disso, grupos de hackers apoiados pelo governo de Vladimir Putin conseguiram entrar na conta de e-mail de dirigentes democratas e, dessa forma, algumas discussões internas do partido foram expostas.

O FBI investigou a possibilidade de a campanha de Trump ter conspirado com os russos –o resultado desse trabalho foi publicado em um relatório escrito pelo procurador especial Robert Mueller. A conclusão é que não houve conspiração.

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