Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de agosto de 2015
Em 2004, um universitário americano de 20 anos, ainda desconhecido do público, foi chamado para participar de uma entrevista em uma grande emissora dos Estados Unidos para explicar um site que havia lançado alguns meses antes. “O que é o Facebook exatamente?”, perguntou uma jornalista a ele.
Hoje, pouco mais de uma década depois, essa pergunta não faz mais qualquer sentido – assim como chamar Mark Zuckerberg de um universitário desconhecido. Neste período, o Facebook se tornou a rede social mais popular do planeta, presente em centenas de países, e um dos sites mais acessados na internet como um todo.
A empresa não só cresceu por conta própria como também comprou outras menores, como o serviço de mensagens WhatsApp e a rede social Instagram e tornou-se uma corporação bilionária. Zuckerberg virou um empreendedor bilionário de sucesso, o equivalente a Bill Gates ou Steve Jobs de sua geração, e uma das vozes mais influentes do mundo.
Esse feito bastaria para que ele tivesse um sorriso estampado em seu rosto todos os dias, mas o Facebook atingiu marcos importantes na sua autodeclarada missão de “conectar o mundo”.
No entanto, mesmo diante dessas boas novas, as ações da companhia perderam valor, um sinal de alerta enviado por analistas de mercado e investidores. Veja a seguir três motivos pelos quais Zuckerberg está rindo à toa e um pelo qual deve se preocupar.
Internautas.
Em julho, a rede social anunciou que o número de pessoas que a usa pelo menos uma vez por mês cresceu 13% de abril a junho, para 1,49 bilhão de pessoas. Isso equivale a metade dos 3 bilhões de internautas estimados em todo o mundo. Junto a esse aumento veio um crescimento da receita de 39% neste trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado, para 4,04 bilhões de dólares (aproximadamente 14,2 bilhões de reais).
Acessos.
No dia 24 de agosto, o Facebook atingiu um outro marco importante: pela primeira vez, 1 bilhão de pessoas o acessaram em um único dia. Na prática, isso significa que um em cada sete habitantes do planeta entrou no portal em um período de 24 horas. Esse número dá uma noção do crescimento acelerado da rede nos últimos anos. Em 2012, por exemplo, a empresa celebrava a marca de 1 bilhão de usuários por mês.
Começo.
Ao anunciar a marca de 1 bilhão de usuários em um só dia, Zuckerberg disse: “Este é só o começo [de nossa missão] de conectar o mundo”. O repórter de tecnologia Dave Lee, da BBC News, concorda com ele. “É claro que, nos Estados Unidos e na Europa, está quase atingindo seu limite de crescimento, mas há muitos lugares onde ainda pode crescer, como África, a maioria da Ásia e parte da América Latina”, disse.
“Muito em breve, ter 1 bilhão de pessoas usando o Facebook em um dia não será algo extraordinário. Vamos olhar para este dia e rir de como insignificante este marco terá se tornado.”
Mas este crescimento tem um preço.
Pouco depois do anúncio dos resultados financeiros do último trimestre, quando a empresa divulgou que metade dos internautas do mundo o usam todo mês, as ações do Facebook caíram 5%. A queda em si não é expressiva, mas, segundo analistas, sinaliza uma preocupação do mercado com a estratégia da companhia.
O Facebook informou que seus gastos no último trimestre aumentaram 82%, para 2,8 bilhões dólares, o que fez seu lucro cair 9%, um sinal de que o aumento de sua receita não está acompanhando o ritmo de crescimento dos gastos. Segundo Zuckerberg, isto reflete os “investimentos e melhorias” promovidos pela rede social, como um novo data center aberto para evitar que o site fique fora do ar.
Mas ficou claro que a forte expansão do Facebook tem um alto preço, e isso deixa seus investidores ligeiramente preocupados em relação ao futuro da empresa.
Os comentários estão desativados.