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Brasil 20 capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre, ignoram o Ministério da Saúde e mantêm a vacinação de adolescentes sem comorbidades

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Procedimento é necessário para completar o esquema básico de imunização. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Mesmo depois da orientação do Ministério da Saúde de não vacinar adolescentes sem comorbidades contra a covid, 21 capitais brasileiras decidiram continuar vacinando os jovens. As faixas etárias variam conforme o lugar e a aplicação depende do estoque de doses disponíveis.

Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Palmas (TO), Belém (PA), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Maceió (AL), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Recife (PE), Aracajú (SE), Salvador (BA) e Campo Grande (MS), além do Distrito Federal, mantêm a vacinação de adolescentes.

No caso de Salvador, Porto Velho e Manaus, a vacinação dos jovens retornou neste sábado (18) após interrupção de 24 horas. Já Natal (RN) anunciou neste sábado que vai começar a aplicar as doses nesta segunda-feira (20).

Goiânia (GO), João Pessoa (PB) e Macapá (AP) preferiram seguir a orientação do Ministério da Saúde e interromperam a imunização desta faixa etária. Já Teresina (PI), Curitiba (PR) e Cuiabá (MT) ainda não começaram a vacinar esse público.

Na última sexta-feira (17), médicos que fazem parte da Assessoria de Câmara Técnica do Ministério da Saúde se reuniram virtualmente. Os médicos ameaçaram pedir demissão caso a pasta não recue da orientação contrária à vacinação de adolescentes.

A interlocutora foi a secretária de Atenção Especializada à Saúde, Rosana Melo. O tom foi de ultimato: ou o ministério retoma a vacinação dos adolescentes, informa que a câmara técnica não foi consultada e se retrata com os cientistas e pesquisadores, ou eles vão renunciar.

Os integrantes da Câmara Técnica alertaram que o governo usou dados equivocados para fundamentar a decisão.

Em nota técnica, o Ministério da Saúde informou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a imunização de crianças e adolescentes, o que não é verdade. A orientação da OMS é de que a vacina seja aplicada em adolescentes quando a cobertura vacinal estiver alta nos grupos prioritários.

Segundo o infectologista Francisco Oliveira Junior, a reação dos médicos da Câmara de Assessoramento demonstra mais um desgaste provocado por manifestações do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em descompasso com critérios técnicos, e que a vacinação de adolescentes contra a covid-19 já se comprovou eficiente e necessária no Brasil e no mundo.

De acordo com o infectologista, o ministro Queiroga citou 1.500 reações adversas registradas em 3,5 milhões de doses aplicadas, o que representa 0,04% de taxa de reação vacinal, que para Oliveira Junior é “baixíssimo”.

“Na verdade, se espera até mais do que isso. Então, essa taxa não justifica por si só, e nenhum outro fato acontecido justificaria a suspensão da vacinação baseada unicamente em critérios de segurança. A gente sabe que essa vacina já foi aplicada em mais de 10 milhões de adolescentes nos EUA, ela está sendo aplicada no Canadá, países europeus, em Israel, a gente já tem experiência acumulada que nos permite, com segurança, garantir que essa vacina é segura”, diz.

Para ele, qualquer outra vacina, como qualquer outra medicação, não é isenta de efeitos adversos e colaterais.

“Mas, quando se faz a avaliação do risco e dos benefícios da vacina, é favorável amplamente à continuidade da vacinação, não apenas considerando o efeito individual, a proteção individual conferida por essa vacina para o adolescente, mas principalmente o efeito coletivo de aumentar a proteção da comunidade, expandindo o percentual de pessoas vacinadas e contribuindo para o atingimento da imunidade coletiva”, explica o infectologista.

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