Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2021
Como muitas mulheres com os polegares colados à tela do celular, Chrissie Buckley tem um fraco pelas novidades que surgem no Instagram. Uma das experiências mais arriscadas foram os produtos que ela experimentou depois que uma influenciadora muito persuasiva a endossou e por um gasto que ela considerou mínimo. Mas quando acrescentou colágeno em pó ao seu carrinho de compras no início deste ano, seus caprichos tomaram um rumo tenebroso.
Os suplementos de colágeno dominaram seus feeds das redes sociais por meses, enquanto a popularidade de novas formulações de marcas como a Bulletproof, Dose & Co. e Vital Proteins cresciam. Em vez do formato da pílula de dormir, estas companhias estão vendendo creme de café com colágeno, pós nas bebidas e barras de proteína para fortalecer pele, cabelo, unhas e proporcionar articulações saudáveis.
Em fevereiro, um post da modelo Cindy Prado que aderiu aos benefícios para a redução das rugas do pó Vital Proteins Collagen Peptides a convenceu a fazer uma tentativa.
“Vou fazer 29 anos e quero começar uma nova rotina de cuidados da pele para combater o envelhecimento, por isso pensei que talvez devesse experimentar algum tipo de colágeno”, disse Chrissie, coordenadora de equipamentos médicos em Nova York.
Por mais ou menos um mês, tomou diariamente uma colher do produto no seu café, e então constatou que não havia mudanças no seu rosto, mas um dedo estava inchando. Dias mais tarde, o que inicialmente parecia uma picada de inseto se espalhou pelo anular e pelos dedos mínimos.
“A pele das minhas mãos parecia e eu a sentia espessa, como se tivessem virado salsichas, a ponto de eu não conseguir dobrá-las”, contou. A ida ao pronto-socorro não se mostrou produtiva. “Eles não tinham ideia do que estava acontecendo”.
Como sempre, um arriscado mergulho em profundidade no Google a convenceu de que se tratava de esclerodermia, uma rara doença autoimune em que o sistema imunológico faz com que o corpo produza uma quantidade excessiva de colágeno, provocando um endurecimento e espessamento da pele e dos tecidos conectivos.
Horrorizada, Chrissie jogou fora todos os produtos que mencionavam o colágeno; em alguns dias o inchaço baixou e ela recuperou a mobilidade dos seus dedos. “Agora, fujo disso como do diabo”, ela disse.
No entanto, não há nenhuma evidência a favor ou contra a possibilidade de os suplementos de colágeno provocarem esclerodermia, disse o dr. Frederick M. Wigley, diretor do Centro de Esclerodermia do Johns Hopkins, observando que não foi estudado, mas é biologicamente improvável. “O organismo é muito eficiente em sua função de regulação, por isso, se você toma algo em excesso o seu corpo se livrará do excesso e buscará o equilíbrio”, disse Wigley.
Qualquer que seja a sua origem, a reação de Chrissie ilustra a falta de pesquisa nas novas formulações de colágeno – que, como a maioria dos suplementos, não são regulamentadas pela FDA (Food and Drug Administration), órgão equivalente à Anvisa nos Estados Unidos – e chega ao mercado em meio a uma maré de conversas on-line sobre os efeitos negativos e a falta de eficácia que mal começa a romper a barreira mais barulhenta da moda.
Como muitos destes produtos de colágeno incluem uma variedade de outros ingredientes, como biotina e ácido hialurônico, é difícil destacar o que desencadeia uma reação negativa. “Muitos deles vêm com proteína de soro, que contém lactose e pode induzir erupções de acne, além de muito açúcar”, explicou a dra. Ivy Lee, dermatologista em Los Angeles.
Os suplementos à base de colágeno procedentes de fontes marinhas, em vez do colágeno mais comum de fonte bovina, tornaram-se populares porque muitas pessoas optaram por reduzir o seu consumo de carne. Mas além disso, eles trazem consigo uma série de novos problemas. Especialistas informam que muito provavelmente eles desencadeiam reações alérgicas por causa de uma possível contaminação por mariscos.
Diante da propaganda sensual sobre bem-estar e beleza no Instagram, convém lembrar que por trás de belas avaliações e dos inúmeros endossos, não existe uma mágica para tornar a sua pele perfeita. A dra. De La Tour afirma categoricamente: “Não se pode fazer o tempo voltar com um suplemento alimentar”. As informações são do jornal The New York Times.
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