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Mundo Voos espaciais provocam alterações no sangue dos astronautas

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Sistema imunológico age como se estivesse combatendo uma infecção. (Foto: Reprodução)

Se o futuro da Humanidade está no espaço, é melhor compreendermos os efeitos da ausência de gravidade sobre o nosso organismo. Com isso em mente, pesquisadores do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou (MIPT, na sigla em inglês) resolveram analisar o efeito das viagens espaciais na composição de proteínas no sangue humano, e descobriram que o sistema imunológico age como se estivesse combatendo uma infecção.

Os resultados do estudo foram publicados esta semana no periódico “Nature Scientific Reports”. Para realizar o experimento, os cientistas coletaram amostras de sangue de 18 cosmonautas que participaram de missões de longa duração na Estação Espacial Internacional. As coletas foram realizadas 30 dias antes do embarque, imediatamente após o retorno e sete dias após o desembarque na Terra.

Eles avaliaram a concentração de 125 proteínas no plasma sanguíneo, e identificaram moléculas que mantiveram a concentração, outras que foram alteradas, mas retornaram aos níveis anteriores ao voo rapidamente, e outras que levaram um tempo maior para retornar à normalidade. Das 125 proteínas, 19 sofreram alterações pelo voo espacial.

Os resultados mostraram que na ausência de gravidade, o sistema imunológico age como quando o corpo está infectado, porque o organismo humano não sabe o que fazer e aciona todas os sistemas de defesa possíveis — explicou o professor Evgeny Nikolaev, do MIPT, um dos autores da pesquisa.

Os fatores que afetam o corpo humano durante voos espaciais são interessantes por serem diferentes daqueles que influenciaram a evolução humana na Terra. Segundo Nikolaev, não é sabido se o nosso organismo possui mecanismos capazes de se adaptar tão rapidamente a uma mudança ambiental tão drástica, mas os estudos já realizados indicam que provavelmente não, já que alterações metabólicas são observadas em células, tecidos e órgãos, indicando que o corpo não tem respostas programadas e tenta fazer tudo o que for possível.

Para ampliar o entendimento, os pesquisadores planejam uma nova fase de estudos, com amostras de sangue retiradas pelos cosmonautas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Efeitos

A sensação de ter o corpo empurrado de um lado para outro dentro de uma espaçonave – dando a impressão de que a aeronave está se deslocando e os astronautas estão parados – é o primeiro efeito sentido por eles, quando chegam a um ambiente sem gravidade. Mas e por que isso ocorre? Na verdade, quando estamos submetidos à gravidade o tempo todo – como em nosso planeta -, nem percebemos a ação dessa força, pois a sensação de estarmos presos ao solo passa a ser automática. O corpo só sente essa força quando ela aumenta ou diminui.

Porém esse não é o único efeito. Alguns astronautas relatam que sentem inflar as veias do pescoço poucos minutos após saírem da atmosfera da Terra. Alguns sentidos – como o paladar e o olfato – também ficam alterados: os astronautas só conseguem sentir o sabor das comidas muito temperadas. Outras partes do corpo ainda são afetadas, como os pulmões. Na superfície terrestre, os níveis de oxigênio e de sangue nesse órgão são constantes; já no espaço, esses níveis se alteram.

Em viagens mais longas, os astronautas têm ainda que enfrentar problemas psicológicos. Isso porque eles ficam limitados em um espaço limitado, isolados da vida normal da Terra e convivem com um grupo pequeno de companheiros, e normalmente de outras nacionalidades. Essas mudanças podem provocar ansiedade, insônia, depressão, além de criar situações de tensão na equipe.

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