Últimas Notícias > Esporte > Futebol > Inter > Técnico do Inter foge de perguntas sobre arbitragem no Grenal: “Eu, aqui, tenho que falar sobre futebol”

A hora certa de ter filhos é uma questão relevante também para os homens. O relógio biológico não vale só para as mulheres

Estudos recentes apresentam relações entre idade paterna e maior risco de determinadas anomalias. (Foto: Reprodução)

O relógio biológico não vale só para as mulheres quando se trata de gerar filhos. Estudos recentes apresentam relações entre idade paterna e maior risco de determinadas anomalias. Mas fisiologia não é tudo.Por muito tempo tem-se acreditado que só a idade da mulher importa quando se trata de ter filhos, já que a fertilidade feminina começa a decair por volta do 30, 40 anos, até a chegada da menopausa, aos 40, 50 anos. No entanto as pesquisas mais recentes têm demonstrado que a idade paterna também é importante no que toca tanto à fertilidade quanto ao desenvolvimento dos filhos.

Um estudo publicado na revista Biological Psychiatry estabeleceu uma conexão entre pais mais velhos e o risco crescente de esquizofrenia juvenil, uma forma severa da doença que se apresenta em menores de 18 anos e é associada a outras anomalias genéticas.

Os pacientes que participaram do estudo tinham genitores normais e nenhum histórico familiar de distúrbio mental, portanto seus casos foram produto de mutações genéticas no esperma paterno, acumuladas com o avançar da idade, já a partir dos 35 anos.

“Cada dez anos adicionais de idade paterna acrescentam 30% à probabilidade de esquizofrenia juvenil”, afirma a cientista Shi-Heng Wang, principal autora da pesquisa. A idade materna, em contrapartida, não tem qualquer efeito sobre o risco dessa doença.

A probabilidade de transtornos do espectro autista é 5,57 vezes mais elevada com pais acima de 40 anos do que nos com menos de 30 anos. Déficit de atenção, distúrbio de hiperatividade (TDAH), psicose, transtorno bipolar, tentativas de suicídio e abuso de substâncias foram igualmente associados à idade dos pais.

O mesmo se aplica ao risco de leucemia linfoblástica aguda infantil e outros cânceres em fases posteriores da vida, como o da mama ou da próstata. A relação também se observou em defeitos congênitos raros, aborto espontâneo e morte fetal.

Um estudo da Universidade de Stanford envolvendo 40,5 milhões de nascimentos entre 2007 e 2016 revelou que filhos gerados por homens acima dos 35 anos apresentam risco maior de peso baixo ao nascer, convulsões e outras condições anormais. Por exemplo: pais acima de 45 anos teriam 14% mais probabilidade de ter bebês prematuros, e acima dos 50 anos a percentagem sobe para 28%.

Surpreendentemente, a pesquisa também revelou uma relação com as chances de a mãe desenvolver diabetes gestacional durante a gravidez, as quais se elevam em até 34% se o pai tem 55 anos ou mais. Os cientistas supõem que o fato possa estar associado à placenta materna.

“A decisão de ter uma criança e a escolha do momento são complexas”, observa o médico Michael Eisenberg, especialista em medicina reprodutiva masculina, da Escola de Medicina da Universidade de Stanford e coordenador do estudo.

Embora a probabilidade desses efeitos adversos não seja enorme, trata-se de informações importantes para genitores em potencial ao planejar suas famílias, sobretudo com a atual tendência de gerar filhos cada vez mais tarde, explica. “Os homens não devem achar que têm prazo ilimitado, mas saber que os riscos aumentam modestamente à medida que envelhecem”, alerta Eisenberg.

No entanto, a idade mais avançada também tem suas vantagens. Estudos mostram que mães mais velhas têm nível educacional mais alto, relações mais estáveis e são psicologicamente maduras, o que traz influências positivas para os filhos. Pais mais velhos também são mais cultos, têm empregos melhores, estilos de vida mais estáveis e maior probabilidade de se envolver na criação dos filhos.

Mikko Myrskylä, diretor do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, e sua equipe adotaram uma abordagem mais holística para o tema: “Para mim, como cientista social, a questão é como processos fisiológicos importantes contrastam com processos sociais.”

Por exemplo, além de observar o peso no parto, ele e sua equipe também examinaram o desempenho educacional posterior. E constataram que filhos de mães mais velhas são, em média, mais altos, vivem mais e alcançam níveis educacionais mais elevados. Embora o estudo tenha focado basicamente o lado materno, Myrskylä considera provável que ter um pai mais velho também apresente vantagens semelhantes.

Deixe seu comentário: