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Astrônomos alertam sobre riscos para a ciência de satélites da empresa SpaceX

Lançamento de satélite pela SpaceX. (Foto: Reprodução/Twitter)

O ousado objetivo do projeto Starlink, da SpaceX, de colocar 12 mil satélites em órbita terrestre baixa para conectar todos os cantos do planeta com internet em alta velocidade e baixa latência, começou a se tornar realidade no fim do mês passado, com o lançamento dos primeiros 60 satélites. Os ganhos em inclusão de populações desconectadas é indiscutível, mas o preço a ser pago pode ser alto, com a inviabilização de equipamentos astronômicos de ponta, alertam institutos internacionais de pesquisas. As informações são do jornal O Globo.

Em comunicado divulgado nesta semana, a União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) levanta preocupação sobre essas constelações que, em breve, devem superar em número o somatório de todos os satélites já lançados pela Humanidade. De acordo com levantamento da Union of Concerned Scientists, existiam 2.062 satélites em órbita antes do lançamento da Starlink. A constelação da SpaceX prevê 11.943 satélites até 2027, em órbitas entre 340 e 1.325 quilômetros de altitude. A Amazon pretende lançar outros 3.236.

“A IAU, em geral, defende o princípio de céu escuro e rádio silencioso, não só essencial para o avanço da compreensão do Universo do qual fazemos parte, mas também como um recurso para toda a Humanidade e para a proteção da fauna noturna”, diz o comunicado. “Ainda não entendemos o impacto de milhares desses satélites visíveis espalhados pelo céu noturno e, apesar de suas boas intenções, essas constelações podem ameaçar ambos”.

As preocupações surgiram horas após o lançamento dos satélites, no último dia 23. O astrônomo Marco Langbroek, baseado em Leiden, na Holanda, capturou em vídeo a fila de satélites da Starlink, com brilho intenso no céu. Apesar de não serem de grandes dimensões, os satélites são altamente reflexivos, aparecendo como pontos que se movem no céu nas horas após o pôr do Sol e antes do nascer do Sol.

“Embora a maioria dessas reflexões sejam fracas a ponto de serem difíceis de identificá-las a olho nu, elas podem ser prejudiciais a instrumentos sensíveis de grandes telescópios astronômicos, incluindo os grandes observatórios em construção”, alerta a organização. “Apesar dos esforços notáveis para evitar a interferência nas frequências da radioastronomia, os sinais de rádio agregados emitidos pelas constelações podem ameaçar as observações em comprimentos de onda de rádio”.

A International Dark-Sky Association expressou a mesma preocupação. Fundada em 1988 para a proteção do céu noturno para as futuras gerações, a organização alerta que, caso os projetos sejam executados, a Humanidade enfrentará cenários desconhecidos.

“Nós ainda não compreendemos o impacto de milhares desses satélites visíveis espalhados pelo céu na vida selvagem, no patrimônio da Humanidade e em nossa habilidade coletiva para estudar o cosmos”, afirma a associação. “O número de satélites em órbita terrestre baixa planejados para serem lançados na próxima meia década tem o potencial para alterar fundamentalmente a natureza da nossa experiência do céu noturno”.

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