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Bolsonaro diz que governadores são “coniventes” com o desmatamento da Amazônia

Sem citar nomes, Bolsonaro disse que alguns governadores "não estão movendo uma palha" para resolver a situação. (Foto: Reprodução/Greenpeace)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (21) que governadores da região Norte são “coniventes” com o aumento do desmatamento e de queimadas na Amazônia. Sem citar nomes, Bolsonaro disse que alguns governadores “não estão movendo uma palha” para resolver a situação e que “estão gostando” disso. As informações são do jornal O Globo.

Ele também insinuou que o aumento pode ter sido causado por ONGs, em retaliação ao corte de verbas do governo para organizações. O presidente, no entanto, não apresentou provas ou indícios concretos que embasassem as acusações.

Olha só, tem governador, não quero citar nome, que está conivente com o que está acontecendo e bota a culpa no governo federal. Tem estados aí, que não quero citar, na região Norte, que o governador não está movendo uma palha para ajudar a combater incêndio. Está gostando disso daí”, afirmou Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.

De acordo com Bolsonaro, alguns governadores não fizeram “nada”: “Pergunte a cada governador, se não me engano são sete governadores da região Norte, Nordeste nove, pergunte para a assessoria de imprensa deles o que está acontecendo, o que os governos estaduais já fizeram. Tem governo estadual que não fez nada, e pode fazer.”

Bolsonaro também levantou a hipótese de que o aumento das queimadas na Amazônia pode ter sido causado por membros de ONGs para prejudicar a imagem de seu governo.

O presidente ressaltou que é preciso primeiro combater o crime, e depois identificar o responsável, mas disse que essa suposta ação de “ongueiros” poderia ser uma retaliação ao corte de repasses para essas organizações.

O crime existe, e isso aí nós temos que fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Não tem mais. Acabamos também com o repasse de dinheiro público. De forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro. Então, pode estar havendo, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil.”

Questionado se considerava as ONGs responsáveis pelas queimadas, Bolsonaro disse que não estava afirmando isso, que insinuou que elas poderiam estar representando “interesses de fora do Brasil”. “Não estou afirmando. Temos que combater o crime, depois vamos ver quem é o possível responsável pelo crime. Mas, no meu entender, há interesse dessas ONGs, que representam interesses de fora do Brasil.”

O presidente afirmou que estranha as imagens das queimadas e disse que “tudo indica” que os responsáveis pelas filmagens são as mesmas pessoas que tocaram fogo: “O fogo foi tocado, pareceu, em lugares estratégicos. (Tem) imagens da Amazônia toda. Como é que pode? Nem vocês teriam condições de todos os locais estar tocando fogo para filmar e mandar para fora. Pelo que tudo indica, foi para lá o pessoal para filmar e tocaram fogo. Esse que é o meu sentimento.”

Bolsonaro disse, no entanto, que não tem provas disso, porque “não está escrito”: “Vocês têm que entender uma coisa, que isso não está escrito. Não têm um plano para isso aí. Isso é conversa, pessoal faz, toma decisão e ponto final”, completou

O presidente ainda minimizou os cortes nos repasses da Alemanha e da Noruega para ações contra os desmatamentos. Segundo ele, é uma “infantilidade” acreditar que esses países doavam dinheiro para o Brasil apenas por “coração grande”: “Eu não posso apenas aceitar recursos de alguém sem saber a intenção daquela pessoa. Eu não vou te dar um dinheiro todo mês, para você, se eu não tiver alguma intenção que você faça alguma coisa de bom para mim. Ou é apenas coração grande da Noruega, da Alemanha? Não é isso daí. Não é verdade. Não se pode acreditar nessa infantilidade. É isso que eu tento o tempo todo alertar o povo do Brasil.”

Procurados, os governadores da região Norte reagiram às declarações de Bolsonaro. O governador do Amapá, Waldez Goes (PDT), disse que o presidente está tentando “transferir responsabilidades” e que essa postura não vai resolver o problema.

Transferir responsabilidades não vai acabar com as queimadas. Os governadores da região não concordam com isso”, disse o governador, que é presidente do recém-criado consórcio de nove estados da Amazônia Legal que, além do Amapá, inclui Amazonas, Pará, Rondônia, Acre, Mato Grosso, Tocantins, Roraima e Acre.

Em nota, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), disse que o estado vem tomando medidas para combater as queimadas e, sobre a frase de Bolsonaro, adotou um tom conciliador afirmando que vem mantendo “diálogo permanente” com o governo federal.

Em Rondônia, comandado pelo colega de partido do presidente Coronel Marcos Rocha (PSL), o governo se limitou a dizer que está montando uma “blitz” de combate às queimadas a partir desta quarta-feira na capital, Porto Velho. Na nota enviada à reportagem, Rocha não faz nenhuma menção às declarações de Bolsonaro.

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