Guerra nas estrelas

Ciro Gomes concorrerá à Presidência da República pela terceira vez. (Foto: Agência Brasil )

Na convenção do PDT, ontem, Ciro Gomes correu na frente e pegou a bandeira: intitulou-se o candidato anti-Bolsonaro. Não será o único. Outros entrarão na carona.

Uma de suas declarações deveria servir como ponto de partida para os demais: “O Brasil nunca esteve tão fragilizado nas contas públicas”. Se a constatação for aceita, teremos redução drástica no festival de promessas não cumpridas.

Sobre partidos, Ciro tem pós-doutorado. Começou no PDS em 1982, passando por PMDB, PSDB, PPS, PSB e PROS, até chegar ao PDT.

Causou temor

PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade formaram o blocão, que conta com 164 deputados federais e 35 por cento do tempo total de propaganda eleitoral em rádio e TV. Entre apoiar Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, ficarão com o primeiro. O candidato do PDT, que desce a ladeira em seus discursos sem usar o freio, assustou demais.

Partido contrário a quase tudo

Chama-se Novo, não buscou coligações, abre mão dos fundos partidário e eleitoral e, durante a campanha, terá sete segundos de propaganda em rádio e TV. Ontem à tarde, realizou convenção no Chalé da Praça XV, bar e restaurante do Centro de Porto Alegre.

O candidato ao Palácio Piratini será Mateus Bandeira. Aprovado em concurso para auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado, deixou a carreira para se tornar consultor de empresas. Foi secretário do Planejamento e presidente do Banrisul no governo Yeda Crusius. Em Brasília, integrou a equipe do ministro Antônio Palocci.

No discurso, Bandeira deu o tom da campanha, atacando “o Estado obeso, ineficiente e que privilegia poucos”.

Outro estreante

O candidato a vice-governador pelo Novo é Bruno Miragem, advogado e professor. Assumiu a Procuradoria-Geral do Município de Porto Alegre em janeiro do ano passado, mas ficou apenas seis meses. Publicou vários livros na área do Direito. Como Bandeira, enfrenta a primeira eleição.

Vai a federal

O mais conhecido do Novo é Marcel van Hattem, que concorrerá à Câmara dos Deputados. De janeiro de 2015 a fevereiro de 2018, exerceu mandato na Assembleia Legislativa. Logo depois, saiu do PP. Seus discursos têm uma característica: provocar o PT e o PSOL.

Tentará também

O Cpers direcionou ontem todas as antenas para Belo Horizonte, após ler esta notícia: “O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou que o governo do Estado pague integralmente o salário dos servidores da educação até o quinto dia útil. A liminar foi concedida a pedido do sindicato da categoria. Caso descumpra a decisão, o governo terá de pagar multa diária de 30 mil reais, limitada a 3 milhões de reais.”

Ar de conformismo

O governo federal reduziu de 2,5 por cento para 1,6 a previsão de crescimento da economia brasileira em 2018. Representa menos produção, empregos e salários A estimativa de inflação para este ano também foi revisada, de 3,4 por para 4,2. Pareceu a notícia mais banal do dia. Quase nenhum pronunciamento de políticos, de entidades sindicais e da chamada sociedade civil organizada.

Perfil mais gestor, menos político

Só no governo federal há 148 empresas estatais. A maioria dá prejuízo, consequência da falta de administração e desprezo dos preceitos de gestão. A divisão dos cargos, na maioria das vezes, prioriza interesses pessoais e partidários.

Não é difícil descobrir quem paga os rombos.

Há 90 anos

A 21 de julho de 1928, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou a emissão de apólices no valor de 3 mil e 900 contos para a pavimentação de ruas. Os automóveis seriam taxados, além dos terrenos das ruas beneficiadas com as obras.

Regras do jogo eleitoral

Parece preleção de técnico de futebol, mas têm sido as recomendações de assessores de muitos candidatos para as campanhas eleitorais: desempenho físico, equilíbrio emocional e disciplina tática.

 

Quem provoca medo?

(Foto: Reprodução)

Na manchete da Folha de São Paulo, ontem, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, declarou que não teme a possibilidade de Jair Bolsonaro ser eleito. Nem teria motivo. Para os comandantes da indústria, é suficiente o candidato garantir que não mexerá nas isenções fiscais e o apoio está garantido.

No quadro de hoje, os grandes empresários só têm medo de Guilherme Boulos, do PSOL.

Braços dados

Vale lembrar: antes de começar a campanha presidencial de 2002, dirigentes da Federação das Indústrias de São Paulo declararam que se Lula fosse eleito, eles sairiam do Brasil.

Bastou ao PT lançar a famosa Carta aos Brasileiros, em que assumiu compromisso de manter a estabilidade econômica e não subverter nenhum princípio financeiro, que os empresários logo mudaram de opinião. Alguns até votaram em Lula e passaram a apoiá-lo.

Não significava nenhuma identificação ideológica, mas apenas a garantia de interesses. Lucro não é crime e representa o objetivo final de qualquer negócio. Para os empresários, ter o benefício de não pagar alguns impostos é cláusula pétrea.

Quanto ao resto, nem estão aí. A dívida pública chegou a 4 trilhões de reais; o pagamento de juros para rolar a dívida passou de 221 bilhões de reais e a Previdência Social acumula sucessivos rombos. O que tem relevância para os grandes empresários é o cuidado com o próprio umbigo.

Olham para o umbigo

Com o conhecimento e a experiência que têm, os empresários deveriam estar próximos na busca de soluções para a crise sem precedentes do setor público. O rumo das administrações, cada vez mais catastróficas, não deve ficar apenas nas mãos de gestores, alguns desonestos, outros incompetentes.

Desproporção

Os partidos de Jair Bolsonaro, Ciro Gomes e Marina Silva terão, na soma, 82 milhões de reais do Fundo Eleitoral que atingirá de 1 bilhão e 700 milhões de reais. O MDB receberá 234 milhões; o PT, 212 milhões e o PSDB, 186 milhões.

Vem de novo

O palco da sucessão presidencial contará, pela terceira vez, com Levy Fidelix e seu bigode escuro. Desde 1984 concorreu a vários cargos sem se eleger. Em 1992, criou o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). Tem 10 prefeitos em todo o país, sendo três em Goiás e três no Piauí.

O site nacional do partido não registra o endereço da sede do diretório no Rio Grande do Sul. Consta apenas o número de um telefone celular com prefixo 11, de São Paulo.

Persistente

Na eleição de 2010, Fidelix obteve 3 mil e 497 votos no Rio Grande do Sul. Em 2014, saltou para 17 mil e 940. Por enquanto, há duas certezas: 1ª) entre todos os candidatos, aparecerá nos programas de TV como o da convicção mais firme de que será eleito. 2ª) nos debates, vai se tornar o autor das indagações e afirmações mais surpreendentes.

Consequência da pressa

Se o Executivo admitisse negociações em dezembro de 2017, quando a Câmara debateu o aumento do IPTU de Porto Alegre, estaria agora cobrando valores que supririam em parte a falta dos 40 milhões de reais para pagar a folha dos servidores. Era só aceitar as mudanças a longo prazo e não da forma rápida como previu o projeto, derrotado no placar eletrônico.

O que deve mudar

O Senado debaterá, a partir de agosto, a atualização das agências reguladoras. A proposta exige que todas tenham ouvidoria e encaminhem ao Congresso um plano de gestão anual.

De nada adiantará se as indicações dos conselheiros continuarem sendo políticas. Significa que entram amigos do rei. Os outros ficam na zona do sereno.

Cobram e depois…

Pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pela Associação Paulista de Medicina, apontou que 96 por cento dos pacientes com planos de saúde enfrentaram algum problema ao utilizarem serviços no estado de São Paulo. No levantamento divulgado ontem, 90 por cento dos médicos disseram que sofrem interferências das operadoras em seus trabalhos, prejudicando os pacientes.

Onde anda a fiscalização da Agência Nacional de Saúde?

Indeciso

A fábrica de alta criatividade eleitoral começou a funcionar. Arlindo Bouças não sabe se concorrerá a deputado estadual em Santa Catarina, mas o slogan está pronto: chega de malas, vote em Bouças.

 

Sonhando alto

A Agência Nacional de Saúde deixa de defender os consumidores. (Foto: Reprodução)

A executiva nacional do PTB anunciou ontem que estará com Geraldo Alckmin. Em um documento, justifica: “Precisamos apoiar alguém que defenda menos impostos, menos gastos públicos, gestão eficiente, combata privilégios, respeite os municípios e, sobretudo, foque na geração de emprego e renda e melhore a qualidade da educação”. Os trabalhistas deixam a impressão de que procuram um mágico e não só um candidato.

Após 24 anos

A última vez em que o MDB concorreu à Presidência da República foi em 1994 com Orestes Quercia. Chegou em quarto lugar, obtendo 4,3 por cento dos votos. O terceiro foi Eneas Carneiro com 7,3 por cento. Agora, lançará Henrique Meirelles que conhece Economia e finanças como poucos. Contará ainda com certa imunidade da esquerda, por ter tido total confiança do governo Lula.

Arrasa quarteirão

Ciro Gomes assusta o empresariado ao dizer que “todas as entregas do petróleo depois da mudança da lei de partilha vão ser desfeitas. Os campos de petróleo comprados por multinacionais serão desapropriados, com a devida indenização.” Não vai parar aí.

Abraçados nos problemas

Como conseguir dinheiro para pagar em dia funcionários e fornecedores de produtos? Pergunta que fazem técnicos da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, governado pelo PT, a colegas gaúchos. A resposta é o silêncio.

Como sempre

Equipes de assessores de candidatos ao governo do Estado aceleram os planos, dando asas à imaginação. Quer dizer, entram no mundo dos sonhos.

Mera encenação

Chega a ser uma pilhéria o processo de autorização no Senado para que prefeituras façam financiamentos no exterior. A aprovação é tão certa como o surgimento do sol ao amanhecer. Ainda mais em ano eleitoral.

Previsão equivocada

A 19 de julho de 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou sua campanha à reeleição durante comício no Gigantinho lotado. Participaram presidentes de 11 partidos. No encerramento do discurso, disse que ganharia de Lula no Rio Grande do Sul. Errou. O candidato do PT somou 49,4 por cento dos votos e o tucano ficou nos 40,6 por cento.

Sem rodeios

Os candidatos à Presidência da República precisam responder logo: o déficit da Previdência Social, de 227 bilhões de reais, é administrável?

Comprovado

Criada em 2000 para tratar do interesse público na assistência suplementar, a Agência Nacional de Saúde desviou-se das finalidades. Deixou de defender os direitos dos consumidores contra as operadoras.

A briga continua

Vereadores da base acham que o prefeito Nelson Marchezan não tem muito do que reclamar. No começo da gestão, por exemplo, a Câmara aprovou a reforma administrativa que, segundo interpretam, até agora não foi toda posta em funcionamento.

Resposta difícil

Analistas de política internacional se indagam: há método na suposta loucura do presidente Trump?

Diferença

Os Estados Unidos, com território quase idêntico ao brasileiro, tem malha ferroviária 10 vezes maior. No valor do frete está uma das explicações para os preços baixos das mercadorias na Terra de Tio Sam.

Cartão de visitas

Desde o final de março deste ano, quando foi inaugurado o atracadouro, os três barcos de passeio pelo Guaíba receberam 17 mil pessoas.

Redundâncias

Os que têm o hábito de raspar discursos eleitorais para conferir o que existe abaixo do verniz se decepcionam. Encontram mais verniz.