Cisão está a caminho

"Nosso maior equívoco foi exagerar nas políticas de desoneração das grandes empresas", disse Lula. (Foto: Reprodução)

Lideranças do PMDB de Porto Alegre se reuniram na Assembleia Legislativa, ontem à tarde, para tratar mais uma vez da entrada no governo Marchezan. Houve avaliação sobre consultas feitas desde o primeiro encontro ocorrido na semana passada. A resistência se localiza na bancada da Câmara. Vereadores acham que não podem passar uma borracha por cima da campanha acirrada do ano passado. Os demais sonham em voltar a cargos que ocuparam nos últimos 12 anos.

Os desdobramentos levarão a que muitos lembrem a famosa frase: quem semeia ventos colhe tempestades.

Sobre perdas

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia deve analisar, hoje pela manhã, o projeto de lei que indeniza os servidores públicos ativos, inativos e pensionistas do Estado por descumprimento de pagamento salarial em dia. Se não houver manifestação, irá direto para votação no plenário, porque o Executivo pediu regime de urgência.

Situação descabida

Professores em greve, que impedem a transferência de alunos para escolas particulares, precisam desfilar em passeatas com cartazes: é proibido estudar.

Quando houver retorno às salas de aula, deverão dedicar um tempo para explicar o motivo pelo qual a liberdade de escolha está abolida.

Espiral incontrolável 

A dívida do governo federal avançou 0,79% em setembro, indo para 3 trilhões e 430 bilhões de reais, informou ontem a Secretaria do Tesouro Nacional. O aumento está relacionado unicamente às despesas do governo com os juros da dívida pública, que totalizaram 27 bilhões e 150 bilhões em setembro.

O Jurômetro, placar eletrônico que registra o total pago para rolar a dívida, a partir de 1º de janeiro deste ano, atingiu ontem a 312 bilhões de reais. Mesmo assim, o governo federal chegará ao final do ano com déficit de 160 bilhões de reais.

Saídas: 1) os tecnocratas querem aumentar impostos, que é inviável; 2) a reforma administrativa que modifique a coluna das despesas.

Críticas sem precedentes

Na entrevista ao jornal El Mundo, da Espanha, publicada domingo, o repórter perguntou ao ex-presidente Lula se ele reconhecia erros no governo de Dilma Rousseff. A resposta:

“Sim, claro que falhamos. Nosso maior equívoco foi exagerar nas políticas de desoneração das grandes empresas. O governo deixou de arrecadar para devolver aos empresários e, em 2014, saía mais dinheiro do que entrava. Quando Dilma tentou acabar com a ajuda, o Senado não permitiu. O segundo erro veio quando a presidenta anunciou o ajuste fiscal e traiu o eleitorado que a havia eleito em 2014 e a quem havíamos prometido manter os gastos. Aí, começou a perder a credibilidade.”

Com dizem nas festas juninas, vai dar chabu.

Reconhecimento

Antônio Gilberto Lehnen, desde o último final de semana, é nome de uma avenida próxima à Arena do Grêmio, seu clube preferido. Lehnen dedicou-se à Publicidade com talento e paixão, tornando-se exemplo de profissional. A iniciativa foi do vereador João Carlos Nedel.

Voltando aos trilhos

O peronismo já estava em agonia. Domingo, foi trucidado nas urnas, afirmando a liderança do presidente Mauricio Macri, que precisa importar do Brasil o modelo da Operação Mãos Limpas. Peron acumulou fortuna de forma ilícita. Depois, os sucessores, por décadas, saquearam os cofres públicos, levando grande parte do povo argentino à miséria. Buenos Aires, antes conhecida como a Europa na América Latina, virou uma cidade cercada por grandes favelões.

Inscrições abertas

Na eleição presidencial, quem será o Trump brasileiro?

Zona de alto risco

Na Assembleia Legislativa, que deve aceitar a negociação, o Executivo tem enfrentado dificuldades. (Foto: AL-RS)

Neste final de semana, o governador José Ivo Sartori usou, pela primeira vez, a expressão “colapso das finanças do Estado”. Acrescentou que só a aprovação do Regime de Recuperação Fiscal salvará, porque vai garantir a entrada de 3 bilhões de reais em caixa. Na Assembleia Legislativa, que deve aceitar a negociação, o Executivo tem enfrentado dificuldades. Uma prova é o pacotão, encaminhado em dezembro do passado, e ainda não totalmente aprovado.

Não anda

Os obstáculos do Executivo com parte da base aliada na Assembleia podem ser resumidos em um ditado latino, cuja tradução é: todas as outras coisas inalteradas, todas as demais variantes constantes, tudo muito igual.

Boa iniciativa

Diante das restrições em aprovar na Comissão de Constituição e Justiça o projeto que permite a venda de estatais, o novo relator, deputado Frederico Antunes, encaminhou pedido de diligência ao Palácio Piratini. Pretende obter informações sobre itens que a oposição considera não esclarecidos.

Quer ser protagonista

Contrariando a condição de coadjuvante nas eleições anteriores, o PCdoB decidiu, neste final de semana, lançar a deputada estadual Manuela d’Ávila e Abigail Pereira como pré-candidatas ao governo do Estado. Se não for cabeça de chapa, terá dificuldade para atingir a cláusula de desempenho. Manuela também é cogitada pelo diretório nacional para concorrer à Presidência da República.

Não será fácil

A partir do próximo ano, cada partido precisará somar, no mínimo, 1,5 por cento dos votos válidos para deputado federal, distribuídos em pelo menos um terço dos Estados. Os que ficarem fora não terão acesso ao fundo partidário e a espaços de propaganda em rádio e TV.

O que precisa mudar

O Estado não comporta mais demandas de setores empresariais que só pensam em si. Isenções fiscais devem se vincular a análises de custo-benefício e contrapartidas mensuráveis. Cabe à Assembleia Legislativa abrir os números de cada pedido, permitindo amplo conhecimento da opinião pública, para depois decidir.

Na balança

Os Tribunais de Contas do país criaram o Índice de Efetividade de Gestão Municipal. Porto Alegre recebeu a nota B (qualidade efetiva). Curitiba obteve B + (qualidade muito efetiva) e Florianópolis C + (em fase de adequação).

Dois lados

O acontece no plenário do Senado e da Câmara dos Deputados pode ser acompanhado ao vivo pela TV, sem qualquer corte ou edição. Deveria servir à educação e à cidadania. Não poucas vezes, revela o lado sombrio e decepcionante da política.

Há dez anos

A 23 de outubro de 2007, a Secretaria da Fazenda informou que as dívidas de sonegadores e inadimplentes de impostos estaduais atingiam 20 bilhões e 300 milhões de reais. Hoje, ultrapassam 45 bilhões de reais. Alguma peça do sistema de cobrança está emperrada.

Quando se fala em reforma tributária, para simplificar e evitar a fuga de dinheiro público, o governo federal e o Congresso Nacional arranjam um argumento para dizer que é muito difícil.

Velha gangorra

Investidores de todo o mundo sofreram pânico, em outubro de 1987, com o tombo de 22 por cento na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

Pulando as brasas

A cada começo de negociações sobre alianças eleitorais com nanicos, como ocorre agora, surge o dilema: dirigentes de grandes partidos não conhecem quanto ganharão, mas alguns sabem que vão perder.

Retórica carimbada

(Foto: Alan Santos/PR)

“O que se espera do Congresso Nacional e da Presidência da República agora é que tenham serenidade de reconhecer a gravidade da crise atual e a coragem de não desperdiçar a chance histórica de fazer as reformas que o país espera.”

Este trecho de editorial já se tornou de domínio público. Com pequenas alterações, o conteúdo é repetido desde o começo da década de 1990.

Não adianta mais chorar
Aos governadores que vão ao Ministério da Fazenda, técnicos abrem os terminais de computadores para mostrar radiografias com fraturas expostas. Uma delas: as despesas com pessoal cresceram em torno de 40 por cento acima da inflação em dez estados, entre 2009 e 2016. Os pagamentos ocorreram, no período, com empréstimos que a União agora não quer mais avalizar sem que empresas estatais entrem como garantia.

 Exigem o retorno
Os parlamentares gaúchos deveriam seguir o exemplo: a bancada federal de Minas Gerais não votará o orçamento da União sem a inclusão de recursos para recuperação das principais rodovias. Em várias regiões do País, motoristas sugerem que os aplicativos não indiquem mais os  problemas. Preferem que avisem onde há trechos sem buracos.

 Antes da tempestade
A 22 de abril deste ano, os jornais noticiaram que o presidente Michel Temer queria indicar como procurador geral da República alguém próximo a Rodrigo Janot. O rompimento veio a 23 de junho, com a primeira denúncia da Procuradoria contra Temer. Em setembro, Janot reprisou.

Teste de força
A direção nacional do PT está convocando militantes para que se manifestem nas ruas, quarta-feira, quando o plenário da Câmara dos Deputados decidirá sobre a continuidade ou não da denúncia contra Temer.

Onde está o problema
Em um shopping de Porto Alegre, ontem à tarde, grupo de economistas se encontrou para um cafezinho. Declaração que resumiu a conversa de quase duas horas: “Confesso que não sei e acho que poucos sabem como os governos gastam, tamanha a confusão das contas públicas.”

Resumo
O déficit público é a variável mais importante para situar o estágio da economia brasileira. Corresponde à massa de recursos necessários para cobrir o total de compromissos assumidos por prefeituras, governos estaduais e União, além de empresas estatais e rombos da Previdência.

Vai subindo
Só para lembrar: o Jurômetro, ontem à noite, estava em 310 bilhões e 285 milhões de reais. Foi quanto o governo federal pagou, desde 1º de janeiro deste ano, para rolar sua dívida. Daria para construir 296 mil escolas.

Não gostaram
Lideranças empresariais da Argentina reagem à reforma trabalhista brasileira, sugerindo alternativas: 1) imitá-la; 2) sair do Mercosul; 3)  conformar-se em perder milhões de empregos para o Brasil.

Ficção só atrapalha
Com a crise aumentando, não adianta o governo do Estado encenar a peça A Estratégia do Avestruz.

Fase da anomalia
Em ano eleitoral, a política democratiza o estrelato. Basta um bom marqueteiro ao lado. Como a concorrência é alta, vale tudo para chamar a atenção. Conteúdo que é bom, muito pouco.

Tipo de escolha pode mudar
Candidatos e partidos preparam listas de quinquilharias anacrônicas
caprichosamente confeccionadas, acreditando que os eleitores vão comprar outra vez.