Pode demorar mas não escapam

A Operação Lava Jato, para reaver dinheiro público desviado, não vai parar. (Foto: Reprodução)

A prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Moreira Franco é resposta clara ao Supremo Tribunal Federal diante da tentativa de jogar água fria na Operação Lava Jato. Serve de aviso a muitos outros políticos: a punição pode ser adiada em função da proteção dada por mandatos, mas um dia chega.

Mudança de rumos

Professores nas salas de aula costumam ensinar o que está na Constituição: a lei é igual para todos. Há, porém, alunos que contestam, afirmando: “Vale para o andar debaixo. Não para quem está ou esteve no andar de cima, quer dizer, no poder”.

As prisões de ontem provam o contrário. Vêm na sequência do que se iniciou em março de 2014 com a Operação Lava Jato. A mistura do interesse público com o privado é travada a passos largos.

Fim de mandato vira risco

A 25 de outubro de 2017, o plenário da Câmara dos Deputados recusou por 251 votos a 233 a autorização para o Supremo Tribunal Federal processar, por crime comum, o presidente Michel Temer. Os parlamentares defenderam o presidente, alegando que o encaminhamento ao Supremo só tumultuaria o país. Qualquer decisão mais rigorosa deveria ser tomada após o final do mandato. Foi o que ocorreu ontem.

Bom senso

Se algum processo envolvendo Temer chegar às mãos do ministro Alexandre de Moraes, deverá se considerar impedido. O ex-presidente foi seu padrinho.

Rio da corrupção

O Livro Guinness dos Recordes é editado anualmente no Canadá com dados incríveis de todo o mundo. Desde ontem, seu representante na América Latina é procurado para que não esqueça de registrar na publicação de 2020: dois ex-presidentes da República estão presos; três ex-governadores do Rio de Janeiro também (Cabral, Pezão e Moreira). Mais dois já viram o sol nascer quadrado, mas respondem a processos em liberdade: Anthony e Rosinha Garotinho. A lista inclui deputados e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio.

Caminho mais curto

A palavra reforma é uma das mais desacreditadas no dicionário político. Se o governo cobrasse sobre cada vez que a pronunciam, arrecadaria uma bolada no final do ano. De Norte a Sul do País, são milhares de vezes por dia. Chamemos, então, de mudanças. A primeira, para coibir preventivamente a corrupção, diz respeito à estrutura administrativa.

O que é inadiável

No setor público, as evidências são claras: o tamanho superdimensionado das estruturas, a complexidade da burocracia, o uso restrito de tecnologias e a falta de transparência abrem as portas para a corrupção. Acrescente-se o grau reduzido de capacitação de muitos indicados para cargos de chefia, só porque têm a credencial de Q.I. (quem indica). Sem essas correções, Polícias e Ministério Público continuarão com muito trabalho.

Interesse restrito

Durante a sessão plenária, ontem, vários deputados federais foram à tribuna falar sobre problemas de bairros de suas cidades longínquas, temas que cabem nas câmaras municipais. Ao final, surgia o motivo: “Peço, senhor presidente, que meu pronunciamento seja divulgado pela Voz do Brasil.” O espaço diário nas emissoras de rádio serve para propagandear para seus eleitores o que dizem. Nada mais.

Bate e rebate

A cada ano, sucedem-se duelos entre deputados nas sessões plenárias da Assembleia Legislativa. Os primeiros protagonistas da guerra verbal e de ideias estão definidos: Luciana Genro, do PSol, e Mateus Wesp, do PSDB.

Precoce

O deputado estadual Rodrigo Maroni não perde chance de subir à tribuna para defender a causa animal. Ontem, aproveitou para relatar um pouco de sua vida. Aos 12 anos, filiou-se de forma simbólica ao PT, porque a lei não permite antes da maioridade. Depois, migrou para o PSol, o PC do B, o PR e agora está no Podemos, do senador Alvaro Dias. Maroni tem 37 anos.

Enganaram-se

Alguns políticos achavam que a obra intitulada “Vocês, Os Tolos”, escrita por eles, chegaria ao final sob o manto da impunidade.

Desafio

Espera-se que, a partir da declaração de Trump, o Brasil receba investimentos que precisa para se desenvolver. (Foto: Reprodução)

Deputados federais forçam a abertura de um espaço no site da Câmara para que a população se manifeste sobre possíveis prejuízos na prestação de serviços públicos com o corte de 21 mil cargos em comissão, que o atual governo determinou.

Ampliando a base

Ao oferecer a vaga de secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo ao deputado estadual Ruy Irigaray, o governador Eduardo Leite quer garantir os quatro votos do PSL. Só não contava com a resistência do líder da bancada, deputado Tenente Coronel Zucco, que pretende por os pesos na balança. A tendência é que concorde com a posse de Irigaray.

Dança das cadeiras

A vaga de Irigaray na Assembleia Legislativa caberá ao 1º suplente Rodrigo Lorenzoni, do DEM, que fez aliança com o PSL. Atualmente, Rodrigo é secretário estadual de Articulação e Apoio aos Municípios. Saindo, entrará em seu lugar Marcus Vinícius, 1º suplente do PP.

Propagandista

O resultado da viagem do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos foi surpreendente: a manifestação de Donald Trump equivale à assinatura de um cheque em branco, dizendo que o Brasil tornou-se um país confiável. Isso deverá incentivar a vinda de investidores estrangeiros para abertura de empresas e geração de empregos.

Imagem ruim

Os investidores estrangeiros estavam retraídos. Ao longo de quase 10 anos, leram em publicações como Financial Times, Business Week, The Economist e Wall Street Journal que o Brasil era o país da corrupção e da propina.

Mudança dos ventos

A maioria dos jornais não deu a devida importância à declaração de Trump. Preferiram detalhes secundários da viagem de Bolsonaro. Explica-se: durante décadas, o correto politicamente era se alinhar com a União Soviética e seus satélites. Países que viveram pobres e sem desenvolvimento, sob o tacão do sanguinário ditador Josef Stálin, que matou milhões de pessoas.

O que era

Apoiar a União Soviética significava a busca de um mundo igualitário e com justiça. Atingiram em parte o objetivo porque o Estado provia tudo. A maioria não precisava trabalhar, até porque não havia empregos. O governo garantia a ração semanal de comida e algumas peças de roupa por estação. Bastava enfrentar longas filas. Como em Cuba.

Mesmo com a queda da União Soviética, persiste o ritual do culto ao que já não existe.

Próximo passo

Espera-se que, a partir da declaração de Trump, o Brasil receba investimentos que precisa para se desenvolver. Significa criar empregos e permitir o pagamento de salários, dando dignidade a milhões de brasileiros. Está comprovado que, apenas com capital nacional, essa meta não será alcançada.
O país tem pressa em crescer.

Onde está o problema

O economista Paulo Rabello de Castro define com clareza o que ocorre na Previdência Social: “Hoje, quem mais usufrui de benefícios de gordas aposentadorias e pensões está longe de ser quem mais contribuiu. Milhões pagam INSS a vida inteira enquanto uns poucos capturam a fatia do leão dos recursos da bilionária conta dos inativos do País”.

Fugir desse debate no Congresso Nacional é querer preservar privilégios, praticando mais uma irresponsabilidade. Com o déficit nas alturas, embaralhar é tumultuar e fazer politicagem.

Preparando confronto
Diretórios de 12 Estados, liderados pelo Rio de Janeiro, criaram o grupo de discussão PSOL livre do PT. O Rio Grande do Sul está fora.

Olhando de perto

É elogiável a iniciativa da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa, que realizará audiência pública para tratar das dificuldades de acesso aos medicamentos distribuídos pela Farmácia do Estado. Talvez encontre brechas para obter mais dinheiro no orçamento, cortando desperdícios.

No ano passado, o governo do Estado gastou 538 milhões de reais na compra de medicamentos. Via administrativa: 112 milhões de reais. Por determinação judicial: 426 milhões.

Falta corda

São voltas, rodopios e cambalhotas, mas as finanças do Estado não saem do fundo do poço.

Deveria se calar

O ex-ministro Celso Amorim continua se esforçando para agradar ao PT. (Foto: Abr)

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores dos governos Fernando Henrique e Lula, foi condutor de grandes malogros. Ontem, voltou à cena para dizer que “a guinada brasileira para um alinhamento total de apoio a Washignton não é compatível com os interesses brasileiros”.

Festival de equívocos

Compatível para Amorim foi:

1º) a decisão do ditador Evo Morales de ocupar refinaria da Petrobras na Bolívia, em 2006, expulsando os brasileiros sem indenização.

2º) o Brasil apoiar o ditador Hugo Chávez que, com seu populismo misturado à corrupção, levou o povo da Venezuela à fome e à fuga para os países vizinhos.

3º) estender tapete vermelho em Brasília, há 10 anos, para o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Líder maluco que pregava a guerra nuclear e a destruição de povos. Acabou empurrado para fora do poder pela parcela lúcida de seu país.

4º) financiar obras em Cuba com dinheiro do BNDES. Dinheiro emprestado, que nunca voltará aos cofres brasileiros, porque a família Castro se acostumou a viver com subsídios e a passar calote.

5º) fazer empréstimos a países africanos para obras regadas a propinas como investigações da Polícia Federal e do Ministério Público comprovaram.

Direito de escolha

O Brasil tem mais a ganhar reaproximando-se dos Estados Unidos ou de ditadores de países que são caloteiros, querem nossa ajuda e oprimem seus povos?

Correram na frente

Audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa realizou-se ontem com objetivo de debater a legalidade da proposta de emenda constitucional, que retira a necessidade de plebiscito para venda de estatais. Funcionários lotaram o plenarinho para protestar. Muitos deputados também participaram, o que deixou sem quorum a reunião da mesa diretora, no final da manhã. Até parlamentares da oposição reconheceram: na audiência, não estava em discussão o mérito da medida, que será o passo seguinte. De qualquer forma, com a tendência de aprovação da eliminação do plebiscito, as corporações demonstraram a inconformidade.

Motivo para demora

A vaga de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo pertence ao PTB. É indiscutível. O governo, porém, exige um técnico. Os trabalhistas indicam Flavio Lammel e Edemar Tutikian, que têm esse perfil. Ocorre que, não havendo substituição por um deputado do PTB, o PP perderá uma vaga na Assembleia. Os dois partidos fizeram coligação e o primeiro suplente, Marcus Vinicius, é progressista.

Há 20 anos

A 20 de março, o governo federal bloqueou de novo recursos do Rio Grande do Sul, no valor de 12 milhões e 996 mil reais, incluindo repasses do Fundo de Participação dos Estados e do Imposto sobre Produtos Industrializados. O total retido subiu a 48 milhões de reais para amortizar a dívida que o Estado não vinha pagando à União.

Custo pesado

Qual o valor total da contratação de vigilantes, equipamentos eletrônicos, grades, blindagens de portas e reforço de vitrines para evitar assaltos? O Clube de Diretores Lojistas (CDL) do Rio de Janeiro, que ouviu 750 donos de estabelecimentos, concluiu: a despesa no ano passado foi a 1 bilhão e 853 milhões de reais. O CDL de Porto Alegre está fazendo o mesmo levantamento e divulgará em breve.

Fundo do poço

No café da Assembleia Legislativa, ontem à tarde, um técnico de nível superior da Secretaria da Fazenda relatava sobre as grandes dificuldades que o governo do Estado passará este ano com a falta de dinheiro. Um integrante da mesa, ao final, resumiu: “Só sabemos o valor da água quando o poço seca.” A frase foi muito usada pelo político norte-americano Benjamin Franklin.

Ousadia inédita

Ao chamar o ministro Gilmar Mendes de “vendedor de sentenças” e “canalha”, o senador Jorge Kajuru, do PSB de Goiás, ganhou ontem apelido de seus colegas: Maluco Beleza.