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A empresa dona do navio suspeito pelo vazamento diz ter provas de que não derramou óleo no Nordeste e afirma que não foi procurada pelas autoridades brasileiras

A empresa disse ainda que está em busca de respostas legais para o dano à sua imagem causado pela acusação. (Foto: Divulgação/Delta Tankers)

A petroleira grega Delta Tankers, proprietária do navio Bouboulina – apontado pela PF (Polícia Federal) como principal suspeito de ter derramado o óleo que desde o fim de agosto já atingiu mais de 300 locais no litoral do Nordeste –, disse que possui “dados e documentos” que mostram que sua embarcação não tem envolvimento com o vazamento. A empresa disse ainda que está em busca de respostas legais para o dano à sua imagem causado pela acusação. As informações são do portal de notícias G1.

“A Delta Tankers tem todos os dados e documentos que provam que sua embarcação não está envolvida, mas até o momento ninguém pediu para vê-los”, disse a empresa. Em nota divulgada nesta segunda-feira (04) a petroleira reiterou que não foi procurada pela Polícia Federal e que o Ministério de Assuntos Marinhos da Grécia também não recebeu pedido de informações ou outro tipo de contato das autoridades brasileiras.

“Como esse suposto envolvimento é prejudicial à reputação e aos negócios de uma importante companhia de navegação que opera globalmente, a empresa está agora em discussões com os assessores jurídicos sobre como eles devem se dirigir às autoridades brasileiras”, disse a Delta Tankers em nota.

A Operação Mácula, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (1º), apontou o navio Bouboulina como principal suspeito de derramar ou vazar o óleo que atingiu o litoral nordestino. A embarcação pertence à Delta Tankers. Nesta segunda-feira a Polícia Federal disse que a empresa vai ser notificada pela Interpol para prestar informações na investigação.

“A empresa vai ser notificada agora, vai tomar conhecimento do teor todo da investigação, e vai ser solicitada via Interpol para apresentar os documentos e as provas que alega ter. A empresa é suspeita no momento, não houve indiciamento”, afirmou o delegado Franco Perazzoni.

A indicação do Bouboulina vai contra duas tendências anteriormente apontadas pela Marinha pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) nas investigações.

A primeira é que, no início das investigações, o Ibama já tinha descartado a possibilidade de localizar as manchas por meio de imagens de satélites, tanto em estudos próprios como em avaliações de agências espaciais e de universidades. A segunda tem relação à data da passagem do navio pela costa e o fato de ele não estar operando como um “navio-fantasma”.

Defesa da Delta Tankers

Em nota divulgada no sábado (02), a Delta já havia refutado a acusação da Polícia Federal. A empresa afirmou que fez uma “pesquisa completa do material nas câmeras e sensores que todos os seus navios carregam como parte de suas políticas de segurança e ambientais”.

No comunicado anterior, a Delta Tankers destaca três pontos: “não há provas” de que o navio Bouboulina derramou óleo; a empresa não foi procurada por autoridades brasileiras; a embarcação, que saiu da Venezuela em 19 de julho, chegou ao destino final, na Malásia, e “descarregou toda a carga sem qualquer falta”.