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A empresa Philip Morris tenta trazer o cigarro eletrônico para o mercado brasileiro

Mercado de cigarro eletrônico provoca disputa entre empresas. (Foto: Reprodução)

Mais de um ano após lançar mundialmente seu cigarro eletrônico, a fabricante americana Philip Morris não sabe quando poderá vendê-lo no Brasil. O tema está nas mãos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que hoje proíbe a venda desse tipo de produto no País.

Dona de marcas de cigarros como Marlboro e L&M, a companhia desenvolveu após mais de dez anos de pesquisa o dispositivo IQOS, que libera por aquecimento um “vapor” a partir do tabaco. Sem a fumaça gerada pela queima, a empresa afirma que o produto diminui — embora não elimine — a geração de substâncias nocivas ao corpo humano. Com o produto, a empresa planeja parar de vender cigarros convencionais no futuro.

Já lançado em 31 mercados, como Inglaterra, França, Alemanha e Japão, o IQOS ainda encontra barreiras no Brasil principalmente porque a Anvisa proíbe, desde 2009, a venda ou importação de qualquer tipo de cigarro eletrônico. De acordo com a agência, a proibição leva em conta a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança dos produtos.

O movimento mais recente na discussão regulatória sobre o cigarro eletrônico foi uma consulta pública aberta no começo do ano. A fase de contribuições foi encerrada em abril, mas até agora não houve novidades em relação à venda do produto. Agora, a Philip Morris diz esperar que a Anvisa fixe “critérios claros” para o registro.

O diretor-presidente da Philip Morris Brasil, Wagner Erne, afirma que a autorização será benéfica para o público que hoje consome cigarros tradicionais. “Temos 14 milhões de fumantes no Brasil. Quanto mais rápido pudermos oferecer uma alternativa menos danosa, todos estaremos contentes”, afirmou.

Segundo ele, a empresa tem uma opção clara por não vender mais cigarros tradicionais no futuro e procura lançar o novo produto o quanto antes nos diferentes mercados. “Nossa visão como empresa é muito clara, a gente quer um dia parar de vender cigarro convencional. Mas para isso precisamos acelerar o lançamento em todos os países”, disse. “A gente está começando a discutir pra ver como fazer o registro.”

Consultada, a Anvisa afirmou que ainda não há novidades sobre o tema mesmo após a consulta pública. Por isso, a agência informa que cigarros eletrônicos continuam proibidos e que sequer recebeu a solicitação de registro do IQOS. De acordo com a Philip Morris, não haveria como pedir o registro com a atual regulamentação.

A tentativa da empresa em aprovar o produto ocorre após anos de sucessivas disputas judiciais iniciadas por fumantes. A Philip Morris reconhece o risco financeiro desses embates em seus relatórios globais e afirma que a alegação de danos causados pelo cigarro é “significativa”. Em casos como o do Brasil e outros países, diz a empresa, as cifras em questão poA dem alcançar “bilhões de dólares”.

Enquanto estuda a liberação de seu novo produto, a Philip Morris lida com outra preocupação no Brasil. Segundo a empresa, a crise econômica levou consumidores a procurarem cigarros mais baratos. Por ter marcas em todos os segmentos, a companhia afirma que não perdeu mercado — mas teve margens encolhidas. “Em termos de volume, não é o problema. Mas cai a lucratividade da nossa empresa”, diz Erne. A empresa não divulga números por país. No mundo, teve receita líquida de US$ 56,5 bilhões de janeiro a setembro — 1,3% maior que um ano antes.

A busca dos brasileiros por produtos mais baratos tem se estendido também a cigarros ilegais. De acordo com pesquisas patrocinadas pela companhia, a fatia desses produtos nas vendas totais de cigarro no Brasil passou de 17% em 2010 para 31% neste ano. Em algumas cidades, a incidência é maior. Em Fortaleza, por exemplo, chega a 54%, segundo o levantamento.

Em reunião recente com o secretário da Receita Federal, Jorge Antonio Rachid, Erne falou sobre o projeto global do grupo para combater o comércio ilegal. Segundo Erne, o objetivo é trabalhar em parceria com as autoridades e, ao todo, US$ 100 milhões serão destinados em todo o mundo a essas iniciativas. “O mercado ilegal no Brasil não é desprezível e tem tendência de crescimento. Estamos nos colocando à disposição para trocar informações para que o combate a esse crime seja cada vez mais eficiente”, disse.

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