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Fotos do pouso na Lua são impossíveis de falsificar, explica especialista

As teorias de conspiração vão desde montagens baratas até o envolvimento do diretor de cinema Stanley Kubrick, que teria ajudado a Nasa a falsificar as imagens. (Foto: Nasa/Divulgação)

O pouso da Apollo 11 na Lua completa 50 anos em 2019 e muitas pessoas – inclusive no Brasil – ainda acreditam que tudo não passou de uma montagem muito bem feita pelo governo dos Estados Unidos. As teorias de conspiração sobre o evento são inúmeras e vão desde montagens baratas até o envolvimento do renomado diretor de cinema Stanley Kubrick, que teria ajudado a Nasa, a agência espacial americana, a falsificar as filmagens.

Mas seria realmente possível fazer isso com a tecnologia disponível na época? O cineasta e palestrante Howard Berry explicou de maneira bem simples e objetiva que essas supostas falsificações seriam impossíveis de serem feitas, mas tendo como base as frases que são mais ditas sobre este tema da Apollo 11 e da Lua.

Existem duas maneiras diferentes de capturar imagens em movimento. Uma é o filme, tiras reais de material fotográfico nas quais uma série de imagens é exposta. Outra é o vídeo, que é um método eletrônico de gravação em vários meios, usando, por exemplo, a movimentação de fita magnética. Com o vídeo, você também pode transmitir o conteúdo para um receptor de televisão. Um filme cinematográfico padrão grava imagens a 24 quadros por segundo, enquanto a transmissão de TV geralmente é de 25 ou 30 quadros, dependendo de onde você estiver no mundo.

Se concordarmos com a ideia de que o pouso na Lua foi gravado em um estúdio de TV, então eles devem ser um vídeo de 30 quadros por segundo, que era o padrão de televisão na época. No entanto, sabemos que o vídeo do primeiro pouso na Lua foi gravado a dez quadros por segundo em SSTV (televisão Slow Scan) com uma câmera especial.

“Eles usaram a câmera especial Apollo em um estúdio e depois reduziram a velocidade da filmagem para fazer parecer que havia menos gravidade”, disse o especialista. Algumas pessoas podem argumentar que, quando você olha para pessoas que se movem em câmera lenta, elas parecem estar em um ambiente de baixa gravidade. Retardar o filme requer mais quadros do que o normal, então você começa com uma câmera capaz de capturar mais quadros em um segundo do que em uma normal, em uma técnica chamada de overcranking.

Quando isso é reproduzido na taxa de quadros normal, essa gravação é reproduzida por mais tempo. Se você não consegue girar a câmera rapidamente, mas grava em uma taxa de quadros normal, pode diminuir artificialmente a metragem, mas precisa armazenar os quadros e gerar novos para desacelerá-los.

No momento da transmissão, os gravadores de discos magnéticos capazes de armazenar filmagens em câmera lenta só podiam capturar 30 segundos no total, para uma reprodução de 90 segundos de vídeo em câmera lenta. Para capturar 143 minutos em câmera lenta, você precisa gravar e armazenar 47 minutos de ação ao vivo, o que simplesmente não é possível.

“Eles poderiam ter um gravador de armazenamento avançado para criar imagens em câmera lenta. Todo mundo sabe que a Nasa recebe a tecnologia antes de todo mundo”, destacou Kubrick. Bem, talvez eles tivessem um gravador de armazenamento extra secreto – mas um quase 3.000 vezes mais avançado? Bem duvidoso.

Há lógica, mas fazer isso exigiria milhares de metros de filme. Um rolo típico de filme de 35 mm – a 24 quadros por segundo – dura 11 minutos e tem 300m de comprimento. Se aplicarmos isso a um filme de 12 quadros por segundo (o mais próximo de dez que conseguiremos com o filme padrão) rodando por 143 minutos (esse é o tempo de duração da filmagem da Apollo 11), precisaríamos de seis rolos e meio.

Estes então precisariam ser colocados juntos. As junções de emenda, transferência de negativos e impressão – e potencialmente grãos, partículas de poeira, cabelos ou arranhões – instantaneamente atrapalham o processo. Não há nenhum desses artefatos presentes, o que significa que não foi filmado em filme. Quando você leva em conta que os pousos subsequentes da Apollo foram feitos a 30 quadros por segundo, então fingir seria três vezes mais difícil. Então a missão Apollo 11 teria sido a mais fácil.