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“Me deu a sensação de que ela usou playback”, afirma diretora-executiva do Rock In Rio sobre show de Anitta no festival

Anitta se apresentou no palco do festival no sábado (5). (Foto: Reprodução/Instagram)

Vice-presidente do Rock In Rio, Roberta Medina saiu em defesa de todos que foram alvos de críticas ou de alguma polêmica ao longo dos sete dias de evento, que termina na madrugada desta segunda-feira (7). Em entrevista ao jornal O Globo, a empresária defendeu Drake, que não permitiu a transmissão do show na TV, afirmou que as manifestações políticas são normais neste tipo de evento e fez questão de elogiar o show de Anitta, apesar de acreditar que ela usou playback.

1) Como você avalia o festival deste ano?

O festival foi nota dez. Fizemos uma pesquisa com o público e deram a nota 9.5. Normalmente nos dão 8.9. Então acho que a marca desse festival foi de pessoas felizes. Ainda mais nesse momento que o país está vivendo, tão rachado, tão polarizado. Tão extremista em termo de posicionamento, acho que deu um respiro.

2) O festival teve manifestações políticas dentro e fora dos palcos. Por exemplo, uma foto do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi exibida num telão de show como forma de crítica à sua política de segurança. Como a marca vê isso?

Os palcos são espaços de livre expressão. O Rock in Rio nasceu como uma plataforma de liberdade de expressão, na saída da ditadura. Não vai ser agora que a gente vai mudar de ideia, né? O que a gente sugere é que as pessoas levantem suas causas, mas nós do Rock in Rio não nos posicionamos politicamente.

A gente defende a mudança de comportamento para evitar catástrofes climáticas. A Amazônia, por exemplo, é um foco. A gente defende a diversidade pela existência do comportamento. Mas o que os artistas fazem, eles têm 100% de liberdade para fazer. Cada um que se entenda. O que acho positivo foi a reação da plateia.

3) Como foi essa experiência com funk no Rock In Rio? Finalmente a Anitta tocou no festival.

Olha, o funk já tinha estado aqui de forma mais sutil. O Buchecha já tinha estado aqui. Eu acho que, antes de falar de Anitta, temos que falar da Funk Orquestra. Foi muito emblemático. Foi o show do Sunset que lotou mais cedo. As pessoas cantaram todas as músicas. Todo tipo de público interagindo.

Eu, Roberta, não gosto de ouvir baixaria na minha casa com os meus filhos, não gosto de ver criança dançando na boquinha da garrafa. Mas quem quiser ouvir que ouça. Isso vale para qualquer ritmo. Sou super fã de funk tradicional. O Rock In Rio continua de portas abertas ao funk.

4) A Anitta foi muito criticada porque teria usado playback no show. O que você achou?

Me deu a sensação de que ela usou playback, mas eu não fui lá ver, não entendo. Mas acho que o mais importante é que a gente tem que acolher muito o talento da Anitta. Ela é uma cantora de 26 anos. O show foi brutal. Ela fez um produção de nível internacional. Eu li que ela deu uma festa para o Drake na casa dela e não estava porque ia se preparar para o show. Isso é um sinal de maturidade incrível.

Acho que a gente tem que reverenciar o talento dela. Ela fez um trabalho de parcerias internacionais brutal, tocou vários hits. Todo mundo canta da primeira a última música. Ela fez uma preparação de corpo impressionante. Fez um showzaço. Mas acho que vale ela investir mais em ter um suporte no palco. Todo mundo trabalha com playback, em geral os artistas que dançam muito precisam de um suporte porque, se é para ser live, é para ser livre. Não dá para pular tanto e fazer a voz perfeita, né?

5) O Drake não quis que seu show fosse transmitido. Como vocês viram isso? A transmissão não estava em contrato?

Estava combinado que seria transmitido. O que aconteceu é que ele ficou por algum motivo desconfortável e pediu para cancelar a transmissão. E aí chega o momento que tem um ser humano que precisa subir ao palco e encarar essa galera. A gente já teve uma situação semelhante em Las Vegas com a Taylor Swift, e ali foi outra coisa. Era o primeiro show da turnê e ela não estava com tudo muito ensaiado, então ela não queria se expor internacionalmente, de uma coisa que ela julgava que não sairia perfeito. Já aqui com o Drake foi desconforto dele próprio. Aí a gente insiste, insiste, insiste, mas tem limite a compra da briga. E aí nesse caso o Rock In Rio cede. A gente vai acolher o talento que vai subir no nosso palco.

6) O show da P!nk foi um dos grandes momentos do festival. Foi difícil fazê-la voar pela Cidade do Rock no fim do show?

Um ano de trabalho. A equipe ralou muito. Admiro ainda mais a persistência da equipe. Muitos artistas abrem mão de suas ideias, mas a equipe bateu pé e assim foi. A equipe estava muito tensa, mas deu tudo certo.

7) Do que você mais gostou nesta edição?

Não consegui ver muita coisa. Mas gostei de P!nk, Anitta, Foo Fighters. Panic! at the Disco foi uma surpresa.

8) Quem você gostaria de trazer para a próxima edição do festival?

Bruno Mars.