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O louco de palestra, de sites e de face book: o típico néscio

O grande problema é que os loucos de palestra “tomam” a palavra. (Foto: Reprodução)

Em palestras (e nas redes sociais) aparece todo tipo de louco. O clássico é o que “faz uma colocação” e toma conta da conversa. Ele quer mostrar que sabe… do que o palestrante e que o restante da malta presente. Em alguns casos, até sabe mais do que o conferencista.

No direito tem um clássico também: é o leitor de um livro só e que se considera “o especialista”. O louco tem os seus quinze segundos de glória. Há também o louco que conta um caso concreto. Um drama pessoal, sobre o qual quer a opinião (ou uma consulta!).

O grande problema é que os loucos de palestra “tomam” a palavra. Tomam mesmo. E quando a devolvem, ela vem em frangalhos… E assim por diante.

Sabemos todos que essa praga se alastrou para as redes sociais. E de forma mais contundente, porque os loucos da internet perdem totalmente a sua timidez e jogam mais pesado do que pessoalmente nas palestras. Os olhos de censura que os assistentes lançam aos loucos de palestra não existem nas redes. Do anonimato, à socapa e à sorrelfa os loucos podem fazer os seus silly speeches (discursos bobos-tolos) ou epistemic discourses of hatred (discursos epistêmicos de ódio).

Há algum tempo nominei a proliferação dessa tipologia como o surgimento de um novo paradigma, a nesciontologia. Néscios de todo tipo reunidos sob um imaginário, um corpus de representações no interior do qual eles se movimentam e lançam diretrizes para o mundo.

Alguns mandamentos nesciontológicos: a) fique contra o articulista ou contra o dono da página de face book a priori; b) Seja sempre contra ele; 3) Mostre seu repúdio; 4) Mesmo que ele escreva algo com o que você concorda, busque desconstruí-lo, palavra da moda inventada pelo publicitário João Santana, um dos criadores da neo-nesciontologia; 5) E vá no Google e ache uma palavra difícil para mostrar um milésimo de erudição.

Isso sim é um troço que me incomoda: a ignorância propositiva. O sujeito não se contenta em não saber; é preciso que o “não saber” seja compartilhado entre todos. Se possível, imposto aos demais (imagine como seria um mundo governado por essa gente?). “Se eu não sei, ou se não consigo entender, é porque não é importante”, eis o lema.

Portanto, estamos em face de um novo fenômeno. Não está fácil escrever nos veículos pós-modernos. Tudo o que se escrever e que foge de seu horizonte de sentido é “bruxaria epistêmica”. Ele não entende e, em vez de simplesmente descartar, quer destruir.

Colocar o articulista na fogueira. Burn! Burn! Eis a sentença! Um artigo ou coluna com alto grau de sofisticação… já se sabe: pouca leitura e poucos acessos. Já uma coluna sobre autoajuda para jovens estudantes… estoura; vira hit imediatamente.

Sinal dos tempos. Tempos fofos. O néscio se sente à vontade nas redes sociais. É o seu campo de jogo. E dali sai atirando. Por vezes, ele aparece em palestras.

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