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A Polícia investiga a relação do jogo “Baleia Azul” com crimes contra adolescentes

Jogo perigoso circula na internet (Foto: Reprodução)

Conhecido como Baleia Azul, um jogo de internet pode estar levando jovens a mutilações corporais e até ao suicídio. A polícia investiga o jogo, praticado em comunidades fechadas de Facebook e Whatsapp. Ele instiga os jogadores, a grande maioria adolescentes, a cumprirem 50 tarefas, sendo que a última delas é o suicídio.

Um grupo que seria da Rússia, está sendo investigado por induzir mais de 130 jovens, predominantemente na Europa, a cometerem suicídio desde 2015.

No Brasil, a imprensa divulgou recentemente alguns casos. Uma jovem de 16 anos, de Vila Rica (MT), cometeu suicídio, além de um menino de 19 anos, de Pará de Minas (MG), e as mortes foram atribuídas ao jogo Baleia Azul. Na Paraíba e no Rio de Janeiro já estão em andamento investigações referentes à recente popularização deste jogo criminoso.

O caso virou problema mundial, com comunicados aos pais em escolas da França, Inglaterra e Romênia, alertando as famílias de seus alunos para terem especial atenção com este jogo e comportamento de seus filhos.

O jogo partiria de uma página privada e secreta no Facebook, e um instrutor passa então alguns desafios aos seus novos jogadores. O jogo inicialmente inocente, torna-se mortal.

São propostos 50 desafios, como escrever com uma navalha o nome daquele grupo na palma da mão, cortar-se, desenhar uma baleia em seu corpo com uma faca, até o desafio final, que é tirar a própria vida.

Após a vítima iniciar os desafios, ela não pode desistir. Participantes teriam relatado que desistências são ameaçadas pelos administradores do game, sendo necessário ir até o final.

Além de preocupante e mortal é criminosa a conduta dos responsáveis pelo jogo: representa indução ou instigação ao suicídio, extensivo a qualquer um que convide ou compartilhe outra pessoa a jogar. Consumada a morte, está configurado o previsto no artigo 122 do Código Penal brasileiro: induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, com pena prevista de reclusão de dois a seis anos, podendo a pena ser duplicada caso a vítima seja menor de 18 anos, o que é muito comum entre as vítimas.

Se a pessoa desistir e efetivamente for ameaçada, quem pratica a ameaça comete o crime previsto no artigo 147, também do Código Penal: “ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave. Pena: detenção de um a seis meses ou multa”. (AE)

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