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Roupas e sapatos biodegradáveis são produzidos como alternativa para combater o desperdício de materiais pela indústria têxtil

Mais de 80% dos retalhos produzidos no Brasil vai para o lixo. (Foto: Reprodução)

Estimativas do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) apontam que o mercado têxtil brasileiro produz cerca de 170 mil toneladas de retalhos por ano – mais de 80% desse total vai para lixões. O descarte incorreto desses tecidos lota aterros e lixões irregulares.

A decomposição desses tecidos é lenta, especialmente se houver fibra sintética nas peças, e a reciclagem é dificultada pelo mesmo motivo: separar as fibras (muitas vezes misturadas entre naturais e sintéticas) exige uma logística estrutural reversa que o País ainda não tem.

O setor enfrenta grandes pressões para se reinventar: é a segunda indústria mais poluente do mundo, com alto uso de insumos como água, energia e químicos, desde o cultivo até a venda da peça para o consumidor final. Juntas, as indústrias têxteis e de vestuário representam a quarta maior atividade econômica e mais de 14% dos empregos em todo o planeta.

O Brasil, nesse caso, é o quinto do segmento têxtil e o quarto em confecção. A estatística consta em um relatório intitulado “Sustentabilidade e Competitividade na Cadeia da Moda”, elaborado pela empresa de consultoria Uniethos.

Uma alternativa para poluir menos é o investimento em novos materiais para tecidos. Há quatro anos, a Rhodia lançou o primeiro fio biodegradável do mundo. O pioneirismo e a preocupação com o meio ambiente marcam fortemente o portfólio da empresa, segundo Renato Boaventura, presidente da unidade global de negócios Fibras da Solvay (dona da Rhodia).

“Dentro dos nossos negócios, acreditamos que a questão da sustentabilidade no setor têxtil passa por uma grande transformação e o que nós queremos realmente é promover e acelerar a promoção dessa sustentabilidade. Estamos falando de redução de impacto, redução de água e energia, produtos biodegradáveis e reciclados, de fonte renovável, de economia circular”, resume.

A solução da decomposição natural é uma opção que faz muito sentido para o Brasil. Segundo Boaventura: “A realidade do mercado brasileiro é que, infelizmente, 90% do lixo vai para aterros sanitários, então não dá para a gente desconsiderar essa realidade. A solução do biodegradável atende esse aspecto”.

Recentemente, a empresa desenvolveu o primeiro fio têxtil de poliamida biodegradável voltado à confecção de uniformes escolares. A roupa se decompõe rapidamente quando descartada em aterros sanitários – em menos de três anos, segundo a organização. Não gerando resíduos, o fio também acelera a geração de biogases, podendo ser usado como matéria-prima para geração de energia elétrica.

A opção pelo segmento de uniformes atende a uma particularidade – uma vestimenta com uso limitado, ou seja, de difícil reutilização e que se perde rapidamente com o crescimento de crianças e adolescentes.

“Percebemos que as escolas estão atentas à sustentabilidade, e nada como usar os próprios materiais dos uniformes para ajudar na formação de valores. Lançamos as peças no começo do ano e algumas instituições de ensino já começaram a usar. O objetivo inicial foi esse segmento mas percebemos espaços legais para uniformes profissionais de maneira geral”, relata.

Iniciativa premiada

A parceria com confecções de uniformes e malharias ajudou na viabilização do projeto como um todo. A iniciativa recebeu o Prêmio Eco de sustentabilidade de 2017.

Para a organização, essa mentalidade leva a novos negócios e oportunidades exclusivas de crescer. Um exemplo recente é a parceria com a Insecta Shoes, marca de sapatos orientada por uma filosofia vegana. Em janeiro deste ano, as duas empresas anunciaram uma parceria para fazer sapatos com um fio biodegradável.

Antes disso, a Rhodia nunca havia entrado no mercado calçadista. Foi preciso desenvolver tecidos especiais, linhas de costura, forro e até palmilha – toda uma gama de produtos para atender a esse mercado. O protótipo do modelo foi anunciado no evento Inspiramais, que aconteceu em São Paulo nos dias 16 e 17 de janeiro. Agora, a Insecta será responsável por desenhar uma coleção com lançamento já no segundo semestre.

“Nosso próximo passo é promover a economia circular: é o desafio para projetos internos. Esperamos crescer com soluções que promovam a sustentabilidade no setor têxtil”, projeta. A meta da empresa é ter, até o ano 2025, ao menos 50% do seu portfólio de produtos que promovam a sustentabilidade.

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