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Supremo entra em alerta com delação premiada que pode atingir o ministro Luiz Fux, que diz estar “chocado” com a leviandade do vazamento de “insinuações”

O ministro Luiz Fux disse que está "chocado" com o vazamento de um anexo da pré-delação de empresário. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

O STF (Supremo Tribunal Federal) voltou a entrar em alerta na quinta-feira (21), com rumores de que uma delação premiada pode atingir, ainda que indiretamente, um dos ministros do tribunal. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

Nesta sexta-feira (22), a revista Veja revelou a existência de um anexo na delação do empresário Jacob Barata.

Nele, Barata, conhecido como o “rei do ônibus” do Rio de Janeiro, diz que um ex-assessor do ministro Luiz Fux, do STF, teria sido o destinatário de uma propina de milhões de reais para ajudar a influenciar uma decisão judicial.

Segundo a publicação, Barata diz que, em 2011, ouviu do então presidente do conselho da Fretranspor, José Carlos Lavouras, que precisava retirar dinheiro do caixa para repassar a um assessor do ministro. A propina seria paga para influenciar uma decisão judicial.

Lavouras vive hoje em Portugal.

O funcionário que teria recebido o pagamento, José Antônio Nicolao Salvador, foi demitido do gabinete de Fux em 2016 porque, segundo o ministro disse à revista, parecia ostentar um padrão de vida superior ao que seu salário permitia.

O assessor nega que tenha recebido recursos.

Vazamento

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta sexta-feira (22) à colunista Mônica Bergamo que está “chocado” com o vazamento do anexo da pré-delação do empresário Jacob Barata, que envolve um ex-assessor de seu gabinete.

“Estou chocado com tamanha leviandade. Fica claro o desespero em querer ofender a honra e a dignidade de quem serve a nação”, afirmou ele.

“Publicou-se apenas uma insinuação, um ataque a um ministro honrado e sem máculas. Ministro que continuará a apoiar os esforços da nação brasileira contra a corrupção, dentro da lei. E que continuará um defensor perpétuo da liberdade de imprensa, mesmo quando ela erra”, afirma Fux.

Sentença

A assessoria de Barata diz que ele desistiu da delação e confessou seus crimes. Aguarda ainda por uma sentença.

Fux diz que se sente “ultrajado” com a publicação da reportagem que, para ele, carece de fundamentos.

“Ela se baseia não numa delação, mas numa proposta de delação?, ainda não aceita, em que o que promete delatar diz que ouviu falar no pagamento de uma propina, mas não sabe de quanto e nem se ela foi efetivamente paga. A própria revista menciona que só examinei a matéria que afetava a entidade [Fetranspor] numa votação, segundo a revista, com ‘decisão totalmente previsível'”.

Segundo Fux, ele herdou o processo do ministro Eros Grau. “A decisão a favor do pleito já tinha sido aprovada por unanimidade pelo plenário antes de minha entrada no tribunal [STF]. A mim coube embargos de declaração, incapazes de mudar a decisão. E o plenário mais uma vez votou unanimemente.”