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Tito Guarniere Terceira dose da vacina

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O Plano Nacional de Imunização (PNI) superou a marca de 130 milhões de pessoas vacinadas. (Foto: Cristine Rochol/PMPA)

Semana passada, o Ministério da Saúde anunciou que está em estudos a aplicação de uma terceira dose para vacinados da Coronavac. A notícia veio assim, do nada.

Poderia ser bom, se toda a população brasileira já estivesse imunizada – mas mal chegamos aos 50% de primeira dose, e cerca de apenas 20% de segunda. Isto é, com apenas 20% da população imunizada completamente (a dose única da Janssen e duas doses das demais), o governo cogita de uma terceira dose.

A primeira impressão é a de que o plano obedece a critérios mais políticos do que técnicos. Porque um governo que sempre desdenhou a vacina até o limite do deboche, que atrasou todas as providências para a sua aquisição, de repente, ainda no meio do caminho para a vacinação completa, passa a propor um reforço, uma suplementação?

Notem que o “estudo” só diz respeito à terceira dose para quem recebeu a Coronavac. Uma terceira dose, que não seria da Coronavac, mas de alguma das outras, Pfizer, Moderna, Janssen e AstraZeneca.

Já está bem assentado que todas as vacinas podem precisar de uma dose extra, de um reforço. Israel, por exemplo, já está aplicando uma dose suplementar da vacina Pfizer em idosos, em geral considerada a mais eficaz das que estão em uso. O detalhe é que em Israel praticamente toda a população já foi imunizada.

Nenhuma das vacinas garante imunidade total – mas uma imunidade em alto grau, assegurando um número menor de contágios, de internações, de uso de UTIs e de óbitos. As estatísticas macabras tendem a declinar quase na mesma hora em que avança a vacinação. É o que está ocorrendo agora no Brasil, apesar de estarmos ainda distantes de um patamar capaz de virar o jogo.

É surpreendente, pois, que um governo tão recalcitrante, tão teimoso nas suas convicções negacionistas, de repente se tome de cuidados e se arvore em guardião da qualidade de uma das vacinas, a Coronavac. O estudo seria perfeitamente admissível se alcançasse todas as vacinas, não apenas uma, escolhida a dedo como “patinho feio”.

A folha corrida desse governo aponta para – por “coincidência” – a vacina que está ligada ao governador João Doria, seu desafeto e rival.

O que o governo pretende é apagar, de vez, a impressão de que se conduziu de forma errática e incompetente no combate à pandemia, consequência das suas obsessões negacionistas, do seu desprezo aos cânones da ciência.

Assim, procede-se o estudo planejado, que irá concluir – podem escrever – que a Coronavac é fraca, insuficiente para combater a doença. Daí virá o raciocínio “lógico”: Doria se precipitou, fez uma escolha oportunista e errada da vacina chinesa. Ao direcionar o alvo para Doria, Bolsonaro livra a própria cara da atuação pífia do seu governo no combate à pandemia.

Doria não é meu personagem predileto. Mas ninguém pode lhe tirar o mérito de ter saído na frente na fabricação do imunizante. Não fosse ele o governo federal atrasaria mais uns três meses para começar a vacinação, perdido que estava na ilusão da “gripezinha”, e de que a panaceia de cloroquina e ivermectina seria capaz de vencer a doença.

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