Quarta-feira, 03 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2021
O presidente Alberto Fernández, da Argentina, foi indiciado por ter quebrado as regras da quarentena que o seu próprio governo havia imposto.
Em julho do ano passado, Fernández participou de uma festa da sua mulher, Fabiola Yanez, na residência presidencial, quando havia restrições a aglomerações.
Recentemente, fotos da festa vazaram. A oposição chegou a pedir impeachment de Fernández por ter participado de um evento que, na época, era proibido. No entanto, como os governistas dominam o Legislativo na Argentina, o caso não tem muita chance de progredir.
Além de Fernández, também foram indiciadas a primeira-dama e cinco outras pessoas que participaram da festa.
O promotor do caso, Ramiro González, fez com que todos os que participaram da comemoração fossem notificados de que são investigados por um possível delito. Fernández, que é advogado, afirma que não houve delito no caso — ele apresentou-se na Justiça sem um representante.
Doação do salário
Fernández se apresentou de forma voluntária à Justiça para tentar um acordo: ele sugeriu o pagamento de uma multa equivalente a metade de seu salário, por quatro meses, para resolver o caso sem a abertura de um processo. O dinheiro seria doado a uma instituição de saúde.
A denúncia da Promotoria traz ainda mais problemas ao presidente, que sofreu duras críticas desde que foi revelada a festa na residência oficial de Olivos.
“Como já expressei publicamente, assumo total responsabilidade pelo que aconteceu na Residência Presidencial de Olivos”, escreveu Fernández no documento entregue ao tribunal em que propõe o acordo. Ele pede ao juiz que decidirá se abre ou não um processo que, dada a ausência de danos provocados pela festa, considera a “insignificância penal (nem moral nem social) da conduta” em questão.
Embora seja improvável que o presidente argentino seja condenado, a declaração de Fernández perante o juiz mostra como os governistas tentarão agir para ao menos reduzir os danos provocados pelo caso, semanas antes de duas votações. No dia 12 de setembro, serão realizadas as eleições primárias e, no dia 14 de novembro, as eleições legislativas, com renovação de 127 das 257 cadeiras da Câmara e de 24 das 72 do Senado.
Até o momento, o país registra 5,16 milhões de casos e 111 mil mortes, e passou por algumas duras quarentenas ordenadas por autoridades federais e regionais. Além da crise sanitária, o governo de Fernández não consegue recuperar a economia nacional, e hoje cerca de 50% da população vivem abaixo da linha da pobreza. Por outro lado, agora a vacinação contra a xovid avança com mais rapidez, com mais de 60% da população tendo tomado a primeira dose, e 28% as duas.
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