Domingo, 14 de junho de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
13°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas O PL do Desmatamento e o descaso ambiental dos governos

Compartilhe esta notícia:

Congresso aprovou o projeto que altera regras para o licenciamento ambiental

Foto: Reprodução
Congresso aprovou o projeto que altera regras para o licenciamento ambiental. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Em meio à maior crise climática da história recente do Brasil, quando o Rio Grande do Sul ainda se recupera das trágicas enchentes e milhares de famílias seguem desabrigadas, o Congresso Nacional escolhe mirar na direção oposta à da preservação ambiental.

Em vez de priorizar ações de contenção, prevenção e adaptação climática, parlamentares avançam com o chamado PL do Desmatamento — um retrocesso grave que escancara a falta de compromisso estrutural com o meio ambiente.

Esse projeto de lei, disfarçado sob o argumento da “segurança jurídica para o produtor rural”, propõe, na prática, flexibilizar regras de proteção da vegetação nativa, reduzindo a fiscalização e anistiando desmatamentos ilegais. É uma tentativa clara de enfraquecer o Código Florestal, abrir brechas para a grilagem de terras e premiar quem age à margem da lei ambiental.

Trata-se de um ataque direto aos biomas brasileiros — em especial à Amazônia e ao Cerrado —, justamente em um momento em que o mundo inteiro cobra mais responsabilidade dos países diante das mudanças climáticas. O Brasil, ao invés de liderar o debate pela sustentabilidade, escolhe seguir na contramão, rifando seu patrimônio natural em nome de interesses imediatistas.

A omissão não é exclusiva do Congresso. Governos estaduais e o próprio governo federal têm sido, muitas vezes, coniventes com retrocessos ambientais. As ações são tímidas, fragmentadas e frequentemente contraditórias. Promete-se proteção ambiental em discursos internacionais, mas por aqui seguem as queimadas, o avanço do garimpo ilegal e a redução de recursos para órgãos como o Ibama e o ICMBio.

Os impactos disso são visíveis. A crise climática deixou de ser previsão futura: ela já está aqui, afetando diretamente vidas, economias e ecossistemas. Quando o Estado falha em proteger o meio ambiente, ele falha em proteger as pessoas. Os mais pobres, os indígenas, os agricultores familiares, os moradores de áreas vulneráveis são os primeiros a pagar o preço da destruição ambiental institucionalizada.

É preciso dizer com todas as letras: o PL do Desmatamento é um projeto de destruição. E todo parlamentar que vota a favor dele assume a responsabilidade por futuros desastres naturais, pela perda da biodiversidade e pelo agravamento das condições de vida no país.

Em vez de desmontar a legislação ambiental, o Brasil precisa avançar. Precisamos de políticas de reflorestamento, transição energética, incentivos à agroecologia, proteção aos povos originários e educação ambiental. Precisamos de compromisso de verdade — não só para agradar plateias internacionais, mas para garantir futuro para as próximas gerações.

O meio ambiente não é um entrave ao desenvolvimento. Ao contrário: é a base de qualquer projeto de país soberano, justo e sustentável. Desmatar hoje é empobrecer o amanhã.

* Guto Lopes, jornalista da Rede Pampa

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

3 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Adalberto Meneguzzi
19 de julho de 2025 09:36

No início desse século, os “especialistas” diziam que, devido ao aquecimento global e o derretimento de geleiras, a maior parte do litoral brasileiro deixaria de existir em… 2025!
Puro alarmismo para impedir o desenvolvimento da agropecuária brasileira, enquanto nos demais países tudo estava liberado.
Essa gente vive trabalhando contra o Brasil!

Vanderlei Ochoa
19 de julho de 2025 11:45

O AGRO, nesse modelo, está destruindo as florestas, os biomas, poluindo o solo, o ar, os rios e lagos e geram assoreamento que por sua vez provocam enchentes que atingem milhões de pessoas, especialmente as populações ribeirinhas. É só viajar dentro do RS para constatar. Mata atlântica devastada e bioma pampa com 30% de sua área destruída para plantar soja transgênico. Tudo parra exportações. Safras subsidiadas com impostos dotrabalhador pobre . Um dos maiores produtores de alimentos do mundo e seu povo passando fome e tendo nos alimentos que subsidia uma carestia sem fim. O AGRO É POP?

Fernando Krause
19 de julho de 2025 15:01

Os jumentopatas adoradores do encantador vigarista criticam o agro, mas o CRÁPULA do chefe deles gosta muito de gastar os muitos R$ BILHÕES que o setor arrecada em impostos…
O ex presidiário é um populista embusteiro e mentiroso, que junto com a seita diabólica e seus puxadinhos associados trabalham CONTRA o Brasil!

Falsos representantes usam nome da Conab para aplicar golpes em diferentes estados
“Projeto Terra – Eu sou Cohab” pretende regularizar mais de 60 mil unidades imobiliárias
Pode te interessar
3
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x