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Colunistas A era dos amores frágeis: intensidade sem profundidade

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A vida moderna desaprendeu a tolerar desconfortos

Foto: Divulgação
A vida moderna desaprendeu a tolerar desconfortos. (Foto: Divulgação)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Puxe uma cadeira, pegue o seu café (ou uma taça de vinho, não julgo) e vamos conversar de perto.

Como psicóloga, há 20 anos, meu consultório é um termômetro vivo da alma humana. E, ultimamente, o diagnóstico é claro: estamos vivendo na era dos relacionamentos líquidos.

Tem gente que encontra amor hoje do mesmo jeito que pede delivery: escolhe no aplicativo, olha as avaliações, vê as fotos, calcula a distância e, se demorar muito para responder… cancela o pedido emocional.

Sejam bem-vindos aos relacionamentos líquidos, onde o “pra sempre” anda vencendo mais rápido que iogurte aberto na geladeira.

Como é na prática hoje

A modernidade criou uma geração que desliza o dedo para os lados procurando conexão, mas mal consegue sustentar uma conversa quando aparecem diferenças, silêncio ou frustração.

A lógica atual parece simples: “se deu trabalho, troca”. É quase como trocar a senha do Wi-Fi quando ele oscila por dois minutos, ou trocar o celular assim que é lançado a versão mais moderna. E, talvez, seja justamente aí que mora o problema.

A vida moderna desaprendeu a tolerar desconfortos. Muitas pessoas não querem esperar, construir, negociar, amadurecer. Querem intensidade instantânea, respostas rápidas, borboletas no estômago e zero boletos emocionais. Só que relacionamento sem conflito é igual academia sem dor muscular: provavelmente não está funcionando.

Escândalo moderno

Esses dias, a internet parou para comentar a separação de Virgínia Fonseca e Vini Jr. O casal, que parecia viver aquele roteiro perfeito de rede social, viagens, declarações, fotos impecáveis e milhões de curtidas, anunciou o fim do relacionamento de forma madura. E uma frase da Virgínia chamou atenção: ela disse que aprendeu a “não negociar o que é inegociável”. Confesso! Achei uma das frases mais sensatas no meio dessa bagunça afetiva.

Porque amor não é sobre aceitar qualquer coisa para não ficar sozinho. Muita gente entra em relacionamento negociando os próprios valores como quem aceita os “termos de uso” sem ler.

Vai abrindo mão da paz, da dignidade, dos sonhos e dos próprios limites… tudo para manter alguém por perto. E depois ainda diz: “Não sei onde me perdi”.

Ora, meu bem, às vezes você foi se abandonando aos pouquinhos para não ser abandonado primeiro. A verdade é que estamos vivendo uma geração que morre de medo da solidão, mas também morre de medo da profundidade.

Quer companhia, mas sem responsabilidade emocional. Quer intimidade, mas sem vulnerabilidade. Quer alguém do lado desde que não atrapalhe a rotina, o ego, o feed e, de preferência, nunca contrarie.

Só que relações reais têm atrito. Têm dias sem filtro bonito. Têm DR no meio do jantar, ciúme mal explicado, cansaço acumulado e momentos em que o amor não parece uma cena de Netflix, a vida não é um morango meu bem

Talvez amar hoje seja justamente isso: encontrar alguém disposto a permanecer mesmo quando a paixão desacelera e a realidade aparece de pijama velho.

No meio de tantos amores rápidos e descartáveis, talvez a verdadeira revolução seja aprender a permanecer com consciência, e não por carência.

E, talvez, seja por isso que, depois de tantos anos ouvindo histórias, conflitos, despedidas e reencontros dentro do consultório, é que eu também tenha aprendido uma coisa muito importante sobre os relacionamentos: “No fim das contas, quase todo mundo está apenas tentando encontrar um lugar seguro para ser amado”.

Não desista, mas faça isso sem anular ou precisar desaparecer de si mesmo (a) no caminho…

* Tatiane Scotta, psicóloga, sexóloga e palestrante

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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