Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2017
Saboreando rabada e dobradinha na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente Michel Temer, mostrou nesta quinta-feira (7) tranquilidade em relação à apresentação de uma segunda denúncia pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra ele. Segundo os presentes, ele comemorou os bons resultados da Economia e da viagem à China, revelou disposição para enfrentar “o que vier aí pela frente” e pareceu confiante de que uma segunda denúncia irá ser rejeitada na Câmara, como a primeira.
“Todos estão estarrecidos com os últimos acontecimentos envolvendo os executivos da JBS”, disse o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, ao sair do almoço.”O presidente Michel Temer está tranquilo e preparado para enfrentar qualquer tipo de especulação” completou Imbassahy.
Segundo o ministro da articulação política, a avaliação dos presentes ao almoço é que a reviravolta na delação dos executivos da JBS e a provável prisão do empresário Joesley Batista, pode favorecer a retomada das votações da reforma da Previdência.
“A reforma da Previdência é complexa, mas já há uma movimentação no Congresso para aprová-la”, disse Imbassahy.
“O que acontece é muito grave e entristece todo o país, porque envolve um ex-presidente da República”, comentou Imbassahy.
Ao contrário do que tradicionalmente acontece nas comemorações da data nacional, 7 de Setembro, dessa vez o presidente Michel Temer não fez nenhum pronunciamento à Nação, nem em cadeia de rádio e TV, ou em mensagens de vídeo nas redes sociais, até agora.
Pacto de sangue
Sem meias palavras, o ex-ministro e antigo braço direito de Lula, Antonio Palocci, acusou o ex-presidente: ele tinha um pacto de sangue com a Odebrecht e recebeu um pacote de propina que incluía o terreno do Instituto Lula, o sítio em Atibaia, palestras com cachê de R$ 200 mil cada uma, e R$ 150 milhões para as campanhas do ex-presidente. Tudo dinheiro de corrupção em contratos superfaturados com empresas públicas. Palocci afirma que Dilma sabia e compactuava com o esquema criminoso, e que ele e Lula tentaram atrapalhar as investigações da força-tarefa da Lava-Jato.
O ex-ministro Antonio Palocci falou por cerca de duas horas ao juiz Sérgio Moro. Nesta ação, além de Palocci, são réus o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras seis pessoas.
A ação apura se a Odebrecht pagou propina de R$ 12 milhões a Lula com a compra de um terreno em São Paulo, onde seria construída a sede do Instituto Lula, e também de um apartamento vizinho ao de Lula, em São Bernardo do Campo.
No depoimento Palocci também foi questionado sobre outros assuntos e respondeu a todas as perguntas
Palocci está preso desde setembro de 2016. Em junho, em outra ação da Lava-Jato, foi condenado a 12 anos de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Nessa ação, o Ministério Público afirma que o ex-ministro intermediou o repasse, no exterior, de US$ 10 milhões da Odebrecht ao casal de marqueteiros João Santana e Monica Moura, responsáveis por campanhas presidenciais de Lula e Dilma. Palocci é apontado como o Italiano em planilhas do setor de propinas da Odebrecht.
Depois do depoimento desta quarta a Sérgio Moro, Antonio Palocci foi levado de volta à carceragem da Polícia Federal, onde segue preso. (AG)