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| O patrimônio do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, cresceu 457%, apontou o Ministério Público Federal

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Em agosto, Nuzman retificou sua declaração de Imposto de Renda. (Foto: Francisco Medeiros/ME/Fotos Públicas)

A possível tentativa de ocultação de bens motivou a PF (Polícia Federal) a prender temporariamente o presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Carlos Arthur Nuzman.

De acordo com documento do MPF (Ministério Público Federal), o patrimônio do dirigente cresceu 457% em uma década e, logo após a deflagração da operação Unfair Play, em agosto, Nuzman retificou sua declaração de imposto de renda acrescentando itens curiosos: os R$ 480 mil em espécie encontrados pela PF na residência dele e 16 barras de ouro de 1 kg cada, avaliadas em cerca de R$ 2 milhões pela cotação atual. Para o MPF, esta seria uma manobra para “conferir aparência de transparência e licitude a bens que estavam ocultos”.

As informações foram obtidas através da quebra do sigilo fiscal de Nuzman. O patrimônio do dirigente cresceu 457% de 2006 a 2016, tendo o ano de 2014 como o mais expressivo em termos de enriquecimento. Neste ano, os bens de Nuzman aumentaram em R$ 4.276.057,33. Deste montante, R$ 3.851.490,00 são decorrentes de ações de uma empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, que o MPF ressalta ser um conhecido paraíso fiscal.

Comparando-se os rendimentos declarados por Nuzman no Imposto de Renda com essa variação, o MPF acredita que houve uma omissão de rendimentos que seria, no mínimo, da ordem de R$ 1,87 milhões.

O MPF afirma que as declarações de IR (Imposto de Renda) de Nuzman não registram remuneração seja do COB ou do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, do qual ele também foi presidente. Situação que tornaria ainda mais difícil a justificativa da origem do patrimônio do dirigente, que alega ter recebido valores de pessoas físicas e do exterior.

Em 5 de setembro, Nuzman foi conduzido à sede da PF para depor enquanto a residência dele, em um bairro nobre do Rio de Janeiro passou por uma operação de busca e apreensão. Nela foram encontrados R$ 480 mil em cinco moedas diferentes. No dia 20 de setembro, a declaração de Imposto de Renda de Nuzman foi retificada, e este montante foi acrescentado, assim como a existência de 16 barras de ouro de 1kg cada, depositadas na Suíça.

O MPF acredita que as barras de ouro estavam num cofre na Suíça, pois uma chave guardada junto a cartões de visitas de serviços de locação estava entre os objetos apreendidos. O MPF vê a ação como uma tentativa de regularização de Nuzman. A mesma, no entanto, não foi convincente, pois não houve retificação nos rendimentos do contribuinte, sendo estes os mesmos das declarações originais.

Nuzman tornou-se alvo das investigações da PF e do MPF por ser apontado como elemento central de conexão para o pagamento de propina do governo do Estado Do Rio de Janeiro para a compra de votos na eleição que definiria o Rio como sede olímpica de 2016.

O dirigente teria facilitado o contato de Arthur Soares, empresário vinculado a operações ilícitas do ex-governador Sérgio Cabral, a Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack. Lamine, além de votante na eleição do Comitê Olímpico Internacional, era figura de grande influência para outros votantes do bloco africano.

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