Quarta-feira, 08 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de dezembro de 2018
As ondas gigantes do tsunami que matou mais de 300 pessoas na Indonésia derrubaram casas e tomaram o povoado de Sunaria, em Sukarame, levando tudo.
“A água surgiu com um barulho forte, como de ventanias”, conta o homem de 42 anos. “Eu não esperava aquilo. Não houve alerta. No começo pensei que se tratava de uma onda grande causada pela maré, mas a água não parava de subir.”
O indonésio então começou a correr com a família para a parte alta do povoado, na costa de Java. Ele considera que teve sorte porque vários moradores de Sukarame morreram assim que as grandes ondas chegaram, na noite de sábado, após a erupção do vulcão Anak Krakatoa.
“Minha família está segura agora, mas minha casa foi destruída, o tsunami levou tudo”, lamentou Sunaria. Agora, ele ajuda nos trabalhos de resgate. “Procuro corpos que não foram encontrados. Nesta segunda-feira, 24, achamos um e estamos checando os locais afetados pela tragédia.”
Outra moradora da região, Sunarti, caminha com a água até a altura dos joelhos em busca de seus pertences que foram espalhados pela força do tsunami. A mulher de 61 anos que tem apenas um nome – como muitos indonésios – comemora o fato de a mãe, de 100 anos, ter sobrevivido. A família se refugia agora em partes altas do povoado porque as autoridades alertaram para a possível ocorrência de novas ondas gigantes. “Minha vida era difícil. Éramos muito pobres e agora acontece isso”, lamenta.
Banda atingida durante show
Uma banda empolgava o público em um concerto privado à beira-mar e o vocalista levantava os punhos a cada nota cantada, sem conhecimento do perigo que se aproximava. Enquanto ele caminhava pelo palco, uma onda gigante invadiu a costa da praia de Tanjung Lesung, na Ilha de Java, levando o show a um repentino e trágico fim.
Em um vídeo gravado a uma certa distância do palco é possível ver as instalações e os membros da banda serem levados pela onda. Alguns desaparecem debaixo d’água. Quem estava na plateia gritava enquanto tentava fugir. E a gravação é encerrada de repente.
Um membro da banda, identificado pelo Channel News Asia apenas pelo seu primeiro nome, Zack, disse que sobreviveu porque conseguiu se segurar a uma parte do palco que havia sido destruída. “Embaixo d’água eu só conseguia rezar ‘Jesus Cristo, me ajude!’”, disse ele. “Nos últimos segundos, quase fiquei sem ar.”
O show da banda Seventeen era parte de uma confraternização de fim de ano dos funcionários da estatal de energia elétrica Perusahaan Listrik Negara. Vinte e uma pessoas que acompanhavam o show morreram.
VIDEO: The moment there was pandemonium after wave crashes into concert at resort in western Java, while Indonesia's #SeventeenBand was performing https://t.co/fIOrsZYUP6
Warning: Some might find this video distressing. pic.twitter.com/Z589A0KuF2
— CNA (@ChannelNewsAsia) December 23, 2018
No domingo, o vocalista do grupo, Riefan Fajarsyah, publicou em sua conta no Instagram um vídeo no qual aparece com lágrimas nos olhos. “Andi, Herman e Ujang ainda não foram encontrados. Por favor, rezem por eles”, disse, emocionado. “Rezem também para que minha mulher seja encontrada logo. Rezem também por Bani e Oki (que morreram na tragédia).”
O grupo de rock foi formado em 1999 na cidade de Jogjacarta, na Ilha de Java, quando todos os membros tinham 17 anos, o que teria inspirado o nome da banda. Eles lançaram o primeiro álbum quatro anos depois, seguido por outros seis nos anos seguintes. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
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