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TV A OAB está preocupada com cenas de desrespeito às mulheres no BBB

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A diretoria de mulheres da OAB-RJ divulgou uma nota oficial de repúdio ao tratamento dado às mulheres pelos participantes masculinos do reality show. (Foto: Reprodução)

A diretoria de mulheres da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio de Janeiro) divulgou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial de repúdio ao tratamento dado às mulheres pelos participantes masculinos do reality show Big Brother Brasil 2020, da TV Globo.

Na carta, assinada por Marisa Gaudio (Diretora de Mulheres da OAB-RJ) e Rebeca Servaes (Presidente da Comissão OAB Mulher), a entidade afirma que é “extremamente preocupante que comportamentos como esses sejam veiculados em rede nacional de forma naturalizada”.

A OAB declara que a grande repercussão da atração aumenta a responsabilidade com relação à exibição de contatos físicos que podem ser interpretados como de cunho sexual. “Além disso, é no mínimo temeroso colocar sobre as vítimas a responsabilidade da sanção contra esses atos. Isso porque, comumente, por questões estruturais da sociedade, as vítimas não têm consciência da gravidade das situações que vivenciam e, muitas vezes, também optam por não penalizar seus agressores, dentre muitos motivos, pelo temor de a denúncia se voltar contra elas”, diz o texto.

Leia abaixo a íntegra da nota:

A Diretoria de Mulheres da OABRJ e a Comissão OAB Mulher da Seccional do Rio de Janeiro vêm a público manifestar sua indignação a respeito do tratamento dado às mulheres pelos participantes homens do reality show Big Brother Brasil 20. Estão sendo veiculadas na TV e noticiadas nas redes sociais diversas cenas em que, não só as participantes mulheres são completamente coisificadas e ofendidas, como também sofrem contatos físicos que podem ser interpretados como de cunho sexual.

É extremamente preocupante que comportamentos como esses sejam veiculados em rede nacional de forma naturalizada. Eles refletem a violência com que as mulheres são tratadas diariamente em nosso país e podem acabar estimulando a perpetuação desse tipo de conduta pela sociedade, que a entende como positiva, já que está sendo praticada por homens que acabam se tornando ‘ídolos’. Além disso, é no mínimo temeroso colocar sobre as vítimas a responsabilidade da sanção contra esses atos. Isso porque, comumente, por questões estruturais da sociedade, as vítimas não têm consciência da gravidade das situações que vivenciam e, muitas vezes, também optam por não penalizar seus agressores, dentre muitos motivos, pelo temor de a denúncia se voltar contra elas.

Tendo em vista a repercussão que o programa possui em todo o Brasil, é de suma importância ressaltar que comportamentos como esses não podem ser tolerados e normalizados. É necessário não só exaltar, mas agir em prol do respeito às mulheres, do fim da violência e de todo o tipo de discriminação por gênero.

A Diretoria de Mulheres e a Comissão OAB Mulher RJ reiteram o repúdio a qualquer ato de violência de gênero, permanecendo em sua missão de promover a conscientização sobre o assunto, além de ações para prevenção e enfrentamento dessa triste realidade.”

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