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Política A autocrítica que Bolsonaro tem feito de seu governo a portas fechadas

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Em conversas reservadas, Jair Bolsonaro tem feito um balanço de seu governo e admitido que cometeu “certos erros”. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em conversas reservadas, Jair Bolsonaro tem feito um balanço de seu governo e admitido que cometeu “certos erros”.

O ex-presidente passou a destacar, especialmente, dois pontos. A aliados do Partido Liberal, Bolsonaro diz, por exemplo, que cometeu “erros políticos” na montagem de seu governo e que se arrepende de ter ouvido demais alguns ministros. Entre as figuras que o ex-presidente cita nominalmente está Onyx Lorenzoni, que ocupou quatro ministérios durante seu mandato.

Outro nome que Jair Bolsonaro passou a se queixar de ter ouvido foi o do ex-ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque.

A irritação do capitão reformado com Albuquerque ficou latente após o escândalo das joias da Arábia Saudita. Bolsonaro culpa o militar pelo caso que o dragou, ao mencionar a tentativa de trazer ao país, ilegalmente, um conjunto de diamantes avaliado em R$ 16,5 milhões e retido pela Receita Federal. A tentativa do ex-presidente é de se descolar do escândalo, apesar de haver provas de que Bolsonaro agiu diretamente para tentar reaver as joias.

Além disso, o ex-presidente diz ter “apertado demais” brigas que não precisaria ter comprado. Para aliados, a leitura é que Bolsonaro se arrepende de ter dobrado a aposta em confrontos com o Judiciário, apesar de não admitir o erro explicitamente.

Joias

O governo brasileiro discutiu a produção da Petrobras e a entrada na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) com a Arábia Saudita sob o pretexto de tratar de energias “limpas”, indicam documentos obtidos pela Agência Pública e fontes no Itamaraty.

A viagem encabeçada pelo então ministro de Minas e Energia em outubro de 2021, tinha como justificativa o lançamento da “Iniciativa Arábia Saudita Verde”, mas nos bastidores se tratou da produção de petróleo e do lobby dos sauditas para reforçar o cartel da Opep, de acordo com a apuração.

Foi a segunda vez que o convite para o Brasil se juntar ao grupo foi feito diretamente ao primeiro escalão do governo Bolsonaro.

O evento funcionou como ação de greenwashing, termo usado para ações que parecem sustentáveis, mas na realidade servem para tentar melhorar a imagem de empresas e governos que poluem.

Foi dessa viagem que a comitiva voltou com as joias milionárias que seriam entregues como presente a Bolsonaro e à então primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), em vez de serem incorporadas ao acervo do Estado brasileiro, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

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