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Edson Bündchen A desglobalização e o novo tribalismo

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(Foto: Reprodução)

A atual pandemia da Covid-19 que varre o planeta e coloca de joelhos a economia mundial, vai redesenhar o modo como vivemos em sociedade, produzimos e planejamos o nosso futuro. Esse novo comportamento terá reflexos também na geopolítica e no questionamento à maneira como as cadeias produtivas foram estruturadas nas últimas décadas, gerando dependências que estão se mostrando críticas neste momento. A China, por exemplo, detém mais de 90% da produção de respiradores, impondo uma inédita e predadora corrida por esses equipamentos. A lógica que moveu o mundo para a globalização, especialmente a busca por maior eficiência econômica, começará a ser questionada com a inclusão de variáveis de natureza social no cálculo das decisões.

As transformações serão de tal magnitude que implicarão na reconfiguração de algumas premissas antes intocáveis do sistema capitalista, destacando-se duas de caráter mais urgente e estratégico: um retorno a políticas nacionais de produção, com menor dependência externa e a revalorização do consumo local frente ao estrangeiro, num movimento cujas dimensões e profundidade ainda são impossíveis de estimar com precisão.

Do ponto de vista econômico, haverá o questionamento dos governos quanto à extrema dependência da China e de outros países, especialmente asiáticos, enquanto fábricas do mundo, reforçando e resgatando conceitos que provoquem um novo fôlego a projetos de desenvolvimento nacional que supram maior autonomia em questões vitais como segurança, saúde e alimentação. A atual crise gerada pela pandemia da Covid-19 promete dar um novo relevo e papel aos governos de cunho nacionalista, com todos os riscos que esse tipo de evento pode gerar, tendo a história como testemunha. De se notar, que estaremos diante de um paradoxo desse novo tempo: justamente no momento em que o mundo precisa ser mais colaborativo e integrado para gerar consensos globais em questões críticas como a ameaça climática, nuclear e da Inteligência Artificial, um evento de magnitude colossal e em sentido contrário, desafia mais uma vez a humanidade a se superar e avançar.

Na agenda social, as mudanças também se pronunciam de grande alcance. Os períodos de quarentena, as dificuldades de locomoção entre países, bem como os efeitos do pânico sobre a população, devem desencadear mudanças profundas, não apenas na forma como desfrutar a vida, mas também no modo de consumo e valorização das comunidades, das relações pessoais e sociais, numa espécie de novo tribalismo. Isso poderá dar um forte impulso ao comércio local, reforçar as cadeias produtivas regionais, fortalecer ainda mais o cooperativismo e outras formas de associativismo, alçando pequenas indústrias, comércio e serviços a maior destaque estratégico. Os governos tenderão a desenhar políticas mais adequadas para o fortalecimento de projetos que reforcem o turismo interno, apoiem iniciativas que permitam a inserção social dos menos favorecidos e incentivem práticas comunitárias, quer na esfera econômica, quanto social e cultural.

Esse novo mundo que se prenuncia, menos global, mais tribal e autocentrado, não pode e não deve abrir mão das extraordinárias conquistas que a globalização trouxe até aqui. É preciso conjugar, simultaneamente, um necessário repensar dos exageros e dependências críticas que se criou entre os países, porém sem esquecer, que a complexidade do mundo atual vai requerer cada vez mais uma forte coordenação entre as nações. Eis talvez, o maior desafio deste século!

 

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Ademir Inácio Ritter
14 de abril de 2020 00:44

Muito bom texto.

Valdir Bündchen
14 de abril de 2020 05:35

Amigo Edson, parabéns pelo texto escrito. O que colocaste de forma tão clara é uma ruptura com o caminho do globalismo que sinalizava um predomínio de ideias rumo a um governo central no mundo. Tenho uma pergunta que não quer calar e gostaria de sua opinião a respeito. Se juntarmos a produção agrícola dos EUA, BRASIL E ARGENTINA, estrategicamente falando que tipo de forca na segurança alimentar do mundo estaria se formando? Como a industrialização da cadeia alimentar dentro destes países poderia gerar empregos internos movidos pelo agronegócios? Obrigado por sua opinião. Um grande abraço, Valdir

Roberto Poersch Zawaski
14 de abril de 2020 01:11

Ótimo texto meu amigo.

Também acredito que este Vírus Chinês vai servir para as maiores potências mundiais repensem seus modelos econômicos e sociais e políticos.

Lecino Ferreira Silva
9 de abril de 2020 09:31

Há um século isso também aconteceu e em meio a primeira guerra mundial.
Agora percebemos o quanto o resto do Mundo é refém da China, que promove uma guerra biológia – pensada e calculada nos mínimos detalhes -,para alavancar sua economia e travar a dos outros países, Creio eu que o tiro saiu pela culatra; aguardemos!

Rosana R F Corá
15 de abril de 2020 02:31

Excelento texto, esclarecedor.

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