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Geral A elevação das concentrações de carbono na atmosfera ameaça a nutrição humana

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Culturas como o trigo perderão concentração de nutrientes com o avanço das emissões de carbono. (Foto: Reprodução)

A emissão de CO2 está alterando não apenas o clima global, mas também a composição nutricional de plantas que fazem parte da base alimentar de bilhões de pessoas no mundo, alerta estudo publicado na segunda-feira (27) na revista “Nature Climate Change”. Cálculos estimam que o empobrecimento de culturas como arroz e trigo pode, por exemplo, provocar deficiência de zinco em 175 milhões de pessoas e de proteínas em 122 milhões, até 2050. A pesquisa aponta ainda que mais de 1 bilhão de mulheres e crianças podem perder grande parte das fontes de ferro, aumentando o risco de anemia e outras doenças.

“Nossa pesquisa deixa claro que decisões que tomamos diariamente; em como aquecemos nossas casas, o que comemos, como nos transportamos e o que compramos; estão tornando nossos alimentos menos nutritivos, colocando em risco outras populações e as gerações futuras”, alertou Samuel Myers, pesquisador da Universidade de Harvard e autor principal do estudo.

Hoje, mais de 2 bilhões de pessoas têm deficiência em um ou mais nutrientes. Em geral, as plantas respondem pela maior parte dos nutrientes-chave para os humanos: 63% das necessidades de proteínas; 81%, de ferro; e 68%, de zinco. Pesquisas demonstram que concentrações maiores de CO2 resultam em plantas menos nutritivas. Em ambientes com concentrações do gás em 550 partes por milhão (ppm), as perdas de proteínas, zinco e ferro variam entre 3% e 17%, em comparação com níveis em torno de 400 ppm, como os atuais.

Com essas informações, Myers e seus colegas analisaram o peso dessas perdas para a saúde humana em 151 países, com informações de bancos de dados detalhados sobre os padrões alimentares por idade e sexo, com 225 alimentos diferentes.

Os resultados apontam que na metade do século, quando as concentrações de CO2 na atmosfera deverão estar por volta de 550 ppm, 1,9% da população global, ou 175 milhões de pessoas, sofrerão com deficiência em zinco; 1,3% da população, ou 122 milhões de pessoas, consumirá menos proteínas que o necessário; e 1,4 bilhão de mulheres e crianças com menos de 5 anos terão a ingestão diária de ferro reduzida em pelo menos 4%.

A Índia será o país mais afetado, com 49,6 milhões de pessoas com deficiência em zinco; 38,2 milhões com deficiência em proteínas; e 502 milhões de mulheres e crianças consumindo menos ferro que o necessário. Populações em países pobres, com menos acesso à proteína animal, tendem a sofrer mais com a perda nutritiva das plantas. Os pesquisadores destacam ainda que o estudo não considera as perdas de produtividade pela não adaptação de culturas ao clima em mutação.

“Uma coisa que esta pesquisa ilustra é o princípio fundamental do campo emergente da saúde planetária”, comentou Myers. “Nós não podemos romper com a maioria das condições biofísicas com as quais nos adaptamos ao longo de milhões de anos sem prever impactos sobre a nossa própria saúde e bem-estar.”

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