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Mundo A Justiça da Bolívia impõe quatro meses de prisão preventiva para ex-presidente do país

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Áñez é responsabilizada pela morte de 20 manifestantes opositores em 2019. (Foto: Divulgação)

A justiça da Bolívia determinou quatro meses de prisão preventiva para a ex-presidente da Bolívia Jeanine Áñez, que foi detida por suspeita de ter conspirado pela renúncia do ex-presidente Evo Morales em 2019. O Ministério Público havia pedido seis meses.

“Me enviam para quatro meses de detenção para esperar o julgamento por um ‘golpe’ que nunca aconteceu”, afirmou Áñez em uma rede social no domingo (14), após ouvir a decisão da juíza Regina Santa Cruz. “Peço à Bolívia que tenha fé e esperança. Um dia, com todos, construiremos uma Bolívia melhor”, declarou.

“O MAS [partido de Evo Morales e Luis Arce] decidiu voltar ao estilo de ditadura. É uma pena porque a Bolívia não precisa de ditadores, precisa de liberdade e soluções”, disse Áñez.

A ex-presidente de 53 anos foi detida em sua casa no sábado (13), na cidade de Trinidad, capital do departamento de Beni (a 600 km ao nordeste de La Paz). Ela estava escondida dentro do baú de uma cama box.

Advogada e ex-apresentadora de televisão, Áñez deixou o governo em novembro, após a vitória no primeiro turno de Luis Arce, ex-ministro da Economia de Evo.

A suspeita contra Áñez

O Ministério Público justificou o pedido de detenção da ex-presidente pela suspeita de conspiração para executar um “golpe de Estado” contra Morales, que renunciou em novembro de 2019 em meio a grandes distúrbios sociais após a sua reeleição.

Os opositores de direita e centro denunciaram na época que Morales, que estava no poder desde 2006, havia cometido fraudes na eleição para continuar a governar de maneira ininterrupta até 2025.

Os protestos provocaram um motim policial e um pedido das Forças Armadas para que Morales deixasse o cargo, o que fez o então presidente a renunciar e seguir para o exílio no México (e depois para a Argentina).

Desde a renúncia de Morales, a controvérsia sobre se sua saída foi um golpe ou não está no centro da polarização política no país.

A tese do golpe de Estado, defendida pelo atual governante boliviano, é refutada por setores da oposição que apontam que, em 2019, houve um levante social provocado pela suposta fraude eleitoral por meio da qual Morales pretenderia permanecer no poder.

Uma auditoria realizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou que haviam ocorrido irregularidades nas votações e que os resultados não eram confiáveis.

No entanto, a OEA não constatou ocorrência de fraudes. Estudos acadêmicos publicados em 2020 analisaram o método utilizado pela entidade e chegaram à conclusão que as análises da organização estavam incorretas.

Além da ex-presidente, outros cinco ex-ministros e chefes de polícia, civis e militares foram presos. As informações são do portal de notícias G1.

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