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Brasil A mulher de um dos amigos de Michel Temer usou dinheiro-vivo para pagar fornecedores de uma obra na casa de uma das filhas do presidente

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PF suspeita que propinas da JBS/Friboi tenham bancado a reforma. (Foto: Reprodução)

Mais um fornecedor que realizou a reforma na casa de Maristela Temer, uma das filhas do presidente Michel Temer, confirmou ter recebido um pagamento em dinheiro-vivo pela arquiteta Maria Rita Fratezi. Ela é mulher do ex-oficial da PM (Polícia Militar) paulista João Batista Lima, o “Coronel Lima”, apontado como recebedor de propina para o emedebista.

Ex-assessor e amigo próximo do presidente Temer há mais de 30 anos, o militar reformado teve o seu nome incluído na delação premiada de executivos do grupo JBS/Friboi como intermediário de uma propina de 1 milhão de reais para Temer. Há duas semanas, ele ficou preso junto com outros amigos do presidente, durante três dias, na carceragem da PF em São Paulo, mas não chegou a prestar depoimento – seus advogados alegaram que Lima tem problemas de saúde e não pode passar por situações de estresse emocional.

A obra foi realizada em 2014 (quando Temer ainda era vice-presidente da petista Dilma Rousseff) em uma residência de 350 metros quadrados, localizada na Zona Oeste de São Paulo e é alvo da PF (Polícia Federal) desde o ano passado. Além do casamento, Lima e Maria Rita são sócios. Na empresa que teria vendido o piso para a reforma, os funcionários informaram que o dono está fora do País.

Detalhes

Esta não é a primeira vez que fornecedores confirmam que a arquiteta pagou a reforma da casa de Maristela Temer com dinheiro-vivo. Em matérias publicadas na imprensa em junho do ano passado, outro fornecedor da obra admitiu, em “off” (sem ser gravado ou filmado) que havia sido pago com R$ 100 mil em espécie. A suspeita da PF é de que os montantes envolvidos sejam derivados de propinas pagas pelo conglomerado empresarial dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Desde o ano passado, a Polícia Federal tenta ouvir o Coronel Lima, sem sucesso. A defesa dele já apresentou pelo menos três atestados médicos, nos últimos meses, a fim de evitar o depoimento. Maristela também foi intimada para depor: ele compareceu na semana passada, chorou e preferiu ficar em silêncio.

Em nota, a defesa da mulher do amigo de Temer se manifestou sobre o caso. “A senhora Maria Rita Fratezi nega veementemente a prática de quaisquer ilícitos, assim como de quaisquer irregularidades”, frisou. Da mesma forma, o advogado do marido dela diz que o seu cliente também “rejeita a prática de quaisquer ilícitos, assim como de quaisquer irregularidades”.

Já o advogado de Maristela Temer diz que os fatos “estão sendo revisitadas pela imprensa”. E o Palácio do Planalto
se limitou a informar que não comenta questões referentes a Maristela Temer nem aos delatores do grupo JBS/Friboi. Na verdade, desta vez não foi um delator quem relatou o suposto fato, mas uma testemunha.

Outro que se manifestou foi o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun: nessa quinta-feira, ele declarou que a acusação de que a mulher do coronel João Baptista Lima teria pago a reforma na casa de uma das filhas de Michel Temer é “mais um capítulo da novela de perseguição ao presidente da República.

“É preciso parar de ter essa visão de que o que fala o delator é absoluta verdade”, concluiu o articulador político. “Eu não sei se os pagamentos realmente foram realizados.

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