Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de março de 2021
A Rússia está aumentando o alcance de sua vacina contra a Covid-19 no exterior, com a promessa de fornecer doses para quase uma em cada dez pessoas no planeta em 2021. Apesar disso, só uma pequena fração dessa expectativa foi produzida até agora.
“Nós temos a capacidade de providenciar a vacina para 700 milhões de pessoas fora da Rússia neste ano”, disse o chefe-executivo do Fundo Russo de Investimento Direto (FRID), Kirill Dmitriev, em uma entrevista. O fundo apoiou o desenvolvimento da Sputnik V e está encarregado de negociações internacionais. “Os maiores produtores serão Índia, China e Coreia do Sul”, completou.
O sucesso da Rússia em convencer cerca de 50 países a aprovarem a vacina reforçou suas ambições globais, com milhões de doses já entregues na América Latina, principalmente à Argentina e ao México.
O Brasil é o próximo a se somar à lista. Na sexta-feira (12), o Ministério da Saúde assinou contrato para compra de 10 milhões de doses da Sputnik, que começarão a ser entregues até o final de abril. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), também afirmou que os governadores do Nordeste devem assinar até quarta-feira (17) o contrato para aquisição de mais 37 milhões de doses da vacina russa.
A despeito das expectativas atuais, o lançamento da vacina foi mais lento do que o FRID esperava inicialmente e, na própria Rússia, o imunizante levou algum tempo para conquistar confiança. Dmitriev não comentou sobre o atual nível de produção dos principais parceiros no exterior, apenas disse que são “substanciais”.
Neste momento, os EUA aplicam mais vacinas a cada duas semanas do que toda a produção da Sputnik V na Rússia desde o começo da pandemia.
Até agora, as remessas para o exterior permanecem em números pequenos, mas isso pode mudar em breve, à medida que a Rússia acelera a produção. No país, cerca de 13 milhões de conjuntos de duas doses foram produzidos, de acordo com a vice-primeira-ministra, Tatiana Golykova. O FRID não divulga dados sobre quantas doses foram enviadas ao exterior, e o Kremlin afirma que as exportações não estão reduzindo o abastecimento local. Informações públicas dos países receptores permitem estimar que, no mínimo, 4 milhões de vacinas já foram entregues.
A Sputnik, que tem o índice de eficácia semelhante ao das principais vacinas do Ocidente, é utilizada em cerca de 30 países, de acordo com o FRID. Em comparação, a vacina da Pfizer está em 64 países, com 95 milhões de doses já tendo sido distribuídas pelo planeta.
Apesar do apoio político, a Rússia não dá descontos na Sputnik para países em desenvolvimento. A Sptunik é vendida, na África e na América Latina, por US$ 10 (R$ 56) a dose, preço igual ao do resto do mundo.
No começo da semana, a Rússia levou adiante um pedido para fabricar a Sputnik na União Europeia. O FRID anunciou um acordo para produzir na Itália, e está em diálogo com a França e a Alemanha. O bloco econômico de 27 países está atualmente avaliando o pedido para aprovar o uso da Sputnik. De acordo com informações de agências de notícias estatais, um oficial de alta patente do Kremlin alertou a Inteligência russa sobre uma suposta campanha de difamação advinda de países europeus que registraram a Sputnik.
Ao todo, o FRID tem acordos de produção com dez países, afirma Dmitriev.
A Rússia já diz ter vacinado até aqui 5 milhões de cidadãos, ou cerca de 5 aplicações para 100 adultos, em comparação com 36 no Reino Unido, quase 30 nos EUA, 10 na União Europeia e 4,5 no Brasil, de acordo com o rastreador de vacinas da Bloomberg. Nesse ritmo, levaria até 2022 para vacinar 70% dos russos. Os governantes dizem esperar alcançar esse número em agosto de 2021.
O FRID destaca que quase o dobro de pessoas na Rússia — 2,5 milhões — recebeu ambas as doses da vacina em relação ao Reino Unido. No entanto, o intervalo recomendado entre as aplicações é maior no Reino Unido e a parcela da população que ainda precisa ser vacinada é maior do que na Rússia.
Dmitriev conta que espera um “crescimento exponencial” na produção interna para acelerar a vacinação na Rússia. Ao final de junho, todos aqueles que querem a vacinação, entre 40 e 50 milhões, devem tê-la recebido, defende. O oficial não explicou o que causaria o aumento.
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