Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de setembro de 2016
Pesquisa do LNBio (Laboratório Nacional de Biociências), vinculado ao MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), revela que as proteínas presentes nas salivas dos pacientes com câncer de boca oferecem importantes indícios sobre o prognóstico e a evolução da doença. Os resultados abrem novas possibilidades de tratamento do carcinoma oral de células escamosas, um tipo frequente de câncer de boca. A enfermidade leva 20% dos pacientes à morte em até cinco anos após o diagnóstico.
No estudo, foram mapeadas as diferenças entre as proteínas da saliva dos pacientes com câncer, com e sem lesão, e das pessoas saudáveis.
Publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, a descoberta rendeu o 7 Prêmio Octavio Frias de Oliveira, na categoria pesquisa oncológica, à coordenadora do estudo, Adriana Franco Paes Leme, do LNBio. Segundo ela, a pesquisa selecionou um painel de proteínas capaz de diferenciar o grupo com câncer do grupo saudável com 90% de precisão.
“Esse estudo abre caminho para a definição de proteínas marcadoras de prognóstico que poderão auxiliar a decisão clínica dos oncologistas. Além disso, as proteínas selecionadas refletem alterações em mecanismos celulares que podem ajudar a elucidar o surgimento e a progressão deste tipo de câncer oral”, explicou a pesquisadora.
As amostras de saliva foram analisadas por meio da técnica de proteômica baseada em descoberta no LNBio. Os resultados levaram à identificação de 38 proteínas presentes somente na saliva de indivíduos com câncer e lesão ativa. Uma proteína específica, chamada PPIA, mostrou-se relacionada a um pior prognóstico da enfermidade, quando encontrada em baixa concentração na saliva. Mesmo em pacientes que removeram cirurgicamente as lesões ativas, o perfil proteico mostrou-se diferente, sugerindo alterações na resposta imune ou inflamatória.
Próximos passos.
Para validar os dados obtidos, os pesquisadores já se preparam para avaliar um número maior de indivíduos e incluir pacientes que fizeram tratamento com radioterapia. Além disso, a continuidade do projeto prevê análises de amostras de sangue e de tecidos tumorais. Os dados obtidos no laboratório continuarão a ser confrontados com o histórico clínico dos indivíduos que participam do estudo com o objetivo de relacionar as proteínas com metástase, recidiva e sobrevida.
“A saliva se mostrou uma fonte interessante de marcadores de prognóstico. Isso é animador, pois trata-se de um fluido que pode ser obtido sem a necessidade de procedimentos invasivos. Eu ainda não afirmo que temos marcadores de prognóstico, mas estamos trabalhando para isso”, conclui Adriana.
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