Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Brasil A semana em que nos despedimos de Sheun Ming Ling, pai do ciclo agroindustrial da soja no Brasil.

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Sheun Ming Ling. Foto Reprodução

Por conta do intenso noticiário concentrado nas orientações e informações sobre a propagação do Coronavirus, muitas pessoas não souberam da partida para o Oriente Eterno na madrugada da última quinta-feira, aos 99 anos, de Sheun Ming Ling, Fundador e Presidente Emérito do Conselho de Administração da Évora S.A. e patriarca da Família Ling, instituidora e mantenedora do Instituto Ling.
Reproduzindo informações de um de seus filhos na sua conta pessoal do Facebook,o empresário gaúcho Winston Ling, Sheun Ming deixa um legado empresarial, social e familiar que dará continuidade aos valores de confiança, simplicidade e frugalidade, respeito aos indivíduos, transparência, integridade e honestidade que marcaram a sua vida.
Com poucos recursos e sem completar sua educação formal, Sheun Ming migrou da China para o Brasil em 1951.
O dialeto que ele falava não era compreendido por muitos chineses – inclusive por Lydia Wong, a jovem elegante que saiu de Xangai, a “Paris do oriente”, para vir ao Brasil casar com ele em 1954.
Ambos se instalaram em Santa Rosa, situada no então poeirento noroeste gaúcho. O ganha-pão do casal era a febril atividade de Sheun Ming Ling como comprador de soja para fornecimento à indústria.
Em 1955, começou uma trajetória empresarial que deu início ao ciclo da soja no Brasil, evoluindo os negócios para um conglomerado industrial. Hoje a Évora S.A., através de três subsidiárias industriais, atua em 11 países com mais de 3000 colaboradores. Em 1995, como forma de retribuição ao país e à cidade que lhe acolheu, Sheun Ming fundou, com a sua esposa, Lydia Wong Ling, o Instituto Ling, entidade filantrópica que já contemplou 772 pessoas com bolsas de estudo e mantém centro cultural de referência em Porto Alegre.
A revista Amanhã registra trecho do livro “Entre dois mundos”, recordando que Sheun Ming Ling foi avançando a passos largos – e ele caminhava rápido, mesmo, além de afundar o pé no acelerador pelas estradas da região de Santa Rosa, visitando produtores para aumentar o volume de soja negociada. Tornou-se um industrial, fundou a Olvebra – Óleos Vegetais Brasileiros S/A – em sociedade com Charles Tsé. Introduziu no Brasil a embalagem redonda para o óleo de cozinha. Dedicou-se à difusão de uma nova suinocultura voltada para a oferta de carne e não de banha, mudança acolhida com entusiasmo pelos consumidores urbanos – que, naturalmente, migraram para o óleo vegetal. E numa cartada ainda mais audaciosa, lançou a primeira fábrica de leite de soja em pó até então no mundo. Comprou uma briga indigesta com o estigma que cercava o leite de soja nos anos 1970, e não teve sucesso, mas disparou com orgulho uma campanha em que anunciava “o alimento do século” – as décadas seguintes confirmariam a tendência de uso industrial do produto.
Sheun Ming continuará vivo nas memórias daqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Ele deixa Lydia, com quem foi casado por 66 anos, quatro filhos e nove netos. Seus descendentes familiares seguirão liderando os negócios e ações sociais que ele iniciou, perpetuando a geração de valor e o impacto positivo para seus colaboradores e comunidades.

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