Quinta-feira, 02 de Julho de 2020

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Bem-Estar Açúcar não combina com crianças e nos primeiros dois anos deve ficar longe delas

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O açúcar é prejudicial aos consumidores de todas as idades. (Foto: Reprodução)

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que 49% das crianças brasileiras, com menos de 2 anos, têm metade da sua alimentação diária composta por ultraprocessados, como farináceos, bebidas lácteas, refrigerantes e biscoitos.

Ainda segundo o órgão federal, 15,9% das crianças com menos de 5 anos já apresentam excesso de peso no País. A obesidade infantil é uma das possíveis consequências desse consumo excessivo e precoce, mas certamente não é a única.

O Guia Alimentar Para a População Brasileira, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde, já tinha entre suas principais orientações a redução do consumo de produtos ultraprocessados e o aumento da ingestão de alimentos naturais. Recentemente foi lançada uma nova versão do documento: o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos. A publicação traz entre as atualizações a recomendação de que as crianças menores de dois anos não tenham nenhum contato com açúcar, nem com ultraprocessados.

É fato que o excesso de peso aumenta a predisposição à doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto, problemas cardíacos e até câncer, males normalmente relacionados os adultos, mas cada vez mais comuns entre os pequenos. De acordo com o nutricionista da Fiocruz, Cristiano Boccolini: “O cenário de obesidade infantil é muito preocupante, com índices cada vez mais altos de diabetes e hipertensão. Cada vez mais as crianças estão recebendo produtos ultraprocessados em vez de comida de verdade. Temos de desembalar menos e descascar mais”.

O Guia segue uma recomendação do Programa dos Mil Dias, da Organização Mundial da Saúde, a OMS, que também sugere o que deve, ou não, frequentar a rotina alimentar das crianças. Esta preocupação acontece porque os alimentos oferecidos neste período irão interferir diretamente na formação dos sistemas endócrino, imunológico e neurológico. O pico de formação do sistema nervoso central se dá entre o terceiro trimestre de gestação e o décimo oitavo mês de vida, nesta fase há, portanto, uma grande necessidade de nutrientes. É também uma fase na qual as crianças ingerem pequenas quantidades de alimentos por vez, então, se as refeições forem compostas de produtos formados por calorias vazias, como: açúcar, sódio e gordura, que estão na composição dos ultraprocessados, eles irão deixar os pequenos saciados e ocuparão o espaço das vitaminas, fibras e minerais, presentes nos alimentos naturais. Essa substituição faz com que as crianças fiquem mal nutridas e tenham seu desenvolvimento prejudicado.

O açúcar é prejudicial aos consumidores de todas as idades. Ele serve de alimento para fungos e más bactérias, que atrapalham o funcionamento do intestino, consequentemente, prejudica a absorção de vitaminas e minerais e rouba energia do sistema nervoso central, gerando cansaço, sonolência, irritabilidade, falta de concentração, enxaqueca e aumento da gordura corporal, entre muitos outros sintomas, que variam de acordo com a predisposição genética de cada indivíduo. Além dos problemas ligados diretamente a ele, o seu consumo está quase sempre associado ao dos ultraprocessados, produtos como: bolachas recheadas, refrigerantes, bolos prontos, margarina, caldos, molhos e temperos prontos, macarrão instantâneo, gelatina etc, ricos em aditivos químicos, que são comprovadamente bastante nocivos ao cérebro e ao intestino em todas as fases da vida, muitos deles já são proibidos em outros países. Os efeitos negativos destes alimentos permanecem com o passar dos anos, portanto, o contato com eles deve ser sempre moderado.

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