Sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
13°
Mostly Cloudy / Wind

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Carlos Roberto Schwartsmann Afeto e compaixão

Compartilhe esta notícia:

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Talvez o maior desafio que o médico hodierno enfrenta é o de não perder o humanismo diante da fantástica evolução das máquinas nos novos tempos.

A tecnologia invadiu a medicina e, não intencionadamente, desumanizou o médico.

Entre os inúmeros sentimentos que podem ser desenvolvidos na relação médico-paciente, abordarei dois temas que são extremamente importantes: O afeto e a compaixão.

A relação afetiva é desenvolvida desde os primeiros minutos da consulta quando o médico deve demostrar que será o melhor parceiro para resolver a enfermidade ou o mal que atinge o paciente.

Ao invés de ficar olhando no computador, solicitando uma série de exames complementares, não seria melhor ouvir do paciente: Que coisas boas o senhor já fez? Ou faz? Seus hábitos! Conquistas dos filhos! E as peripécias dos netos!?

Muitas vezes o médico poderá entremear relatos pessoais numa demonstração de que também é humano. É necessário regar a relação afetiva.

Mas talvez o maior sentimento que o médico deve desenvolver dentro de si é o da “compaixão”. Esta palavra foi plantada e irrigada dentro no meu peito pelo confrade, mestre e professor, JJ Camargo. A cada conto, a cada encontro, a cada exposição, ele faz com que este sentimento se renove dentro de mim e de nós.

Compaixão é um sentimento onde se entrelaçam o cérebro e o coração. Saber sentir o que o outro está sentindo! Imaginar o que eu estaria sentindo se estivesse no lugar dele! É uma troca de posições! É entender e compadecer diante do sofrimento do outro, mas sem perder o necessário equilíbrio da razão. Realmente é um ensaio artístico que na plateia só tem 2 assistentes: O médico e o paciente!

Camargo um ícone da academia Sul Rio-grandense e Brasileira de Medicina elevou o nome da Santa Casa como referência mundial nos transplantes de pulmão.

Como escritor ira deixar centenas de artigos e vários livros.

Recentemente, após aposentadoria compulsória na universidade, reconhecendo humildemente sua trajetória vitoriosa, exaltou: “Nada pode ser comparável como ensinar aos alunos a arte da medicina e relação médico-paciente” Disse também: “Posso não ter ensinado ninguém a ser feliz, mas de tanto tentar, consegui ser”!

Entretanto ainda, segundo ele gestos simples que demonstram parceria e amizade são extremamente necessários “É preciso gostar de gente!” Também revelou 2 segredos que só os grandes médicos podem sentir: “Como nós nos consumimos quando fracassamos!!” Mas também: “Como vibramos quando conseguimos vencer a doença e salvar vidas”

Hipócrates há 400AC, dizia: “Quando há amor na arte da medicina também haverá amor pela humanidade”.

Ainda, o mesmo grego, na mesma época já alertava: “Vita brevis, ars longa”. A vida é curta, a arte é longa.

Como não somos máquinas, sempre devemos lutar por uma medicina mais humana. Isto é impossível sem afeto e compaixão!!

Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Carlos Roberto Schwartsmann

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Panorama Político
Trato entre governo e Legislativo tem estilo autoritário
Pode te interessar

Carlos Roberto Schwartsmann Bom dia!

Carlos Roberto Schwartsmann Medicina sob desconfiança

Carlos Roberto Schwartsmann Um hospital que paga para trabalhar

Carlos Roberto Schwartsmann Hermanos e Messi