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Geral Ameaçada de morte, vereadora trans faz desabafo após deixar o Brasil

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Primeira parlamentar trans eleita em Niterói (RJ), a vereadora Benny Briolly pede respostas do Estado brasileiro. (Foto: Reprodução)

Primeira parlamentar trans eleita em Niterói (RJ), a vereadora Benny Briolly (Psol), que teve que deixar o Brasil após receber ameaças de morte, gravou um vídeo nesta sexta-feira (14) para falar sobre a situação que está passando. Ela pediu respostas do Estado brasileiro por ser impedida de exercer seu mandato com segurança e integridade física.

“É impossível não ter uma resposta do Estado brasileiro, isso não pode ficar dessa maneira e não pode ser desse jeito. O Brasil do grito preso, das manifestações populares, da revolta popular do povo, exige uma resposta, exige a minha integridade física e exige que eu, a mulher mais votada sendo travesti e cria de favela, possa exercer a minha mandata [sic] com integridade de vida e física. Seguimos em luta”, afirmou Benny no vídeo.

Daniel Vieira Nunes, presidente do PSOL em Niterói, afirmou que está indignado com a situação. “A política de ódio não vencerá e o Estado precisa garantir a integridade da vida e da atuação parlamentar de uma vereadora eleita”, disse.

A previsão é de que a política fique afastada da atividade presencial na Câmara de Vereadores de Niterói por cerca de 15 dias. A vereadora vai continuar acompanhando as sessões plenárias, que estão ocorrendo de forma virtual por conta da pandemia.

A nota da assessoria da parlamentar informou, ainda, que as ameaças contra Benny vem ocorrendo há cinco meses. Uma delas foi um e-mail citando o endereço da vereadora e exigindo que ela renunciasse ao cargo, ou, caso contrário, iriam até casa dela para matá-la. Além disso, Benny também recebeu comentários nas redes sociais desejando que “a metralhadora do Ronnie Lessa” a atingisse.

“Desde que foi eleita, Benny já sofreu uma série de violências. Em dezembro de 2020, antes de ser empossada, Benny esteve no parlamento para acompanhar uma sessão. Na ocasião, um grupo de bolsonaristas liderados pelo também eleito Douglas Gomes se reuniam na frente da Câmara. No microfone, o referido vereador incitava seus eleitores a atacar a vereadora Benny. Sob xingamentos e ameaças, a parlamentar eleita precisou ser retirada da Câmara escoltada pela Guarda Municipal, que foi acionada por outros vereadores para assegurar sua integridade física. De lá para cá, são incontáveis as agressões que sofre nas ruas e nas redes”, diz a assessoria.

A vereadora informou que foi “incluída no Programa Estadual de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos. Possivelmente no futuro, meu caso venha passar pelo conselho deliberativo de Brasília, o que deve demorar algum tempo”.

“As ameaças não são uma novidade, mas culminaram na medida drástica de retirar Benny do país. Diversas instâncias do Estado brasileiro foram acionadas, mas nada foi feito para assegurar a vida e a integridade física da vereadora. As providências devem ser tomadas para que ela possa retornar ao país e exercer o cargo para o qual foi eleita. Neste momento, toda solidariedade é essencial. Para enfrentar a violência política é preciso unir vozes e reverberar que Benny não está só!”, diz a assessoria.

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