Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de abril de 2020
As contas externas brasileiras de março fecharam em superávit de US$ 868 milhões. O resultado é superior ao do mesmo mês do ano passado, que registrou um déficit de US$ 2,7 bilhões. A estatística foi divulgada nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central (BC).
O resultado foi puxado por uma redução no déficit da renda primária, com queda de 37,3% no pagamento de juros e recuo de 72,9% nas despesas com lucros e dividendos na comparação com o mesmo mês de 2019.
Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o resultado dos lucros e dividendos foi influenciado pelo menor ritmo da atividade econômica. Com menos ganhos, as empresas estrangeiras mandam menos recursos para o exterior, causando uma redução no déficit.
O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, explica que esse resultado é um “falso positivo”, porque ao mesmo tempo em que auxilia no superávit, é um sinal de que a atividade econômica está em queda.
“A gente tem uma remessa de lucro para fora quando temos alguma remuneração no período. Com as ações caindo, os lucros de empresa caindo, com a crise que a gente está vivendo, isso diminui”, afirmou.
O déficit em transações correntes acontece quando o volume de dinheiro que sai do Brasil supera o montante que entra no país. A medida considera exportações e importações, os gastos de brasileiros no exterior e as remessas de lucros, juros e dividendos para fora.
A estimativa do BC para as contas externas no mês de março era um déficit de US$ 1 bilhão. Segundo Rocha, o resultado diferente da expectativa é pode também ser explicado por uma redução das despesas com viagens maior do que o estimado.
“A redução das despesas líquidas com viagens internacionais e com lucros e dividendos foi mais intensa que o estimado. Adicionalmente, o saldo comercial das duas últimas semanas de março foi superior ao do início do mês”, disse.
Fábio Galdino, chefe de renda variável da Vero Investimentos, afirmou que esses dados de março não vão fazer muita diferença dada as rápidas mudanças no cenário político e econômico.
“Não é o mês que vai fazer muita diferença, a única diferença é que iniciamos o confinamento. O impacto agora é quanto tempo isso vai demorar e quando é que vai ser a volta para saber como a economia aterrissou depois do coronavírus.”
Balança
O saldo da balança comercial, diferença entre exportações e importações, registrou um aumento de US$ 360 milhões no superávit na comparação com o mesmo mês de 2019.
O resultado das exportações foi de US$ 19,3 bilhões, um aumento de 10,6% em relação a março de 2019. Já as importações também subiram para US$ 15,1 bilhões, uma variação positiva de 10,9%.
O resultado dos investimentos estrangeiros diretos no país aumentou em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em 2019, os investimentos em março somaram US$ 4,8 bilhões contra US$ 7,6 bilhões neste ano. A expectativa do BC era que a estatística ficasse em torno de US$ 7 bilhões.
Para o mês de abril, a expectativa é de um superávit de US$ 2 bilhões. A estimativa é que os investimentos estrangeiros fique em US$ 1,5 bilhão.
Viagens
Por conta dos impactos da pandemia, as despesas dos brasileiros no exterior caíram de US$ 1,3 bilhões no ano passado para US$ 612 milhões neste ano.
Os gastos de turistas no Brasil também reduziram de US$ 567 milhões para US$ 385 milhões na mesma comparação.
Trimestre
Apesar do resultado positivo para março, o primeiro trimestre de 2020 fechou com resultado pior do que o de 2019. Neste ano, o déficit foi de US$ 15,2 bilhões contra US$ 15 bilhões no ano passado. O resultado é o pior desde 2015, quando o déficit foi de US$ 25,2 bilhões.
Esse resultado foi puxado, principalmente, por uma queda de 51,9% no superávit da balança comercial. Em 2020, o superávit foi de US$ 3,6 bilhões enquanto 2019 registrou um resultado positivo de US$ 7,6 bilhões.
Os déficits menores na renda primária, com juros, lucros e dividendos, por exemplo, e nos serviços, como redução de 70,2% nas despesas com viagens, compensaram o resultado negativo das exportações e importações.
Para o período, os investimentos estrangeiros somaram US$ 19,2 bilhões, uma alta de 5,2% em comparação com o mesmo período de 2019, quando o resultado foi de US$ 18,3 bilhões.
Com isso, os investimentos conseguiram “cobrir” o rombo nas contas externas (US$ 15,2 bilhões).
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