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Colunistas Aqueles dias podem voltar?

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A notícia que ocupou grande espaço no noticiário brasileiro nos últimos dias — a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro — fez lembrar episódios políticos que muitos brasileiros gostariam de considerar páginas viradas da história do país. Entre eles, o escândalo PC Farias, os Anões do Orçamento, o Mensalão e a Operação Lava Jato.

O primeiro deles, em 1992, marcou profundamente minha trajetória como trabalhador e ativista do movimento sindical. Foi naquele período que vivi minha primeira experiência de votar democraticamente para presidente da República. O então eleito ganhou notoriedade com o discurso do “caçador de marajás”, tendo o combate à corrupção como principal bandeira política.

Na prática, porém, o país viveu uma realidade diferente. Logo no início do mandato, o confisco da poupança provocou forte impacto econômico e social. Famílias perderam economias acumuladas ao longo da vida, gerando insegurança, desespero e reflexos na saúde mental de milhões de brasileiros. O plano econômico também congelou salários e preços. Sem acesso ao próprio dinheiro, o consumo caiu, a economia entrou em recessão e houve aumento do desemprego. Ou seja, o discurso apresentado durante a campanha não se confirmou na condução do governo.

Pouco tempo depois, veio à tona o esquema envolvendo PC Farias, marcado pelo uso de contas bancárias em nome de terceiros e empresas de fachada. Entre os objetivos apontados pelas investigações estavam o recebimento de propinas, o pagamento de despesas pessoais e gastos luxuosos da família Collor. Isso incluía pagamentos de funcionários, reformas na residência conhecida como “Casa da Dinda” e até a compra de um veículo Fiat Elba utilizado pela então primeira-dama.

Se no passado o esquema era associado à lavagem de dinheiro para custear luxos particulares no Brasil, hoje o caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro levanta suspeitas sobre o financiamento de uma produção cinematográfica milionária e sobre possíveis relações políticas e empresariais. O filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Bolsonaro, tornou-se alvo de questionamentos após a divulgação de informações sobre aportes financeiros ligados ao banqueiro.

O que existe por trás dessa produção? Diante dos episódios que marcaram a passagem do principal personagem do filme pelo Palácio do Planalto, permanecem dúvidas relevantes. Trata-se de um ex-presidente acusado de tentar interferir na Polícia Federal para proteger familiares e aliados políticos, além de ter protagonizado embates envolvendo áreas como saúde, educação e direitos trabalhistas.

Nesse contexto, surgem questionamentos sobre os reais interesses por trás do financiamento de um banco citado em investigações e envolvido em suspeitas de relações pouco transparentes com integrantes dos Três Poderes. O aporte milionário para a produção cinematográfica foi motivado apenas por interesse cultural? Ou haveria também interesses políticos e institucionais ligados à proximidade com o grupo político do ex-presidente?

Ao observar diferentes episódios da história política brasileira, é possível perceber semelhanças inquietantes. Mudam os operadores, mudam os intermediários, mudam os mecanismos financeiros e os destinos dos recursos, mas determinadas práticas continuam reaparecendo no debate público. Enquanto isso, trabalhadores e suas famílias seguem enfrentando dificuldades na saúde, educação, segurança e geração de renda.

Ao mesmo tempo, recursos ligados a transações questionadas acabam financiando projetos de forte conteúdo político e ideológico. Para muitos trabalhadores, isso contrasta com propostas defendidas por setores políticos favoráveis à flexibilização de direitos trabalhistas e à redução de garantias previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Temos como impedir que episódios semelhantes voltem a acontecer? A resposta passa pelas escolhas feitas nas urnas, pela participação democrática e pela defesa de projetos comprometidos com igualdade, desenvolvimento e respeito às instituições.

Também permanece a dúvida sobre como o filme retratará declarações polêmicas feitas por Bolsonaro ao longo de sua trajetória política. Entre elas, frases relacionadas a temas sociais, mulheres, pandemia e direitos humanos, que geraram críticas e repercussão nacional e internacional. Resta saber se esses episódios também farão parte da narrativa da produção cinematográfica.

Gelson Santana – Presidente do STICC e secretário nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Construção Pesada e em Montagem Industrial da UGT.

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Adalberto Meneguzzi
20 de maio de 2026 14:50

Faltou falar das reuniões secretas do Lula com o Vorcaro, do dinheiro público doado para uma escola de samba para promover o Ladrão, substituição do delegado da PF que investigava o lulinha, mensalão, Petrolão, etc, etc…
Como vocês, vermes esquerdistas, esquecem fácil de fatos históricos que os prejudicam na narrativa!

João Fernando Cunha da Cunha
19 de maio de 2026 21:10

QUE DARK HORSE, que nada! O verdadeiro nome do filme é…….A VOLTA DO PANGARÉ!
Bolsonaro está para um cavalo negro, assim como nosso pobre CARAMELO ESTÁ PARA A ENCHENTE! Clã dos bolsonaro….ora, ora. Desde quando um NINHO DE RATOS pode ser chamado de Clã? Bolsonaro é um cavalo velho, magro, desdentado, inútil e doente. A vantagem do CARAMELO é que não foi o culpado pela enchente. Já o Pangaré Inútil cavou a própria cova.

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