Terça-feira, 07 de Julho de 2020

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CAD1 As mudanças climáticas podem afetar o suprimento de cerveja no mundo

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Além da diminuição do consumo, preço seria elevado; no Brasil valor poderia subir até 70%. (Foto: Reprodução)

Quem até agora não se deu conta dos efeitos das mudanças climáticas na vida das pessoas, como inundações e aumento de incêndios, talvez se comova com uma pesquisa que traz um alerta bem cotidiano: o suprimento de cerveja e o preço dela podem sofrer com o aquecimento global.
A conclusão foi publicada nesta segunda-feira (15) na revista científica Nature Plants.

A redução no abastecimento de cerveja está ligada à reação da cultura da cevada, principal e mais tradicional ingrediente da bebida, a eventos extremos de calor e seca.

Na pesquisa, os impactos do aquecimento global foram estudados em 34 regiões do mundo, a maior parte composta por países com taxas significativas de produção, consumo e transações comerciais relacionadas à cerveja.

“Ao ver como o aquecimento global atinge nossas vidas de maneiras que não imaginamos, talvez as pessoas comecem a repensar maneiras de intensificar esforços para a redução das emissões”, disse Tariq Ali, da Universidade de Pequim e um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto.

Nos piores cenários possíveis, o decréscimo do abastecimento do grão fica entre 27% e 38% em alguns países europeus como a Alemanha, Bélgica e República Tcheca.

Os autores — também amantes de cerveja — ressaltam que, quando se referem ao abastecimento, estão tratando de duas frentes. Uma delas é relacionada às perdas de plantações de cevada, que, segundo o estudo, poderiam variar de 3% a 17%.

As regiões do mundo que mais sofreriam prejuízos ligados à plantação seriam as Américas do Sul e Central e a África Central. Ao mesmo tempo, as perdas na Europa seriam moderadas e, em algumas regiões, até haveria aumento na produção, como em partes dos EUA e da Ásia.

Outro ponto seriam as variações que as mudanças climáticas poderiam ter sobre o bolso do leitor/consumidor, o que está vinculado à dificuldade de manter as plantações e à disponibilidade do produto — já que uma parte da produção é destinada à alimentação de animais, por exemplo.

A pesquisa aponta que nos piores cenários de eventos extremos, o preço da cerveja poderia dobrar e o consumo cair cerca de 16%. Essa queda equivaleria aproximadamente ao consumo de todos os EUA em 2011.

“Para piorar a situação, as mudanças climáticas ainda se intrometeriam nas nossas festas, socialização e até mesmo nas extravagâncias da Copa do Mundo”, afirma Ali. “No nível individual, isso pode servir para incentivarmos mais os esforços para controlar o aquecimento global.”

O Brasil, por ser um dos maiores consumidores de cerveja no mundo, estaria entre os principais países afetados. No melhor cenário, a queda no consumo de cerveja ficaria em torno de 1%. No pior, a redução chega a 8% — cerca de 1 bilhão de litros a menos consumidos. Isso tornaria o país o sétimo mais afetado no mundo.

Os autores do trabalho reconhecem que esse está longe de ser o pior ou mais relevante efeito do aquecimento global. O menor consumo, em alguns casos, pode até ser benéfico para a saúde da população.

 

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