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Esporte Atletas se dividem sobre a Olimpíada de Tóquio com portões fechados

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Faltando seis meses para os Jogos Olímpicos, incerteza ainda está no ar. (Foto: Reprodução)

O ambiente de incerteza tomou conta de vez dos Jogos de Tóquio. Autoridades japonesas e o Comitê Olímpico Internacional (COI) se apressaram para desmentir veementemente um artigo do “The Times” que afirmava que o Japão “busca uma maneira de cancelar a Olimpíada por causa da covid-19”.

Segundo o jornal inglês, um integrante do governo revelou que já está configurada a impossibilidade de realização dos Jogos, mas ninguém quer ser o primeiro a dar a notícia. A questão seria como desembaraçar os diversos nós contratuais com o COI, patrocinadores, detentores de direitos de transmissão, fornecedores, federações, entre outros.

Em pesquisa recente, cerca de 80% dos japoneses disseram que não querem o evento. Pedem o adiamento ou cancelamento. O presidente do COI, Thomas Bach repetiu que os meses de março e abril serão fundamentais e que nenhuma decisão drástica será tomada até lá. O dirigente acredita que, daqui a dois ou três meses, já estará mais claro o panorama da vacinação no mundo inteiro.

Segundo o Comitê Olímpico do Brasil (COB), nas recentes reuniões feitas com o COI não se tratou do assunto cancelamento nem de obrigatoriedade da vacina para a covid-19, apenas de protocolos de segurança e realização de testagem em massa.

O Japão, por exemplo, ainda não começou a vacinar seus cidadãos. Mas, o Comitê Organizador endossou o pedido do COI para que os Comitês Nacionais vacinem seus atletas antes da viagem ao Japão “em consideração ao povo japonês” — o COB já informou que não fará movimento para “furar a fila” e vacinar o Time Brasil. A falta do imunizante e as disputas dos eventos classificatórios para os Jogos, que começam em fevereiro, complica o quadro.

Em meio a tanta incerteza, os atletas seguem treinando e tentando manter o foco. Junto às notícias do possível cancelamento, também aparece o rumor de que o evento poderia ser realizado sem público.

“Jogos com público, nesse cenário, são um risco extra que se torna desnecessário. A prioridade, na minha opinião, precisa ser a realização dos Jogos seguros”, opinou Bruno Fratus, nadador que busca índice para Tóquio, uma vez que a delegação brasileira da modalidade ainda não foi definida. —Algo que 2020 nos ensinou é que não adianta absolutamente nada, para nós atletas, focar em situações fora do nosso controle. Se não tiver Olimpíada em 2021, o foco automaticamente se torna o Mundial de 2022.

Segundo ele, exemplos de ligas profissionais mundo afora, com formatos apenas para TV, fazem sucesso. Bruno afirma que esta pode ser uma oportunidade, mesmo que em cima da hora e devido a circunstâncias tão infelizes, de modernizar ainda mais os Jogos Olímpicos e criar um modelo sob demanda, feito exclusivamente para o espectador.

“Sobre ter graça… Ela está em cumprir a missão de levar a bandeira brasileira ao lugar mais alto possível. Público e clima, se analisados de maneira fria e objetiva, são apenas confete.”

A ginasta Flavia Saraiva, única ginasta do Brasil com vaga assegurada entre as mulheres, evita pensar no assunto. Ela continua com seu treinamento para as datas marcadas e diz que se prepara para Tóquio, mas também para Paris-2024. Reconhece, porém, que a questão sanitária tem de vir em primeiro lugar.

“Em primeiro lugar vem a saúde e se for para bem geral de todos, da população mundial, e se for o caso de adiar de novo, tem que adiar. Vou ficar triste, mas entenderei. Amo competir com público, sentir o calor humano, mas se não tiver… sei que todo mundo estará torcendo muito em casa. Por tudo que passamos este último ano vai ser um show incrível.”

Isaquias Queiroz, recordista do Brasil em conquistas de medalhas em uma única Olimpíada, diz que se os Jogos forem realizados, prefere com a presença de público. Diz que é muito ruim não ouvir os gritos da torcida, até mesmo numa derrota. E que é a voz dela que lhe tira forças “de onde não existe mais”, numa reta final, para cruzar a linha de chegada. Segundo ele, é o maior incentivo para o atleta.

“Que estranho para um evento que prega a união dos povos, a igualdade, sem preconceitos. É nesta competição que estamos no nosso auge e que podemos fazer coisas surpreendentes. E não ter ninguém para comemorar com você? Ninguém para se emocionar com o hino do seu país no pódio? Nos meus sonhos de infância, ia ao pódio com a galera toda aplaudindo o pódio. Que frustrante será sem tudo isso.”

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