Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de setembro de 2021
Lideranças dos partidos de esquerda e de movimentos sindicais estão divididos sobre a participação nas manifestações do 7 de Setembro. Eles alegam que o temor de violência por parte de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que em parte são armamentistas e também estarão nas ruas, os levou a colocar o pé no freio. Desde março, o campo esteve unido nas manifestações contra Bolsonaro.
A preocupação em relação à violência se acentua em São Paulo, onde devem acontecer os maiores protestos e há vídeos nas redes sociais com chamamento para que profissionais das forças de segurança estejam presentes em defesa do presidente. Na capital paulista, os manifestantes anti e pró-Bolsonaro devem estar separados por uma distância de 3 quilômetros e o governo do Estado preparou um esquema de segurança que envolve até a revista de participantes para tentar evitar confusões.
A chamada à manifestação tem vindo principalmente de setores mais ligados ao PT. A presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, divulgou um vídeo convocando a militância às ruas sob o mote do “Fora, Bolsonaro”. Na mensagem, Gleisi alerta que a pauta “não é pela violência, mas pela vida”. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dado sinais de que não comparecerá.
Assim como os petistas, o líder dos sem teto Guilherme Boulos (PSOL) tem defendido a permanência da esquerda na rua sob a justificativa de que é preciso disputar o espaço com os bolsonaristas. O apoio aos atos, porém, não é unânime neste campo. PSB e PDT não darão endosso aos protestos.
“Apoiamos os protestos contra o governo, mas não podemos admitir a hipótese de confronto. Não é oportuno participar”, afirma Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB.
O deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) também tem defendido a retirada da militância das ruas. O presidente do PDT, Carlos Lupi, diz que o partido não participará oficialmente, mas liberará a militância:
“Vai ter provocação e temos que ter responsabilidade.”
Entre as centrais sindicais, UGT, Força Sindical, CSB e Nova Central decidiram ficar de fora:
“Não podemos correr risco de violência (nas ruas). Queremos construir um caminho com o equilíbrio para que o próximo presidente eleito tome posse”, afirma Ricardo Patah, presidente da UGT.
Apesar das desistências, organizadores acreditam que CUT e outros movimentos populares devem garantir o público:
“Quem não quiser ir tem o direito, mas não vamos deixar as ruas por ameaças de bolsonaristas”, afirmou Raimundo Bonfim, coordenador da campanha “Fora Bolsonaro”.
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