Domingo, 25 de Outubro de 2020

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Brasil Boicote na internet a comportamento negativo acaba influenciando carreira junto a empresas

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“Cancelamento pela internet” vira motivo para demissões. (Foto: Reprodução)

As redes sociais permitem emitir opiniões a respeito de qualquer tema. Mas é preciso tomar cuidado, porque dependendo do que for dito, você pode ser “cancelado” e correr o risco de ser demitido de seu emprego. O fenômeno do “cancelamento” remete ao ato de boicotar alguém que com comportamento censurável que viralizou nas redes sociais.

Apesar de ter ganhado força na internet após o movimento #MeToo, onde pessoas relatavam casos de abusos sexuais, essa cultura teve início durante as décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, quando minorias políticas formadas por negros, feministas e LGBTQIA+ criticavam o ambiente de trabalho dominado pelos homens brancos.

O CEO da Heach Brasil, Elcio Teixeira, explica que, geralmente as empresas são informadas de polêmicas envolvendo funcionários por meio das redes sociais, e dependendo da situação, podem demitir por justa causa.

Ele cita um caso que ocorreu no Estado de um funcionário que foi demitido por publicar comentários inadequados na internet. “Uma empresa contratou um motorista de caminhão, mas pouco tempo depois recebeu reclamações de que ele estava escrevendo comentários homofóbicos e racistas em grupos de sua rede social”.

O ato pode gerar também alguns mal entendidos, como o caso de um homem nos Estados Unidos que, ao estalar os dedos dentro do seu carro, acabou sendo filmado fazendo um sinal de “OK”, que tem sido adotado por internautas racistas em fóruns online. Ele acabou demitido após o vídeo viralizar, mesmo alegando desconhecer aquele significado do sinal.

O cancelamento não se limita a causas consideradas “liberais”, sendo possível ocorrer com quem convive em ambientes conservadores, que “cancelam” pessoas que possuem comportamento mais liberal nestes ambientes.

Foi o que aconteceu com um contador no Estado que trabalhava em uma empresa de perfil conservador, conforme relata a psicóloga e especialista em pessoas e carreiras, Gisélia Freitas.

“A empresa o demitiu após descobrir que a namorada dele havia publicado um vídeo seminua e urinando em uma bandeira do Brasil, durante protesto contra um político que era contra o aborto, porque houve repercussão negativa”.

Casos de demissões

1) Sumiço e drogas

Um estagiário de uma empresa localizada em Vitória foi efetivado, mas desapareceu na primeira semana de emprego, causando preocupações.

A mãe do rapaz chegou a fazer um boletim de ocorrência, que recebeu mais de mil compartilhamentos nas redes sociais. O B.O. relatava que o jovem era usuário de drogas e se auto-medicava sem fazer tratamento.

Ele acabaria sendo encontrado pouco tempo depois em um morro da cidade, usando drogas. A empresa acabou o demitindo por justa causa.

2) Homofobia

Uma empresa contratou um motorista de caminhão, mas logo se viu obrigada a demiti-lo após receber denúncias de seu comportamento nas redes sociais.

O funcionário publicava em grupos comentários homofóbicos e racistas, sem qualquer tipo de filtro. Ele chegou a dizer que, se tivesse um filho homossexual, ele mesmo o mataria.

O funcionário não foi demitido por justa causa, mas a empresa optou por mandá-lo embora por não concordar com a postura.

3) Urinou na bandeira

Certas demissões podem acontecer por conta de cancelamento de terceiros, como ocorreu com um contador que trabalhava em uma empresa cujo chefe era religioso.

O chefe não gostou quando recebeu reclamações de membros de igrejas sobre a namorada do funcionário, que foi seminua a um protesto contra um político que era contra o aborto.

Ela ainda urinou em uma bandeira do Brasil e marcou no vídeo o próprio namorado, que acabou demitido.

4) Assédio na Copa

Durante a Copa do Mundo de Futebol na Rússia, em 2018, um funcionário de uma empresa de aviação que trabalhava no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo, foi demitido após um vídeo dele assediando mulheres russas viralizar na internet.

Nas imagens do vídeo, o funcionário e um grupo de homens, aparentemente bêbados, faziam mulheres russas repetirem frases obscenas em português, as constrangendo.

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