Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de junho de 2020
O presidente Jair Bolsonaro disse que o novo ministro da Educação, Carlos Decotelli, não quer ser “um problema”, mas defendeu sua “capacidade” para ocupar o cargo. A mensagem foi publicada na noite desta segunda-feira (29) na sua página no Facebook.
“Desde quando anunciei o nome do Professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez. Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o Ministério. O Sr. Decotelli não pretende ser um problema para a sua pasta (Governo), bem como, está ciente de seu equívoco. Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos”, disse Bolsonaro.
Decotelli foi anunciado como novo ministro na quinta-feira passada. Ainda na semana passada, a Universidade de Rosário disse que ele não concluiu seu doutorado na instituição, ao contrário do que havia sido informado por ele em seu currículo Lattes. Depois disso, ele corrigiu seu currículo dizendo que havia apenas cumprido os créditos obrigatórios.
No final de semana, surgiram suspeitas de que Decotelli teria plagiado trechos de sua dissertação de mestrado. Decotelli, então, anunciou que providenciaria correções no texto.
Nesta segunda-feira, a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, negou que ele tenha feito pós-doutorado na instituição, como informado por Decotelli em seu currículo.
“Carlos Decotelli não obteve nenhum título na nossa universidade”, afirmou a responsável pela comunicação da Bergische Universität Wüppertal (BUW), Jasmine Ait-Djoudi. A universidade alemã oferece cerca de 110 cursos em diversas áreas e tem mais de 22 mil estudantes.
No currículo disponível na plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Decotelli descreve que frequentou a universidade alemã entre 2015 e 2017 e que recebeu o certificado de pós-doutor.
O ministro corrigiu seu currículo após o reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, confirmar que ele não tem o título de doutor na instituição, apesar de ter estudado lá. Ainda assim, continua constando na plataforma o pós-doc na Alemanha. Para fazer um pós-doc o acadêmico precisa ter concluído o doutorado.
Em Wüppertal, o novo ministro da Educação conduziu uma pesquisa durante três meses sob a orientação de Brigitte Wolf, que foi professora de Teoria do Design na universidade até 2017. Ao Wüppertal, Wolf confirmou que o ministro não recebeu nenhum título universitário na Alemanha.
Em nota publicada no último sábado, o MEC disse que “a universidade alemã aceitou apoiar o projeto, considerando a relevância do tema, a conclusão e a aprovação em todos os créditos obtidos no curso de Doutorado em Administração na Universidade de Rosário”, frisando que o ministro não recebeu nenhum título decorrente desta pesquisa. As informações são do jornal O Globo.
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