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Brasil Bolsonaro diz que saída de secretários da Economia é “normal” e defende o teto de gastos e as privatizações

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Recentemente, presidente esteve em 12 Estados e deixou de comunicar oficialmente a sua presença para quatro chefes de executivo. (Foto: Alan Santos/PR)

Após o pedido de demissão de dois secretários do Ministério da Economia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (12), que “é normal a saída de alguns” do governo. Além de Salim Mattar e de Paulo Uebel, outros dois integrantes da equipe econômica podem abandonar o governo, segundo fontes: Waldery Rodrigues, secretário de Fazenda, e Carlos da Costa, secretário de Produtividade.

Bolsonaro afirmou ser compreensível alguns ministros buscarem mais recursos para obras essenciais, mas ressaltou o compromisso do governo com “a responsabilidade fiscal e o teto de gastos”, além de defender a privatização de “empresas deficitárias”.

A declaração, feita na conta de Bolsonaro no Facebook, foi acompanhada de uma foto do presidente com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura). A foto é do trecho de um vídeo, gravado na terça-feira (11), durante cerimônia fechada no Palácio do Planalto.

Tarcísio faz parte da ala do governo que defende o aumento de investimentos públicos, enquanto Guedes vê nisso uma ameaça ao teto de gastos. Bolsonaro disse que ele e seus ministros “continuam unidos e cônscios da responsabilidade de conduzir a economia e os destinos do Brasil com responsabilidade”.

Na terça-feira, Guedes classificou como “debandada” os pedidos de demissão dos secretários Salim Mattar (Desestatizações) e Paulo Uebel (Gestão e Governo Digital). De acordo com o ministro, as saídas ocorreram por dificuldades nas privatizações e na reforma administrativa, respectivamente.

Reportagem do jornal O Globo mostrou que o envio da reforma administrativa, que mexe nas regras de servidores públicos, ficou para 2021.

Sem citar nomes, Bolsonaro escreveu nesta quarta-feira (12) que “em todo o governo, pelo elevado nível de competência de seus quadros, é normal a saída de alguns para algo que melhor atenda suas justas ambições pessoais” e acrescentou que os dois secretários “vão para uma outra atividade muito melhor”.

Ao mesmo tempo, o presidente explicou as dificuldades na agenda econômica. Disse que “privatizar está longe de ser, simplesmente, pegar uma estatal e colocá-la numa prateleira” e ressaltou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a venda de “empresas-mãe” precisa ter um aval do Congresso.

Além disso, em referência à reforma administrativa, afirmou que “os desafios burocráticos do estado brasileiro são enormes e o tempo corre ao lado dos sindicatos e do corporativismo e partidos de esquerda”.

Na mensagem, Bolsonaro também comentou a divisão atual do governo em relação ao tema dos gastos públicos. Uma ala, liderada pelo ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e que conta com o apoio de Tarcísio e dos ministros militares, pressiona pelo crescimento dos investimentos.

Guedes é contrário e afirmou, sem citar nomes, que os auxiliares que aconselham o presidente a burlar a regra do teto de gastos estão levando Bolsonaro para uma zona de impeachment.

Teto é “âncora”

Também na manhã desta quarta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o texto de gastos é a “âncora fiscal” do País e que não pode ser “tratado da forma como está”:

“O teto de gastos é a nossa âncora fiscal. Então, não é um assunto que tem que ser discutido da forma como vem sendo colocado, é algo que tem que ser muito bem analisado pelas pessoas que conduzem a política fiscal do país. Nós temos uma situação fiscal péssima, então, não é algo que possa estar sendo tratado da forma como está”, avaliou Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.

Mourão também afirmou que alguns ministros querem “mostrar serviço”, mas ressaltou que, caso queiram aumentar gastos, precisam apresentar sua proposta a Bolsonaro e aos outros ministros.

“O ministro também fica angustiado porque ele quer mostrar serviço, e ele está limitado pelas amarras do orçamento. Essa é a realidade”, disse, acrescentando: “Os ministros que querem avançar no aumento de gastos, eles têm que sentar no conselho de governo, apresentar suas metas e isso ser discutido, debatido e votado por todos, e aí o presidente decide.”

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